Londres faz pressão para que Filipe Nyusi acelere DDR

Londres faz pressão para que Filipe Nyusi acelere DDR

Os britânicos convidaram os líderes africanos para uma cimeira essencialmente de negócios, numa altura em que o Reino Unido busca novas parcerias, tendo em conta a sua saída da zona Euro.

Moçambique é uma das apostas, mas o executivo liderado por Boris Johnson quer garantia de paz.

Filipe Nyusi inaugurou o segundo mandato como Presidente da República escalando o Reino Unido, dois dias depois de ter tomado posse e consigo levava uma expectativa de reforço da cooperação bilateral entre os dois países, com o foco virado para o agronegócio em Moçambique – principal interesse dos britânicos.

“Foram anunciados alguns apoios. O Reino Unido tem um pacote que vai para todo o continente e disse claramente que Moçambique faz parte desse pacote, eles vão dar ajuda às pequenas e médias empresas e isso vai em sintonia com a nossa visão que apresentamos na tomada de posse, mas também comunicaram-nos o apoio que vão dar ao longo dos anos, de 40 milhões de libras para a agricultura”.

O anúncio até é confortável, mas ninguém investe num país sem segurança. “Eles estarão em Moçambique, mesmo para o caso de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR). Da conversa que tivemos aqui, estão à espera da realidade. Penso que teremos que falar rapidamente com a Renamo porque há uma impaciência dos que querem apoiar para poderem libertar os valores e apoiar a sua reintegração”, confirmou Filipe Nyusi, falando ontem em Londres numa conferência de imprensa aos jornalistas que cobriam a sua deslocação, e acrescentou que “tanto o Banco Mundial manifestou interesse, assim como o Governo britânico e mais outros países, em todo o lado onde temos estado, incluindo países africanos ou mesmo organizações internacionais”.

Os investimentos que o Reino Unido tenciona fazer em Moçambique dependem muito dos indicadores de segurança. “Não só segurança militar, como também os riscos financeiros”, clarificou o Presidente.  

Nesta nova era diplomática, Nyusi disse que vai buscar sempre o investimento estrangeiro para estimular o aumento de exportações, com uma perspectiva de transferência de tecnologia para acelerar a industrialização do país.

Para já, o Reino Unido está na 14ª posição na lista dos investidores directos estrangeiros em Moçambique. Espera-se que com a cimeira que se realizou em Londres mude por completo essa tendência.

Os empresários que fizeram parte da delegação que fez parte da comitiva presidencial também mostraram-se determinados a firmar parcerias que possam se traduzir num benefício recíproco. É o caso de Isabel Siabra que tem uma empresa que produz cana-de-açúcar e feijão e arroz, no distrito de Chókwè, província de Gaza. “Viemos à busca de parceria de financiamento”.

Durante o evento que decorreu esta terça-feira em Londres, o sector privado, sob cunho do presidente da agremiação, Agostinho Vuma, assinou um memorando com a Invest In África, uma instituição britânica que trabalha na promoção ligações entre os sectores de óleo e gás e a agricultura.


 


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