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INGC vai iniciar campanha para consciencializar população a poupar água e alimentos

Criadores de gado bovino têm como alternativa a produção de feno para alimentar os animais no período seco

 

Poupar os recursos disponíveis começa a ser um discurso que vai saindo das cidades para o campo. As lições da seca severa que experimentámos de 2014 a 2016 levaram o governo a adoptar uma abordagem sobre a necessidade de educar a população a racionalizar a água e os alimentos.

Em 12 distritos do sul e centro do país, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) vai convencer a população a não vender todo o excedente da produção agrícola. São, essencialmente, distritos com problemas de chuva. Na província de Maputo, Magude é um deles. Aliás, já começaram a ser implementadas algumas acções para evitar a falta de comida nos próximos tempos.

No posto administrativo de Motaze, o INGC vai disponibilizar duas motobombas para a produção de hortícolas. “Esteve cá uma equipa que fez avaliação e verificou que havia uma electrobomba que ficou avariada. Neste momento, estamos a mobilizar recursos para adquirir rapidamente duas motobombas para esta lagoa, de modo a permitir que as comunidades desenvolvam a produção de hortícolas, que são uma das fontes de alimentação”, assegurou Gabriel Manhiça, do INGC, que falava à nossa reportagem, em Magude.

A foto de destaque desta reportagem mostra outra frente, em termos de preparação, para evitar morte em massa de gado. Na estação zootécnica do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique em Moamba, intensifica-se a produção de feno, para garantir a alimentação dos animais em períodos de seca.

Além das técnicas convencionais de produção dos fardos de feno, os técnicos estão a ensinar aos criadores outras alternativas para conservar o capim de pasto. “No ano passado, vieram muitas pessoas aprender como se faz feno, porque pode fazer-se mesmo sem máquinas apropriadas. Pode fazer-se a partir de uma cova quadrada, colocando fios e posteriormente entulhar e pressionar o capim, para ganhar a forma de fardo. Mas também pode cortar-se e amontoar o capim na machamba, para alimentar o gado em tempos de seca”, explicou um dos técnicos.

Com mais de dez mil cabeças de gado bovino mortas na última seca e estiagem, a economia de Magude tremeu. “No primeiro trimestre do ano passado, fizemos 12 feiras de gado e conseguimos vender 260 bovinos. Este ano, só no primeiro trimestre, foram 13 feiras, mas, infelizmente, só se vendeu 50 bovinos”, precisou a chefe do posto administrativo de Motaze, Isabel Tembissa.

 “Nós trabalhamos mais na componente preventiva”, anunciou o nosso interlocutor do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, para legitimar a campanha que vai começar dentro em breve.

Até Novembro de 2016, um milhão e quinhentas pessoas passavam fome no país, devido à estiagem. Passou o tempo, a seca também, mais o número de pessoas em insegurança alimentar continua a subir.

De acordo com os últimos dados apresentados pelo Programa Mundial de Alimentação, houve aumento do número de pessoas que passam fome em cerca de 700 mil pessoas, o que significa que perto de 2.2 milhões se ressentem da falta de comida. A instituição das Nações Unidas aponta a diminuição das reservas alimentares como causa do aumento da fome, aliada às cheias, que tendem a destruir culturas agrícolas, particularmente em Gaza.

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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