
Terminou a carreira de Lurdes Mutola, acabou-se o brilho de Moçambique no desporto mundial e até africano. Agora, resta-nos colher só desgostos e humilhações nas mais diversas modalidades em que participamos a nível internacional.
O recente desaire da selecção nacional de basquetebol sénior masculina no campeonato africano da modalidade, que decorreu na Líbia, foi um exemplo claro de que algo vai muito mal no desporto moçambicano. O nosso país tem uma tradição inquestionável no basquetebol africano, temos o melhor basquetebol da região Austral de África, segundo alguns amigos meus angolanos, que também se mostram preocupados pela letargia em que se encontra mergulhada esta modalidade no país.
Ninguém consegue explicar o porquê desta situação. Mas penso que o país no seu todo se esqueceu que o desenvolvimento de uma nação está associado também ao desporto. Um povo que não prática desporto, arrisca-se a viver por pouco tempo, e um povo que não vive grandes emoções, que só o desporto proporciona, também tem pouco tempo de vida. Alguém dizia que o riso e a alegria aumentam o tempo de vida das pessoas, e o desgosto mata aos poucos. E é o desgosto que os nossos desportistas oferecem ao povo moçambicano, matando-o aos poucos.
No meu ponto de vista, a razão deste desaire está entre os dirigentes desportistas e com o próprio governo. Os dirigentes das federações preocupam-se em levar as selecções às competições internacionais, mas nada fazem para tornar competitivas as competições internas. Nada fazem para potenciar os talentos que brotam de várias iniciativas desportivas que envolvem crianças, como é o exemplo do Básquete Show, Jogos Escolares, Mini-Básquete, Torneio Infanto-Juvenil, Bebec, Copa Coca-Cola, entre outras.
Será que estes movimentos todos não produzem atletas com capacidade de tornar competitivos os nossos clubes e, consequentemente, as nossas selecções?
Os dirigentes dos clubes também têm a sua quota-parte, porque duvido que explorem estas exposições de talentos e, acima de tudo, não usam convenientemente as marcas das suas equipas para explorar as potencialidades do mercado.
O outro problema é que o governo se esqueceu do desporto. Lurdes Mutola e todas as outras glórias do nosso desporto são frutos de um investimento de outros tempos, e agora estamos a colher frutos da falta de investimentos no desporto.
Como se explica que em trinta anos, não consigamos nem fazer a manutenção do único Estádio de futebol que o país tem, e só agora é que se está a construir mais um. Isto para não me referir aos pavilhões de desportos, piscinas, pistas de atletismo, entre outras infra-estruturas desportivas que ficaram destruídas com o tempo.
Agora, o que nos resta, é só esperar que não sejamos desiludidos pelos Mambas, que não nos vão presentear com a sua presença no Mundial 2010 e pela selecção sénior feminina de basquetebol que é uma das melhores de África, apesar de ter nos envergonhado em Portugal. E espero, por outro lado, que se faça um trabalho no hóquei, para que não sejamos humilhados na nossa casa em 2011, com o Mundial de Hóquei.
A Angola é actualmente um exemplo a ter em conta e penso que devemos aprender dos nossos Kambas, sobre o que tem estado a fazer para reavivar o seu desporto. para já estão de parabéns pela conquista do Afrobasket da Líbia.
Todos nós devemos procurar discutir e propor soluções para a crise de resultados em que está mergulhado o nosso desporto.
Que Deus abençoe Moçambique







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