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Defesa de Setina pede interdição de cobertura jornalística nas sessões de julgamento

Tribunal Judicial de Maputo decide amanhã se imprensa continua a cobrir julgamento do caso FDA

Hoje foi o sétimo dia da sessão que julga um dos maiores desvios de fundos públicos. Uma sessão marcada por contestações da defesa de Setina Titosse à cobertura da imprensa. O advogado Jaime Sunda justifica que estão a ser postos em causa direitos de personalidade e presunção de inocência.

Por isso, submeteu, hoje, um requerimento ao tribunal para impedir que se divulgue as sessões. Entretanto, o juiz da causa, Alexandre Samuel, disse que vai se pronunciar sobre o caso amanhã.

Na sessão, foram ouvidos sete arguidos, totalizando os 24 que respondem neste processo pelo desvio de 170 milhões de meticais do Fundo de Desenvolvimento Agrário.

Um deles é o ganês Mishel Maaman Larya, ex-marido de Setina Titosse, então PCA do Fundo de Desenvolvimento Agrário, que responde em tribunal por ter recebido da sua ex-esposa como presente uma viatura Mazda, adquirida a um valor um milhão e seiscentos mil meticais, verba desviada do FDA. Diz que não sabia da proveniência do valor e a oferta da viatura foi uma surpresa organizada por Setina Titosse.

José Mazibuco é outro arguido ouvido esta terça-feira. Entra na rede a convite de Vicente Matine, o mesmo que convidou a sua esposa e outros três conhecidos para submeterem projectos. Mazibuco submeteu um projecto ao FDA e recebeu, na sequência, quatro milhões e novecentos mil meticais. Diz que, tal como os outros, recebeu indicações para fazer transferências, sob pretexto de que era para se comprar gado e terreno. Usou uma parte do valor para comprar chapas de zinco para a sua casa.

Respondeu também ao juiz Celeste Ismael, funcionária do FDA responsável de dar parecer sobre os projectos submetidos. É acusada de ter dado pareceres favoráveis a quatro projectos que não foram implementados. A arguida argumenta que emitiu sim pareceres, entretanto parte dos proponentes de projectos não apresentou DUAT. Depois disso, ela entregou o parecer aos seus superiores e não soube se foi concedido o financiamento.

Laureta Filimone é outra arguida ouvida esta terça-feira. Prima de Leopoldina Bambo, empregada de Setina, a mesma que teria alertado Vicente Matine sobre financiamento de projectos, Laureta é acusada de receber mais de quatro milhões e 700 mil, mas a verba acabou também em transferências, por indicações da prima. Ficou com apenas 239 mil meticais.

Foram também ouvidos Kenyton Simba, que recebeu dinheiro por ter ganho um concurso na Direcção de Agricultura de Nampula, para fornecer insumos agrícolas, tendo entretanto as transferências dirigidas pelo FDA. Este voltou a transferir parte do valor para contas indicadas pela instituição na altura dirigida por Titosse;

Daniel Nhabete, que foi usada a sua conta para receber mais de 10 milhões de meticais e argumenta que Humberto Cossa, marido da funcionária de Setina Titosse, Milda Cossa, é que pediu a conta por emprestado.

E Julieta Titosse, irmã de Setina, esta teria recebido três milhões e oitocentos mil, cuja proveniência, segundo justifica, é da Lerena Massingue, sua prima, que deverá ser julgada em processo separado.


 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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