Lucro dos bancos cresceu 28 por cento

Lucro dos bancos cresceu 28 por cento

O sector bancário em Moçambique registou um desempenho sólido em 2018, comparativamente ao exercício do ano anterior. As perdas reduziram em 2.5 mil milhões de meticais, ao situarem-se nos 1.8 mil milhões de meticais.

Resultados da pesquisa sobre o sector bancário, divulgada esta semana pela KPMG Auditores e Consultores SA, em parceria com a Associação Moçambicana de Bancos (AMB) indicam que o desempenho dos 19 bancos activos no país, foi sólido no ano passado, com os lucros a aumentarem em 28%, ou seja, de 13.4 mil milhões de meticais em 2017, para cerca de 17.2 mil milhões de meticais no ano seguinte.

A contenção e racionalidade de custos, estabilidade da inflação, redução dos depósitos à prazo e margens de juro líquido elevadas, figuram entre os factores que influenciaram positivamente o desempenho do sector bancário em 2018.

Ainda no campo da rentabilidade, a pesquisa da KPMG e AMB, consultada pelo “O País Económico”, indica que o número de bancos com resultados negativos registou melhorias no passado face a 2017. Das 19 instituições analisadas, apenas cinco fecharam o ano de 2018 “no vermelho”, menos duas que no exercício anterior.

Société Générale Moçambique SA, First National Bank Moçambique SA (FNB), Banco Terra, Banco Mais SA e Moza Banco SA, são as cinco instituições que tiveram perdas no ano passado.

No global, o prejuízo dos bancos reduziu em 2.5 mil milhões de meticais, para 1.8 mil milhões de meticais em 2018. Esse registo, segundo a pesquisa, “é um indicador de que a rentabilidade do sector como um todo revelou mais solidez relativamente ao período anterior”.

No sentido inverso (lucros), importa salientar que, o Millennium bim foi o banco que mais facturou em 2018 (cerca de 6.3 mil milhões de meticais), seguido do Standard Bank com 5.5 mil milhões de meticais e Banco Comercial e de Investimentos (BCI) com mais de quatro mil milhões de meticais.

 

DEPÓSITOS E EMPRÉSTIMOS

O total de depósitos bancários cresceu 11% em 2018, ao passar de 374 mil milhões de meticais em 2017, para 416 mil milhões. Esta performance deveu-se ao crescimento da oferta monetária, num período em que a economia moçambicana cresceu apenas 3.5% e o Metical depreciou face ao Dólar norte-americano.

“O risco de concentração no sector bancário por causa da existência de alguns depositantes com valores significativos continuou a ser um problema para muitos dos intervenientes do sector bancário. Estes grandes depositantes, às vezes, exigem altas taxas de juro para os seus depósitos, o que, em alguns casos, resulta na desistência deste tipo de clientes por parte dos bancos. Este é um factor que geralmente cria problemas de liquidez”, alerta a pesquisa conjunta de 58 páginas, elaborada pela KPMG e AMB.

 

QUALIDADE DO CRÉDITO E EMPRÉSTIMOS

Devido à contração do Produto Interno Bruto e alto regime de juros que caracterizou os anos de 2016, 2017 e 2018, o documento realça que a qualidade do crédito se deteriorou em todos 19 bancos.

Concretamente, o credito vencido (crédito mal parado) do sector aumentou 16%, passando de 18.6 mil milhões de meticais em 2017, para 21.5 mil milhões de meticais no exercício do ano seguinte.

Já os empréstimos da banca registaram um aumento de oito mil milhões de meticais, para 257 mil milhões de meticais.

Entretanto, o rácio médio de empréstimos em relação aos depósitos diminuiu de 63% em 2017, para 57% em 2018. “Este decréscimo indica a mudança do sector no sentido de investimentos financeiros em Bilhetes de Tesouro e Obrigações de Tesouro, bem como a redução da apetência de empréstimos pelo mercado. Pode ser igualmente interpretado, como a falta de crédito de qualidade”, aponta a pesquisa.

Ainda nessa vertente, o BCI e Millennium bim reduziram o tamanho das suas carteiras de créditos em 3.7 mil milhões de meticais e 11.4 mil milhões de meticais, respectivamente.

 

RÁCIO DE SOLVABILIDADE

O rácio de solvabilidade (indicador que traduz a capacidade de uma empresa em pagar os seus compromissos ou capital social) dos bancos situou-se nos 26% em 2018, muito acima do nível recomendado pelo Banco de Moçambique (12%). Em 2017, este indicador ficou-se nos 21%.

Em relação aos três principais bancos, nomeadamente, BCI, bim e Standard Bank, o rácio médio de solvabilidade foi de 25,13% em 2018, contra 19,19% no ano passado. Esse aumento, segundo a KPMG e a Associação Moçambicana de Bancos terá sido influenciado pela redução na carteira de empréstimos.

Recorda-se, que em 2017, o Banco Central introduziu novas regras no mercado, que estabelecem um aumento no capital mínimo dos bancos para 1.7 mil milhões de meticais em 2020. Para o exercício de 2018, o capital social e o mínimo exigido foi de 570 milhões de meticais e 1.14 mil milhões de meticais para este ano (2019).


NEGÓCIO DOS BANCOS MAIS CARO

Conclusões da pesquisa sobre o sector bancário indicam, contudo, que apesar do bom desempenho da banca em 2018, o sistema enfrenta um alto custo no seu negócio. O aumento da monitoria do Banco Central obrigou as instituições financeiras a reforçar os seus departamentos de compliance e risco do sector.

No ano passado, o regulador do sistema financeiro multou um total de 15 bancos devido a vários atropelos às regras, com destaque contra o branqueamento de capitais.

 

 


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