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22 de Agosto
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Centenas de trabalhadores da Açucareira da Maragra manifestam-se na Manhiça

Trabalhadores da Açucareira da Maragra reivindicam aumento salarial dos colaboradores das machambas

Centenas de trabalhadores da Açucareira da Maragra, no distrito da Manhiça, manifestaram-se, terça-feira última, contra a direcção da empresa em reivindicação do aumento salarial dos trabalhadores das machambas. Foi necessário a intervenção dos agentes da UIR (Unidade de Intervenção Rápida) e de seguranças da empresa, para conter os ânimos dos manifestantes. Os trabalhadores queixam-se da falta de reajuste salarial entre os agricultores e operários da indústria. “A Empresa está a usar duas fichas diferentes, sendo uma para os trabalhadores da fábrica e outra para nós, os agricultores. Os nossos companheiros têm o salário de sete mil meticais e nós, os da machamba, recebemos apenas três mil meticais. Então, nós estamos a reivindicar, a fim de que a empresa pague o mesmo salário aos agricultores e operários da fábrica, porque somos ambos trabalhadores da mesma empresa”, disse Augusto Maria, um dos manifestantes.

A manifestação surge depois de seis dias de paralisação que, segundo os trabalhadores, foi consentida pela direcção. Após regresso ao trabalho, estes viram-se com faltas. Esta foi a gota que fez transbordar o copo e levou a que os trabalhadores vandalizassem uma viatura da empresa. “O que nós sabemos é que a greve quando for legal, não se deve descontar o trabalhador. Nós paramos de trabalhar entre os dias 27 de Julho a 1 de Agosto e, nestes dias, temos faltas. Afinal, porquê é que a direcção consentiu a paralisação? é justo marcar faltas a trabalhadores em greve, que eles próprios tiveram o documento e autorizaram?”, questionou Luís Manuel, outro  trabalhador.

A confusão ficou fora do controle e estendeu-se até ao bairro. A população ficou agastada com a atitude dos agentes da UIR, devido aos desmaios por gás lacrimogéneo e agressões.

Alfredo Marques, residente nas redondezas da fábrica, entretanto, mostrou-se preocupado com a situação. ”A Polícia devia tratar do assunto dos trabalhadores no recinto da empresa e não o que fizeram. Seguiu as pessoas até às residências e intoxicaram-nos com o gás lacrimogéneo”, desabafou, para depois acrescentar que houve pessoas que desmaiaram por causa da intoxicação.

Outro morador contraiu ferimentos nos braços e na coluna vertebral, quando tentava informar que sua irmã e sobrinha desmaiaram, em resposta recebeu pancadarias.

A direcção da empresa, não quis pronunciar-se sobre o sucedido e, até à saída d’O País, permaneciam os agentes da UIR e os trabalhadores dispersos em alvoroço e fora das instalações.

UIR acusada de agredir trabalhadores 

Na sequência da manifestação, a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) não tardou. Fez se ao local e a agressão foi inevitável, quando um grupo de trabalhadores encontrava-se no interior da indústria e outro grupo estava do lado de fora das instalações. Um funcionário por pouco ficava sem cabeça por causa da agressão. “Fui alvejado na cabeça pelo segurança da empresa, mas eu não estava armado nem os meus colegas. Qual é o motivo de se chamar a polícia. Se nós estamos a exigir nossos direitos”, questionou um dos trabalhadores.


 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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