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Quinhentos trabalhadores da EMTPM paralisam actividades e deixam utentes desesperados

Greve nos transportes públicos

“É estranho quando empresas públicas ficam a mercê de um grupo de pessoas que levam as mesmas ao colapso, aos olhos dos que fazem de contas que não vêem o que mesmo um cego consegue ver”. É assim que começa a carta reivindicativa dos cerca dos 500 trabalhadores da empresa EMTPM que ontem paralisaram as actividades, em protesto contra o corte de subsídios e alegados cortes arbitrários. Na carta, os trabalhadores acusam a direcção de incapacidade de tirar a empresa da situação complicada em que se encontra, avançando que todas as iniciativas tomadas redundaram em fracasso. “Introduziu-se o Mbora lá, um projecto estranho que chegou para afugentar passageiros, fazendo com que os autocarros circulem vazios”, lê-se no documento.

Os grevistas dizem que os “males” começaram com a mudança na gestão da empresa. “O erro que o Governo cometeu foi transferir a gestão da empresa para o município. Porque, desde essa decisão, está a afundar. Em Fevereiro, a empresa decidiu cortar todos os nossos subsídios, que serviam para suportar as nossas despesas, pois temos dívidas com os bancos. E porque a empresa paga tarde os salários, acabamos prejudicados, porque o banco nos cobra com multas. O último salário recebemos depois de 56 dias e muitos de nós tivemos descontos devido a alegadas faltas marcadas de forma estranha. Há colegas que tiveram descontos de até 8 mil meticais, o que é estranho”, contou um trabalhador, que preferiu falar em anonimato.

Outro trabalhador detalhou que, devido aos cortes dos subsídios e descontos “arbitrários”, não consegue custear as despesas de alimentação na sua casa. “Se for à minha casa, falta um pouco de tudo. Para que eu e os meus filhos saiamos para os nossos destinos, tenho que ter dinheiro de ‘chapa’, que não tenho. Na escola dos meus filhos, os professores pedem sempre dinheiro para o pagamento de fichas e eu não tenho”, desabafou um trabalhador.

Os trabalhadores denunciam, ainda, despedimentos arbitrários de dez trabalhadores que estiveram envolvidos na última greve, facto que, entretanto, a empresa desmente. Segundo Nelson Massango, director de operações da empresa, o que houve foi a revisão do quadro do pessoal, com a saída de algumas pessoas e entrada de outras mais qualificadas. 

Empresa vai processar grevistas

A direcção da empresa diz que a greve é ilegal e vai processar os trabalhadores envolvidos. “A empresa foi pegue de surpresa, não sabia que os trabalhadores entrariam em greve, porque não recebeu nenhuma comunicação formal. O pano de fundo desta paralisação é a automação dos processos de gestão. Agora, é difícil desviar combustível, desviar o autocarro ou abandonar o local de trabalho sem que tenha cumprido o horário de trabalho”, rebateu o representante.

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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