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Guebuza exonera quatro ministros e chama três caras novas para o Governo

Chefe do Estado faz remodelação no Governo

José Pacheco transita do Interior para ser o 4o ministro da Agricultura em seis anos. Abandonam em definitivo o Governo Soares Nhaca, Ivo Garrido e António Fernando, respectivamente, ministros da Agricultura, Saúde e Indústria e Comércio.

O Chefe do Estado, Armando Guebuza, anunciou, ontem à noite, mudanças no seu Governo: José Pacheco troca o cargo de ministro do Interior pelo de ministro da Agricultura; Alberto Ricardo Mondlane passa de reitor da Academia de Ciências Policiais (ACIPOL) para ministro do Interior; Alexandre Lourenço Jaime Manguele é o novo ministro da Saúde e Armando Inroga assume a pasta de ministro da Indústria e Comércio.

Os novos ministros tomam posse, na manhã de hoje, em cerimónia agendada para a Presidência da República e que, como habitualmente sucede nestes casos, será orientada pelo próprio Chefe do Estado.

Ainda ontem, o Presidente da República exonerou do cargo Soares Nhaca (Agricultura), Paulo Ivo Garrido (Saúde), António Fernando (Indústria e Comércio) e José Pacheco (Interior). Igualmente, exonerou Alberto Ricardo Mondlane do cargo de reitor da Academia de Ciências Policiais para o conduzir para o lugar de Pacheco.

Dos quatro novos ministros,   três são caras novas e apenas José Pacheco representa a continuidade, confirmando que é o homem da confiança de Armando Guebuza, que não o deixa cair apesar de algumas intervenções menos felizes à frente do Ministério do Interior, como no dia 1 de Setembro, no auge do levantamento popular, em que chamou de marginais os manifestantes.

Mas a nomeação de José Pacheco mostra as dificuldades que o Presidente Guebuza enfrenta na área da Agricultura: Pacheco é o quarto ministro deste sector em seis anos, o que quer dizer que um ministro dura, na Agricultura, um ano e meio, em média.

O primeiro-ministro da Agricultura da “era Guebuza” fora Tomás Mandlate. Empossado em Fevereiro de 2005, foi exonerado a 25 de Fevereiro de 2007. Para o seu lugar, seguiu-se Erasmo Muhate, que nem sequer chegou ao fim do ano, já que foi exonerado em Dezembro de 2007 e substituído por Soares Nhaca. Quase três anos depois, é agora a vez do ex-sindicalista ceder o seu lugar. José Pacheco é o homem que se segue.

Alberto Mondlane é um oficial da Polícia da República de Moçambique, formado na Alemanha. Desempenhou as funções de vice-reitor da Academia de Ciências Policiais (ACIPOL) durante vários anos até ser empossado reitor, em Outubro do ano passado, em substituição de Machatine Munguambe, actual presidente do Tribunal Administrativo.

Alexandre Manguele é médico de profissão, com mestrado em Saúde Pública, feito na Universidade de Leeds, na Inglaterra. Durante o mandato de Songane como ministro da Saúde, ocupou o cargo de director nacional da Saúde. Quando Ivo Garrido chegou a ministro, nomeou-o inspector-geral do Ministério da Saúde. Abandonou o cargo em Dezembro de 2008, a seu próprio pedido, por se ter incompatibilizado com Ivo Garrido, curiosamente, pessoa a quem vai substituir, agora, no cargo. Aliás, desde que saiu, o Ministério da Saúde não tem inspector, precisamente, porque Ivo Garrido nunca nomeou o substituto de Alexandre Manguele.

O novo ministro da Saúde é descrito como um médico e gestor da saúde altamente competente, por vários ex-colegas seus, que privaram com ele durante os anos em que foi director nacional da saúde e, mais recentemente, como inspector-geral do mesmo ministério.

Os seus ex-colegas descrevem-no ainda como o oposto de Ivo Garrido, em termos de temperamento: é mais calmo, ponderado e menos explosivo do que o seu antecessor.

  Uma das surpresas das nomeações de ontem é o jovem economista Armando Inroga, que substitui António Fernando no cargo de ministro da Indústria e Comércio. Até à sua nomeação, Inroga era presidente da Associação Moçambicana de Economistas (AMECON), cargo para o qual fora eleito há cinco meses, em substituição de Miquelina Menezes, que cumprira dois mandatos consecutivos.

Inroga acumulava essas funções com as de consultor e docente universitário. Era quadro sénior da Ernst and Young. Trabalhou igualmente como director-geral das “Lojas da Frelimo”, um projecto empresarial do partido no poder, visando captar receitas com a venda do seu merchandising. Uma das lojas chegou a ser aberta no Maputo Shopping Center, mas não teve continuidade e fechou as portas.

1 e 2 de Setembro

Várias fontes com quem falámos ontem vêem estas mudanças operadas pelo Chefe do Estado como a continuação das medidas que Armando Guebuza tem estado a tomar, desde os acontecimentos de 1 e 2 de Setembro, e que ganharam relevo após a aprovação, a 21 de Setembro último, da 3a Avaliação Nacional de Pobreza do Instituto Nacional de Estatística. Este documento mostrou que a meta de reduzir a pobreza para 45% em 2009, estabelecida pelo Governo, tinha falhado: a pobreza, não só não tinha reduzido como se agravara, em alguns casos. Globalmente, os dados do INE mostravam que a pobreza de consumo estagnara, ou seja, não houvera avanços no seu combate. Mais: os dados do IOF (Inquérito ao Orçamento Familiar) indicavam que a produtividade per capita e por hectare baixou e que a produção per capita está a cair 1,5% por ano, em média. Por outro lado, os dados do INE mostram que a produção alimentar cresce a uma taxa inferior à metade da taxa de crescimento da população.

Estes dados tornavam, irrefutavelmente, inviável a estratégia do Governo de produzir mais comida para as populações e reduzir a pobreza. Tudo porque a Revolução Verde, porta-estandarte do Presidente Armando Guebuza, não estava a funcionar.
 

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