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Moçambique não tem espaço para 38 universidades

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Moçambique não tem espaço para 38 universidades
Moçambique não tem espaço para 38 universidades

Contrariando a realidade actual

Quem defende esta posição é o economista e docente João Mosca, que falava numa palestra, semana passada, na cidade de Maputo. Aos olhos de Mosca, algumas universidades privadas que existem no país até deviam fechar.

O economista e académico João Mosca defende que em Moçambique não há espaço para a existência de 38 instituições de ensino superior, sobretudo as privadas, tal como acontece actualmente. São vários os argumentos apresentados pelo economista, dentre eles, por exemplo, a baixa renda de grande parte dos moçambicanos.

Mosca refere que o funcionamento de uma universidade privada acarreta custos, daí que as taxas cobradas tendem a ser elevadas. no entanto, são poucos os moçambicanos que estão em condições de pagar tais valores.

Falando numa palestra subordinado ao tema “ensino superior privado em Moçambique: universidades ou empresas?”, Mosca disse que a economia nacional está estruturalmente em crise, com uma baixa procura pelas universidades privadas, devido aos baixos níveis de rendimento, poucos recursos para bolsas de estudo e debilidade do sistema de crédito comercial para a formação. “O financiamento público para o ensino superior é muito pequeno”, diz.

Olhando para toda esta realidade, Mosca não hesita em afirmar que “o nosso sistema de ensino está a enfrentar uma crise estrutural”. Trata-se, aliás, de uma crise que, aos seus olhos, vem de longa data. “E nem podemos pensar que o futuro será diferente”, adverte.

Outro dilema é que os “decisions makers” deste país não vêem o ensino superior como prioridade nas políticas públicas. E isso pode ser explicado pela “fraqueza” do desenvolvimento do país.

Já o académico Narciso Matos, igualmente orador na palestra sobre os desafios do ensino superior no país, defende que um sistema de ensino superior forte, sob ponto de vista da sua qualidade, é o principal impulsionador de desenvolvimento de uma nação. Ou seja, as universidades devem (ou deviam) promover uma investigação relevante para responder aos problemas reais do país.

Neste sentido, Matos considera que o “nosso desafio é saber tirar o conhecimento da ciência dos livros para ser aplicado onde haja necessidade”. Porém, o que acontece nas universidades nacionais é o contrário. A cultura universitária, tanto por parte dos estudantes, como da maior parte dos docentes, é quase inexistente; os conteúdos programáticos que se ensinam são fracos; e não há investigação.

Na verdade, o ensino superior moçambicano, sobretudo privado, enfrenta diversos problemas. Mosca, através do seu tema “ensino superior privado em Moçambique: universidades ou empresas?”, pretendia levar à discussão esta questão. Durante a palestra, o economista não concluiu o que muitos esperavam ouvir. Apenas estabeleceu a comparação entre uma universidade e uma empresa, naquilo que é a lógica de reprodução de cada uma.

Disse, por exemplo, que enquanto uma empresa, na sua lógica de reprodução, o principal objectivo é a maximização  do lucro, uma universidade, por seu turno, tem a maximização da qualidade dos seus formandos como primeiro objectivo. E deixou uma questão para a reflexão de todos os participantes: as instituições  privadas de ensino superior em Moçambique são mais universidades ou empresas?

Na sequência desta questão deixada no ar, o nosso jornal falou com o economista, à margem do encontro, de forma a dar sua visão em relação ao assunto. Este relevou-nos que não há duvidas que algumas universidades privadas são empresas. Aliás, no seu entender, apesar de não ter citado nomes, “há várias instituições privadas de ensino que até deviam fechar, por não reunirem condições para o funcionamento enquanto universidades”.

Segundo Mosca, uma universidade deve funcionar dentro dos parâmetros estabelecidos numa escala que é reconhecida a nível internacional. Um dos requisitos, por exemplo, estabelecido pela referida escala, é de que uma universidade deve funcionar com um número de estudantes igual ou superior a mil. Por outro lado, deve ter um corpo docente composto por muitos doutorados a tempo integral. Mas, em Moçambique, diz a fonte, existem algumas instituições de ensino superior privadas que funcionam com cerca de 300 estudantes, o que é de lamentar.

Mais adiante, Mosca referiu-se a quatro perguntas que se devem fazer sobre uma determinada universidade:

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