
Aquando das eleições autárquicas, muito se falou no sentido de se tentar salvar a Renamo e muitas ideias foram colocadas à disposição da direcção daquele partido, uma das quais, a que tanto defendi, seria a unificação daquele partido, que já mostrava sinais profundos de divisão no seu seio, devido a decisões mal tomadas, como a expulsão de Daviz Simango, e a própria derrota esmagadora nas autárquicas, principalmente incluindo figuras como Raúl Domingos, o próprio Daviz Simango, entre outras personalidades que eram influentes no partido, bem como consolidar a União Eleitoral com mais partidos. Um congresso chegou a ser apontado como solução para a profunda crise em que a Renamo ficou mergulhada, e houve quem propusesse medidas mais radicais, como a substituição da actual liderança.
Ao que tudo indica, a Renamo fez ouvidos de mercador a todas estas sugestões que tinham em vista salvar o partido de uma “morte” quase certa, isto porque nenhum esforço foi feito para melhorar. Mas como foi sempre dito, quem não sabe ouvir arrisca-se a tropeçar: a Renamo não podia escapar disso.
Afonso Dhlakama tem estado a fazer um esforço tremendo para enganar os seus apoiantes com a ideia da possível realização do famoso V Congresso, este que já se mostrou ser um “aborto”. A suposta falta de fundos não pode ser apresentada pela Renamo como sendo uma razão para a não realização do tal “congresso da esperança”, porque, anualmente, aquele partido recebe perto de um milhão e meio de dólares pela representação parlamentar, tem as quotas dos seus membros, pelo menos os 90 deputados deviam pagar quotas adicionais aos partido. Nada justifica que a Renamo não tenha dinheiro para realizar, de cinco em cinco anos, um congresso.
No domingo, a Renamo tentou sabotar o comício de Daviz Simango, e esta terça-feira supostos seguranças de Afonso Dhlakama usaram viaturas de deputados daquele partido para supostamente tentarem assassinar Simango. Aonde estamos afinal? Não pense a Renamo que regressando ao tempo da guerra civil vai conseguir recuperar o eleitorado e os membros que lhe fogem para se juntar ao MDM. Afonso Dhlakama, sobretudo, esqueceu-se que agora estamos num país sem guerra, em que não se mata ninguém e ficar-se impune.
O atentado da terça-feira passada é uma tentativa de homicídio e é punível nos termos da lei. Já chega de o país olhar impávido e sereno aos desmandos de Afonso Dhlakama. A Procuradoria Geral da República tem de investigar o que de facto aconteceu na terça-feira em Nacala-Velha e responsabilizar os seus autores. Chega de passar a mão à cabeça da Renamo, porque está a transformar-se num partido perigoso.
Dhlakama não pode continuar a usar os seus capangas para andar a intimidar o povo moçambicano, aliás, capangas esses que vivem em péssimas condições. Fiquei a saber que agora que ele se encontra em Nacala-Porto, os mesmos vivem em péssimas condições, paga-lhes 100 a 200 meticais por dia, não têm onde dormir, e desde que lá estão nunca tomaram banho. Vivem como se fossem animais.
Até agora não entendi por que os membros seniores da Renamo ainda não perceberam que o seu líder já perdeu o sentido de bom senso. Afundou a Renamo, como afundou também a sua família, que a abandonou, há meses, em Maputo, para viver com uma suposta amante numa pensão em Nampula. É este cidadão que diz querer ser presidente de Moçambique? É este partido que não deixa os outros exercerem o seu direito constitucional que quer ser maioritário na Assembleia da República?
Que Deus abençõe Moçambique!







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