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Quinta-feira
03 de Dezembro
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Início Opinião Francisco Mandlate “Os cães ladraram e a carruagem passou”

“Os cães ladraram e a carruagem passou”

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Uma vez mais, o nosso governo faz ouvidos de mer­cador aos apelos dos mais diversos quadrantes da sociedade moçambicana, do Rovuma ao Maputo, e do Zumbo ao Índico, em relação ao nome dado à ponte sobre o rio Zambeze, que já este sábado passa a estar aberta ao trânsito.

 Em todo este processo penso que há várias lições a serem tiradas, uma delas é de que devemos respeitar as opiniões contrárias, indepen­dentemente delas ferirem com o nosso orgulho ou não. Mas também nos ensinou que há determinadas decisões que o governo já não pode tomar sozinho, pois já não estámos na era de ideias centralizadas. As pes­soas querem sentir-se participantes da vida política, económica e social do país, através de consultas públicas, que podem ser feitas por via das novas tecnologias de informação à disposição do governo.

Este ano, particularmente, ficou evidente que as opiniões do povo não têm influências naquilo que os órgãos de soberania decidem, não obs­tante, dependerem do voto popular para se perpetuarem no poder. Não duvido que a maioria das pessoas que se pronunciaram em relação ao nome atribuído à ponte sobre o rio Zambeze, não era a favor da­quilo que o governo decidiu. Pior, porque o ministro das Obras Públi­cas e Habitação, Felício Zacarias, disse descaradamente que ele é que propôs o nome do actual chefe do Estado ao seus pares, que anuiram sem discutir e, ainda por cima, na ausência do presidente da Repúbli­ca. Pior porque fizeram questão de desprezar o que a maioria dos mo­çambicanos disse em relação este assunto.

Isto assemelha-se ao que acon­teceu com a Lei sobre Violência Doméstica contra a Mulher, que apesar de na auscultação pública ter vincado a opinião de que a mes­ma deve ser abrangente, depois de ter sido aprovada na generalidade, facto que aumentou a contestação pública, os deputados acabaram por fazer um arranjo na lei, adicio­nando o artigo 35.

Na minha opinião, a democracia não se esgota apenas no acto de votação. Tornarmo-nos num país democrático, devemos ser capazes de engolir a seco algumas decisões que satisfazem a maioria, infeliz­mente, o que não acontece no nos­so país.

Estou satisfeito porque a socie­dade civil está a desempenhar o seu papel e vai dando mensagens claras ao governo, que deverá ser obediente, mas o mesmo parece ainda não estar habituado a ter que abandonar as suas convicções e adoptar as que satisfazem a maio­ria. Um dia meus senhores, isto poderá ter resultados desastrosos nas urnas, porque os moçambicanos estão a acordar.

Isto não quer dizer que o governo deve andar à reboque do povo, todavia, deve ser um governo razoável, que consegue ouvir o que os ou­tros dizem e pensam, porque nós não podemos construir um país que depende de cada governo.

 

Digo isto porque muitos não se identificam com o nome atribuído à Ponte Armando Guebuza, o que quer dizer que se um outro governo subir ao poder, corremos o risco de ver aquela ponte ter outro nome, dado o facto de nas condições em que foi atribuído não satisfazer a maio­ria. Se tivesse havido uma auscultação pública que legitimasse a decisão do governo, acredito que todos estaríamos mais a vontade. Não que se aplique para o caso em concreto, mas acho que é altura de o governo convocar em algumas situações referendos, previstos na Constituição da República, como, por exemplo, na despenalização do aborto.

Bem haja a ponte Armando Emílio Guebuza!

 

Fotogaleria: DIA DOS HERÓIS MOÇAMBICANOS

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Fotogaleria :VISITA DE RECEP ERDOGAN A MOÇAMBIQUE

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"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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