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Frelimo responsabiliza Renamo pelos 12 mortos

A bancada parlamentar da Frelimo acusa a Renamo União Eleitoral (RUE) de ter desinformado moçambicano, o que veio a culminar com a morte de 12 detidos na cadeia distrital de Mogincual, província de Nampula, no corrente mês de Março.

Intervindo na sessão da última sexta-feira na Assembleia da República (AR), a Frelimo disse que, para além dos oficiais de polícia de Mogincual,  membros e simpatizantes da RUE devem ser responsabilizados por autoria moral do crime.

O porta-voz da bancada da RUE, José Manteigas, refutou as alegações de desinformação de que é acusado o seu partido, alegando que o incidente ocorreu porque o crescimento socioeconómico em Mogincual é tão “irrisório”, que apenas 36 por cento da população é que têm água potável, sendo que os restantes 64 por cento bebem água imprória, daí o surgimento da cólera.

Manteiga questionou ao governo sobre as zonas da cidade capital, onde populações também bebem água imprópria. “Será que há desinformação da RUE na Polana Caniço, Mafalala, Xipamanine, Xikelene e outros bairros de Maputo, onde pessoas bebem água imprópria e sucumbem com altos índices de propagação de cólera?”.

José Manteiga acusou o governo de Moçambique de estar a voltar aos tempos após a independência, em que havia execuções sumárias e fuzilamentos. “O massacre de Mogincual faz  recordar-nos o período da constituição de 1975, em que a Frelimo parecia defender a vida e  a dignidade humana, mas na calada da noite exterminava  pessoas. Com o governo de Armando Guebuza, a Renamo não esperava algo diferente senão uma continuidade”.

Carlos Jorge, da Frelimo, disse que a Renamo está a tentar criar um oportunismo político do “caso Mogincual”, pois não existe nenhuma relação intrínseca entre o incidente e as cores partidárias.

 

O mesmo discurso foi fortemente defendido pelo governo, representado pela primeira-ministra moçambicana, Luísa Diogo.

“A Renamo toma a dor do povo utilizando-a como diversão e passatempo. Utiliza-a como instrumento e dela procura conseguir ganhos políticos.” Para Luísa Diogo, as mortes de Mogincual estão relacionadas com negligência, insuficiências infra-estruturais e falta de profissionalismo nos quadros da PRM de Mogincual.

A Frelimo acusa também a Renamo ter sabotado o processo de combate contra o surto de cólera através de uso do cloro para purificar água, com vista à redução dos índices de contaminação que se verifica naquela província.

A Renamo “desinformou as pessoas” dizendo que “o cloro que era deitado em água é que causava a cólera”, o que veio a “acender” a fúria popular.

Na sequência da alegada desinformação, os populares desencadearam uma perseguição contra activistas e agentes da lei e ordem, culminando com a morte de três activistas da Cruz Vermelha de Moçambique (CVM), um comerciante  e dois agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM).

O debate do “caso Mogincual” foi pouco frutífero, tendo o Parlamento esgotado tempo com troca de discursos pejorativos e ataques pessoais entre os deputados das duas bancadas.

Quase para o fim da sessão, a bancada parlamentar da RUE pediu um aumento de tempo para a prossecução de debate, tendo o pedido sido reprovado pela plenária, com 65 votos da RUE a favor e 129 da Frelimo contra.
 

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