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Militares espancam nove pessoas e violam duas meninas em Mahlampswene

População agastada com atitudes violentas.

Os soldados apoderaram-se ainda de diversos bens  e dinheiro da população. Os moradores daquele bairro foram ao quartel manifestar-se e exigir que os autores dos actos sejam responsabilizados.

Os moradores do bairro de Mahlampswene, no Município da Matola, província de Maputo, estão agastados com os militares do quartel local, devido aos desmandos e violações que estes vêm cometendo contra os residentes dos arredores do quartel.

Os soldados atacaram os civis residentes na zona, ao redor do quartel, desferiram golpes violentos a nove pessoas, violaram sexualmente duas meninas e apoderaram-se de diversos bens, entre celulares, electrodomésticos e dinheiro não especificado.

Os populares daquele bairro, que consideram os actos de bárbaros, dizem não perceber, nem conseguem explicações cabíveis para os actos.

“Não sabemos o que eles querem. Mas basta encontrarem uma pessoa a andar na rua pegam, batem sem motivos e, se for mulher, rasgam-lhe a rouba e violam. Ninguém percebe porque estão a atacar-nos aqui, nós não aguentamos mais”, explicou Catarina Mussane, moradora daquele bairro.

As investidas dos militares, perpetradas na calada da noite, bem como à luz do dia, provocaram fúria popular, que levou os moradores a manifestarem-se defronte do quartel local, exigindo a responsabilização dos que cometem tais actos.

“Quando vão mijar na rua, fazem-no à nossa frente e dos nossos filhos. quando lhes chamamos atenção, insultam-nos, por isso, estamos cansados deles, não os queremos mais aqui”, disse agastada dona Celeste, acrescentando que “queremos ver as pessoas que nos fazem isto a serem chamadas à responsabilidade e, se possível, expulsas daqui”.

Como ela, há muitos residentes do bairro que presenciaram os actos dos homens do exército.

“Não percebo porquê, na semana passada, encontraram-me a andar na rua, espancaram-me violentamente e aleijaram-me os braços e a cara. mas consegui fugir e eles pegaram naquelas moças e violaram-nas”, explicou Cremildo, um jovem comerciante.

Para além dos actos nas vias públicas, os militares invadem casas, fazem e desfazem sem temer qualquer acção  e a população diz que esta não é a primeira vez que tais actos acontecem, dada impunidade dos referidos militares.

“Já aconteceram casos do género várias vezes, mas agora já está demais e já não estamos livres nem seguros nas nossas próprias casas, no nosso país”, afirmou dona Linda.

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Adelino Timóteo


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