Investimento no transporte público pode resolver problema da mobilidade urbana

Investimento no transporte público pode resolver problema da mobilidade urbana

O vereador da área dos transportes no Município de Maputo, João Matlombe, defende que o problema de mobilidade urbana só pode ser resolvido, não construindo mais estradas, mas sim com o investimento e melhoria do transporte público. Matlombe falava, esta segunda-feira, em Maputo, num workshop alusivo a semana da Mobilidade Sustentável.

Num momento em que aceder a cidade de Maputo tem sido difícil, devido ao congestionamento que se vive, principalmente no princípio e fim do dia, a cidade depara – se com maiores desafios em termos de movimentação de pessoas e bens no período supracitado.

Para resolver o problema, o Município de Maputo, em parceria com a UN-Habitat, Arquitectos sem fronteiras e o Conselho Municipal de Barcelona, tem levado acabo uma série medidas com vista a sensibilizar os munícipes a recorrer ao transporte público como alternativa às viaturas particulares.

Segundo o vereador dos transportes na cidade de Maputo, há uma série de transportes que são recomendados do ponto de vista de fluidez, de redução de emissão de gases e flexibilidade. Para responder a essa demanda, o Governo tem vindo a fazer esforços para o reforço da frota e melhoria da qualidade de serviço.

“Neste momento, em muitos corredores em muitos corredores já há condições para que as pessoas possam usar o meio de transporte público. As pessoas acabam usando o meio pessoal por questões de hábito. Mesmo assim, o nosso maior desafio é de elevar a consciência desses cidadãos a optarem pelo transporte público em detrimento de viaturas particulares”, disse João Matlombe, vereador da área dos transportes no Município de Maputo.

 João Matlombe reconhece que o nível de mobilidade urbana na cidade de Maputo ainda não atingiu níveis desejados, mas que já se estão a dar passos significativos, sobretudo com a introdução dos “metrobus”.

“Hoje temos dados bastante positivos. Com a introdução do projecto metrobus tivemos uma redução significativa de pessoas que usam viaturas particulares na linha Maputo – Matola. Com isso melhoramos o trânsito na N4. Também há redução no nível de consumo de combustível, reduzindo a importação de combustível e as emissões de gases”, sublinhou o vereador acrescentando que será na conferência internacional que a cidade de Maputo ira colher experiencia do Conselho Municipal de Barcelona, uma vez que o modelo de mobilidade aplicado na cidade de Maputo é similar e, sobretudo, de Nairobi que também possui um sistema de transporte alternativo semelhante ao da cidade de Maputo.

Questionado sobre a faixa exclusiva para transporte público, o vereador dos transportes da cidade de Maputo disse que esta a operar com sucesso. Aliás, ele acrescenta que: “nós melhoramos muito do ponto de vista de viagens. Nós estávamos a fazer cerca de 9 viagens por dia e com a introdução da faixa exclusiva conseguimos aumentar para cerca de 11 viagens por dia. Foi um desafio. Não conseguimos implementar nos dois sentidos devido às características da via e o estacionamento regular”.

Mesmo sem sucesso no sentido contrario, o município vai implementar, ainda este mês, vai ensaiar outra faixa da Praça dos Combatentes para Baixa por onde a via permite e já começou, inclusive, o processo de sinalização da via.

 “No contexto em que nós estamos nem vale a pena apostar muito em construção de estradas, mas maximizar o que nós temos priorizando o transporte público. Um país como nosso, não devemos pensar quem vamos resolver o problema de mobilidade com o aumento de estradas, mas sim com a melhoria dos transportes”, secundou o João Matlombe, vereador da área dos transportes no Município de Maputo.

Já Mathias Sapliviero, Oficial Sénior para Assentamentos Humanos em Moçambique, disse que a semana da mobilidade urbana reveste – se de muita importância uma vez que vai apoiar o município e o Governo no assunto da mobilidade urbana, pois “sabemos que numa cidade em que não se pode circular normalmente não é uma cidade eficiente, não permite fazer negócio nem criar desenvolvimento. Com muita experiência na área, esperamos dar a nossa assistência técnica ao município”.

Por seu turno, Chiara Tomaselli, representante da UN-Habitat, disse que Maputo está a enfrentar problemas na mobilidade pois todos os fluxos da área metropolitana de Maputo vem para o centro da cidade e este é um sitio que não pode absorver mais carros e os munícipes sentem na pele as consequências que isso traz, sobretudo nos seus descolamentos diários. O tempo que demoramos para sair de um ponto para o outro, mas também em termos económicos, neste caso o valor que gastamos para abastecer as viaturas.

“Nesta área metropolitana temos até agora 15% de pessoas que estão andar com um carro individual e a cidade já está completamente congestionada, mas todos nós estamos a espera de ter um carro particular por razões de conforto. Mas este modelo de cada comprar seu carro pessoal vai complicar a mobilidade urbana e, consequente, o número de horas que fazemos o troço Maputo – Matola vai aumentar”, explicou Chiara Tomaselli, representante da UN-Habitat.

De acordo com Tomaselli a solução para estes problemas passa por um investimento no transporte público e sensibilizar as pessoas sobre a importância de recorrer a este tipo de transporte.

“Num lado, temos que fazer uma advocacia para as pessoas começarem a entender que o transporte público é a solução, mas isso não vamos conseguir se não melhorarmos a disponibilidade e a qualidade do transporte público. Por outro lado devemos fazer o trabalho com as instituições para orientar a canalizar os investimentos na melhoria do transporte público”, salientou Chiara Tomaselli, representante da UN-Habitat.

A Semana da Mobilidade Sustentável vai culminar com a realização da conferência principal a ter lugar hoje, na cidade de Maputo e vai contar com a presença de representantes do Ministério dos Transportes e Comunicações, vereações dos transportes dos municípios de Maputo, Matola, Boane, distrito de Marracuene, sector privado, cooperações internacionais, Organizações Não Governamentais locais e internacionais e os doadores.

 

 


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