Infelizmente, os cães ladram e a carruagem passa

O provérbio árabe que faz título deste artigo encaixa-se perfeitamente no que está a acontecer na Circular de Maputo. Em Setembro do ano passado escrevi um artigo a falar da impertinência de uma gigantesca obra de armazéns ao longo da Circular de Maputo, mas parece que os argumentos apresentados não convenceram quem de direito para impedir que a mesma continuasse.

Na recente visita de Estado ao Reino de Eswatini, o Presidente da República, Filipe Nyusi foi confrontado pela Confederação das Associações Económicas, CTA, da intenção de construir em associação com os empresários maswati um porto seco na mesma zona onde estão a ser construídos os mega armazéns.

Ficamos a saber que a pretensão da CTA foi inspirada mesmo nos armazéns da Agility que estão a ser construídos na Circular. Filipe Nyusi disse naltura que era a primeira vez que ouvia falar no tal projecto e de imediato questionou porquê daquele local, colocando as seguintes questões que passo a citar:

“Eu estou a ouvir pela primeira vez o vosso projecto e a vossa ideia. E podíamos discutir tecnicamente muitos aspectos, não sei se a localização é certa ou não, qual é o trâfego que nós ansiamos levar, para Chiango, vai para onde esse tráfego, vem donde, se é preciso fazer ramal e porquê Chiango e não Marracuene, Beluluane e não Bobole onde se pensa também fazer zona franca, etc, uma série de coisas”.

Quando ouvi estes questionamentos do Presidente fiquei com a sensação de que talvez tivesse lido o meu texto anterior, porque é o mesmo tipo de questionamento que antes colocara em relação ao projecto da Agility que não se difere muito de um Porto Seco.

A Circular em quase toda a sua extensão passa no meio de bairros, ou em áreas que deviam ser urbanizadas e torná-las zonas habitacionais, de turismo ou centro financeiros e colocar mesmo na sua zona nobre mega armazéns desvaloriza-se completamente a região.

Para além de que se coloca um movimento de camiões pesados no meio de bairros residenciais. Não sei por onde passarão os camiões que irão aos armazéns da Agility sem criar o mesmo caos e luto que criam os camiões que passam pela EN4 para o Porto de Maputo.

Não tenho dúvidas de que iremos questionar a decisão de se implantar mega armazéns naquele local no dia que os camiões começarem a criar acidentes ao longo daquela estrada. Tal como o Chefe de Estado questiono qual vai ser o tráfego que os camiões irão seguir? Vão seguir pela Grande Maputo passando pelos bairros Albazine, Mahlazine, Zimpeto, Cumbeza até EN1? Ou seguindo por Muhalazi, Matola Gare, Matlemele, etc? Ou seguirão a Circular entrando pela Marginal, depois 25 de Setembro até ao Porto de Maputo? Será que quem decidiu isso sabia que os bairros acima citados são dos mais habitados na periferia de Maputo?

Também partilho da ideia do Chefe de Estado de que Bobole, Bolaze, Matalane ao norte de Marracuene o projecto da Agility poderia estar muito bem localizado porque aqueles locais estão a se transformar em novo Parque Industrial da Província de Maputo e é para onde projectos daquela dimensão deviam ser encaminhados. Enquanto que no local onde está a ser erguido funcionariam projectos habitacionais, de escritórios, de turismo e lazer entre outros.

E mais, não sei se a Circular de Maputo foi concebida para receber tráfego de camiões de carga. Em toda a sua extensão não vejo báscula para pesar a carga transportada pelos camiões.

Senhor Presidente da República, o Porto Seco proposto pela CTA e que o questionou em Eswatini apenas seria o segundo projecto a ser erguido na mesma zona, porque o outro que é quase mesma coisa já está a ganhar forma na Circular de Maputo.

Será que alguém está disponível para pôr ordem na Circular de Maputo, por favor?

Que Deus abençoe Moçambique!

 


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