Moçambique é visto cada vez mais como uma mina de ouro no que toca ao carvão. Não são poucas as empresas, de várias nacionalidades, que querem cá estar e aproveitar este mercado quase virgem. O “O País Económico” tentou entender o que traz tantos investidores a Moçambique.
A sala de conferências estava cheia de curiosos, especialistas e, sobretudo, de representantes de várias empresas ligadas ao sector da mineração. Falou-se mais inglês, algum português e brasileiro, mas o sentimento base que ficou é que Moçambique é considerado uma mina de ouro, totalmente virgem e rara no mundo. O “O País económico” tentou entender quais são os desafios e os trunfos de Moçambique no sector da mineração.
“Moçambique é muito competitivo. Mas é preciso aumentar infra-estruturas e os recursos têm de ser preparados para a extracção. Mas a base está cá: o carvão é muito bom e está próximo da superfície”, disse Steven Van Barneveld, da Sedgman.
“Moçambique é uma das economias africanas que mais está a crescer, há grandes fluxos de investimento directo estrangeiro e fortes laços comerciais com África do sul, como o seu principal parceiro comercial”, disse, no evento, Graham Mascall, CEO da Ncondezi, que tem licença para sete blocos em Tete. Dos sete, só três foram ainda perfurados e a expectativa já é grande, considerando a quantidade de carvão que os primeiros indicaram.
Até 2030, prevê-se que a procura mundial de carvão chegue aos 3.5 biliões de toneladas por ano, sendo que 90% da procura deverá vir da Ásia, nomeadamente, da China e Índia. Considera-se que Moçambique está estrategicamente posicionado para exportar carvão para China, Índia, Brasil e Europa, os mercados onde a procura é mais forte. Por outro lado, espera-se que o carvão de Moçambique seja mais competitivo do que o vindo da África do sul, Austrália, Indonésia e Colômbia.
De facto, todos os mercados que até agora alimentavam a procura de carvão estão em franco declínio. Segundo Mascall, a China e a Índia não produzem sequer o suficiente para o consumo interno. A Austrália vê-se a braços com impostos sobre os minérios cada vez mais altos, que constrangem o desenvolvimento de projectos novos. Na Indonésia, a qualidade do carvão está a decrescer, e regulamentos internos estão a ser desenvolvidos para limitar as exportações e dar prioridade ao mercado doméstico.
Na África do Sul, constrangimentos sobejamente conhecidos nas linhas férreas limitam cada vez mais as exportações. Na Colômbia, os movimentos sindicais ameaçam progressivamente a indústria do carvão. Na Rússia, os custos aumentaram em 45% nos últimos dois anos, sobretudo por causa do custo das linhas férreas. E, por fim, nos Estados Unidos, exportações de carvão térmico só são economicamente viáveis a um preço igual ou superior a 105 dólares por tonelada.
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