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29 de Maio
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A reconciliação como garante do futuro

Opinião

“O Dia da Europa que celebramos neste dia 9 de Maio tem este ano um carácter simbólico especial, pois coincide com os 60 anos da assinatura dos Tratados de Roma, que são os alicerces do que hoje é a União Europeia.

É importante sublinhar aqui que, desde 1957, a União Europeia desfruta de paz, prosperidade e segurança. Os países europeus vivem em paz lado a lado, tendo também contribuído para um mundo mais pacífico. Tal foi possível porque, após a Segunda Guerra Mundial se decidiu ultrapassar as diferenças e concentrar nos interesses em comum, com vista ao bem de todos. Tratou-se de uma reconciliação pós-II Guerra Mundial.

Não há dúvidas de que todos os moçambicanos e moçambicanas querem paz, prosperidade e segurança. As declarações que ouvimos nestas últimas semanas do Senhor Presidente da República e do líder da Renamo, no âmbito das negociações de paz em curso, nomeadamente com vista a um cessar-fogo por tempo indeterminado e a uma paz sustentada, são desenvolvimentos essenciais e de louvar.

Nos meus discursos no Dia da Europa em Moçambique, nos dois anos precedentes, falei de tolerância e confiança. Falar agora de reconciliação parece-me assim a sequência natural. Uma reconciliação nacional verdadeira e genuína é a garantia da sustentabilidade de um acordo de paz. A reconciliação abarca várias dimensões: política, social, económica e interpessoal. Não se consegue atingir de um dia para o outro, é um esforço diário e aperfeiçoa-se constantemente. Mas é importante e reclamada pelas gerações de amanhã, para que possam usufruir de um Moçambique apaziguado, estável e renovado.

Com o objectivo de ajudar sociedades a lidar com o seu passado, de forma crítica, a sair de crises profundas e evitar que tais incidentes se repitam no futuro, muitos países recorreram a mecanismos tais como as comissões de verdade e reconciliação, incluindo a África do Sul, mas também vários países da América Latina e América do Sul, e mais recentemente Timor Leste, Tunísia ou Canadá.

Compete a Moçambique encontrar o seu modelo, a sua via de reconciliação. É um tema sobre o qual se deve reflectir desde já. Moçambique merecia ser um exemplo “da arte do sucesso que é a reconciliação”, como expôs Jacques Deval, autor e dramaturgo francês. Uma coisa é certa, é que este processo exigirá o apoio de todos os moçambicanos, que se deverão nele rever.

Se a integração europeia tem sido um projecto de paz bem-sucedido, não há que escamotear, por outro lado, que a Europa está a viver tempos algo inéditos. O 60.º aniversário dos Tratados de Roma dá-nos a oportunidade não só de reafirmar o nosso compromisso para com os valores e objectivos em que assenta o projecto europeu, mas também de seguir em frente de forma pragmática e ambiciosa.

O que quer que seja que o futuro nos reserva, uma coisa é certa: a União Europeia continuará a colocar a promoção da paz e da segurança internacionais, a cooperação para o desenvolvimento, os direitos humanos e a resposta às crises humanitárias no cerne da sua política externa e da sua política de segurança.

Um ambiente interno com desafios e um ambiente internacional mais frágil exige maior participação, compromisso e cooperação.

No que diz respeito à União Europeia em Moçambique, vamos continuar a aprofundar a nossa pareceria e a apoiar Moçambique nos esforços cruciais, com vista a uma paz duradoura, que requer uma verdadeira e genuína reconciliação nacional”, Sven Kühn von Burgsdorff, embaixador da União Europeia em Moçambique.


 

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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