O projecto de Techobanine é de longe viável, porque, pelo menos a China e a Índia, deverão continuar a consumir grandes quantidades de carvão para alimentar as suas indústrias (poluentes) em constante crescimento. Com uma capacidade de manusear 200 milhões de toneladas de recursos, por ano, o porto poderá servir facilmente os interesses twsanas e moçambicanos, e ainda transaccionar mercadorias de e para África do Sul, Zimbabwe e Suazilândia.
Será sem dúvidas Techobanine que vai albergar o maior porto de Moçambique e, como é tradicional, construído para servir interesses dos outros (países), sendo, neste caso concreto, o Botswana. Pelo menos os três principais portos do país (Maputo, Beira e Nacala) servem fundamentalmente, neste momento, os interesses comerciais de países vizinhos, nomeadamente, Suazilândia, Zimbabwe, Malawi, Zâmbia e até da África do Sul. Agora, também o projectado porto de Techobanine, em Matutuíne, província de Maputo, servirá para escoar os 40 milhões de toneladas de carvão mineral a serem extraídos, por ano, no Botswana, a curto/médio prazo, conforme apontam as projecções oficiais daquele país do interland.
Porquê techobanine?
O Botswana usa, actualmente, os portos sul-africanos para escoar os seus produtos, mas o elevado congestionamento que se regista naqueles portos e a demora faz com que os tswanas procurem outras rotas para realização das suas trocas comerciais com o mundo, sobretudo com a Ásia. Na África do Sul, o Botswana é um dos muitos, e a RAS tem a faca e o queijo na mão. Em Moçambique, o tratamento é diferente, porque nós ainda precisamos de muitos parceiros.
Os dados do Botswana mostram que, usando os portos sul-africanos, são necessários, em média, 22 dias para que as mercadorias cheguem ao destino, mas usando o porto de Techobanine, a duração deverá baixar para uma média de seis dias. O projecto, cuja construção será realizada entre 2012 a 2015, vai permitir que os tswanas poupem em custos com o transporte de mercadorias, já que comparativamente aos outros portos da região o de Techobanine localiza-se entre 100 a 450 quilómetros do interland.
Importa referir que uma linha férrea, com um percurso de 1 100 quilómetros, ligando Moçambique e Botswana, será construída conjuntamente com o porto de Techobanine, num investimento de cerca de sete biliões de dólares americanos.
Mesmo assim, o ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, prefere dizer que o empreendimento não virá para competir com os portos já existentes na região Austral de África, mas sim para complementar a sua actividade. Sabe-se também que este projecto deverá descongestionar os portos de Maputo e o de Durban, na África do Sul.
Importa referir que uma linha férrea, com um percurso de 1 100 quilómetros, ligando Moçambique e Botswana, será construída conjuntamente com o porto de Techobanine, num investimento de cerca de sete biliões de dólares americanos. De propósito, a linha passa pela África do Sul e Zimbabwe e deverá servir também os interesses comerciais daqueles países vizinhos.
De resto, o projecto será implementado em regime de concessão a privados de Botswana e Moçambique, segundo revelou Paulo Zucula. Sabe-se, que, até aqui, apenas as empresas Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e a Salamanga Investimentos mostraram interesse no projecto.
Para a realização do empreendimento, Paulo Zucula e o seu homólogo do Botswana, Frank Ramsden, assinaram, na semana passada, em Techobanine, um memorando de entendimento com vista a facilitar a busca de financiamento para a construção da infra-estrutura. Segundo o administrador executivo dos CFM, Adelino Mesquita, prevê-se que o contrato de financiamento dos empreendimentos (porto e linha férrea) seja fechado ainda este ano. Mesquita revelou ainda que são necessários 43 milhões de toneladas de mercadoria, por ano, para viabilizar a linha férrea, uma quantidade potencialmente existente no Botswana e nos países por onde passa a linha. Refira-se que o porto de Techobanine poderá manusear até 200 milhões de toneladas de diversos recursos, por ano, desde carga geral, combustível, minérios, granel e passageiros.
Sabe-se também que os tswanas incomodaram a Namíbia nessa sua aflição de criar uma rota segura para o escoamento do carvão mineral, tendo lançado um estudo de viabilidade económica sobre uma ligação ferroviária de 1 500 quilómetros.
Leia mais na edição impressa do «Jornal O País»













