Duas empresas disputam licenças de exploração mineral.
Duas empresas cujos nomes confundem-se disputam os títulos de propriedade das licenças de exploração das areias pesadas de Moebase e de Nabúri, localizadas na província da Zambézia. Trata-se da Pathfinder Minerals, Plc e Pathfinder Moçambique, Lda. A primeira, internacional, está listada na Bolsa de Valores de Londres e foi criada em Fevereiro de 2011, com o objectivo de estudar, pesquisar e explorar recursos minerais em Moçambique, sobretudo as areias pesadas localizadas na província da Zambézia. A segunda, nacional, foi criadas com os mesmos objectivos.
Igualmente, alguns accionistas da Pathfinder Minerals são os mesmos da Pathfinder Moçambique. É que, segundo consta dos comunicados da Pathfinder Minerals, são accionistas desta JP Morgan Asset Management, John McKeon, Tim Baldwin, JV Consultores, Nick Trew, Gordon Dickie, Diogo Cavaco e Genesis Investment Management, accionistas da Pathfinder Minerals Plc. Estes angariaram um capital de aproximadamente 18 milhões de dólares norte-americanos para investir nesses projectos. Jacinto Veloso e Diogo Cavaco são igualmente accionistas da Pathfinder Moçambique.
Para o início das suas actividades, a Pathfinder Minerals, Plc contava com as licenças das minas de areias pesadas de Moebase e de Nabúri, na província da Zambézia, numa área de aproximadamente de 32 mil hectares. Estas licenças eram anteriormente da propriedade de uma empresa subsidiária do grupo multinacional BHP Billiton.
Naquelas reservas de areias pesadas poderão ser extraídos Ilmenite, Zircão e Rutilo, minérios de alto valor comercial no mercado internacional.
A versão I: Pathfinder Minerals
O projecto não é novo. Vem dos anos 80. Conforme pode-se anotar, a BHP Billiton realizou entre 1980 e 2002 investimentos da ordem dos 29 milhões de dólares norte-americanos, particularmente na construção de infra-estruturas como acampamento, estradas, pontes e uma pista de aviação, e procedeu à abertura de 3 000 furos para a obtenção de amostras dos solos destinados à interpretação e análises geológicas e de dados.
Só que os problemas começam já em 2004, quando a Companhia Mineira de Nabúri adquiriu a licença de Nabúri e obteve das autoridades moçambicanas uma concessão mineira válida por 25 anos.
Em 2009, segundo refere o comunicado da Pathfinder Minerals, datado de 14 de Junho, a IM Minerals Ltd. viria a adquirir 75 por cento do capital da Companhia Mineira de Nabúri e financiaria a aquisição, com direitos de exploração, da licença de Moebase à BHP Billiton por 20 milhões de dólares norte-americanos, montante a ser pago essencialmente no início da construção de uma fábrica de processamento e no envio do primeiro produto, o que foi acordado ao abrigo de dois contratos distintos de 10 milhões de dólares norte-americanos cada um, um com a Companhia Mineira de Nabúri e outro com a BHP Billiton.
Em 2010, a IM Minerals adquire os restantes 25% da Companhia Mineira de Nabúri (mediante a emissão de acções) e em seguida, em 2011, a Pathfinder Minerals, Plc, por sua vez, adquire a IM Minerals (e assim uma participação de 100 por cento na Companhia Mineira de Nabúri).
Justiça em acção
A Pathfinder Minerals, Plc reconhece que está atravessar actualmente “imensas dificuldades” no decurso do desenvolvimento do projecto de areias pesadas de Moebase e de Nabúri, o que obrigou a uma “paralisação da sua actividade”, enquanto as questões estão sendo resolvidas.
Como consequência, “registou-se um recuo significativo no cumprimento dos prazos do projecto, já que a Pathfinder Minerals, Plc deveria ter iniciado o programa de perfuração e análise de amostras de solos em Novembro de 2011”, contam gestores da Pathfinder, esclarecendo que as dificuldades que têm sentido “estão relacionadas com o processo de retirada, em fins de 2011, das licenças de concessão das minas de Moebase e de Nabúri, iniciada pela JV Consultores, e pela sua transferência para a Pathfinder Moçambique, Lda.”, uma sociedade constituída e da propriedade da JV Consultores e Diogo Cavaco.





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