Mahamba prepara Negócios da guerra

Mahamba prepara Negócios da guerra

O grupo teatral Mahamba vai estrear, ainda este semestre, um novo espectáculo, intitulado Negócios da guerra. Ainda sem data e local de apresentação ao público, a peça teatral é uma espécie de continuação de uma outra do mesmo grupo: Culpado? combati um bom combate, pois os actores sentiram a necessidade de tecer um certo complemento da história contada naquela obra.

 

Assim, o novo espectáculo de Mahamba vai mergulhar os espectadores em contextos movidos pela guerra, vai questionar ou problematizar a origem da riqueza de um certo personagem, tocando em negócios de diamantes, desvendando interesses ocultos que mexem com o controlo de minas e subornos.

 

O espectáculo está a ser preparado para ter cerca de 50 minutos, segundo o texto de Dadivo José, mas ainda é prematuro saber-se quanto tempo terá exactamente, afinal os ensaios vão começar dentro de poucos dias, pois, um dos actores, Horácio Guiamba, está ainda numa temporada com Gungu.  Além de Horácio Guiamba, integram no espectáculo mais dois actores: Dadivo José e Milsa Hussene.

 

Inicialmente, a encenação do espectáculo Negócios da guerra foi confiada a Maria Atália, mas, por se encontrar a fazer uns trabalhos na China, a artista não vai poder participar na produção da peça nessa condição. Assim, abre-se a possibilidade de o encenador ser Elliot Alex e/ou Venâncio Calisto.

 

 

 

TEATRO TRIUNFA EM 2018

Para Mahamba, e Dadivo José em particular: “2018 foi positivo, marcado por uma estreia em jeito de monólogo ‘microfone quebrado’, peça escrita e encenada por mim, interpretada por Fernando Macamo, estudante finalista de curso de teatro na ECA. Ainda em 2018, Mahamba esteve envolvido numa digressão pela Europa e África do Sul, cimentando as parcerias e perspectivas teatrais de outras paragens. Em finais de Setembro, mais uma actuação no festival internacional Botho, em Durban, com a velha conhecida peça teatral Culpado? Combati um bom combate”.

 

Diante dos feitos apontados, Dadivo José ficou com boa impressão do ano passado, no qual o seu grupo conseguiu envolver-se com as comunidades, actuando nas escolas, aonde levou educação rodoviária, ferroviária (em parceria com a Metrobus). De igual maneira, Mahamba levou mensagens relacionadas com a prevenção da malária, na Zambézia, cidade e província de Maputo. E para o país em geral, houve produtividade teatral? “Sinto que apesar das ‘mesmices’, assistimos um movimento jovem muito forte. Há ‘crianças’ fazendo um bom teatro. Exemplo de Venâncio Calisto, um jovem recém-graduado da ECA que vai trilhando já o seu caminho. O Festival de Inverno continua sendo o espaço privilegiado para os grupos amadores. Espaços como Fundação Fernando Leite Couto e Centro Cultural Brasil-Moçambique vão disfarçando a falta de espaços, ou ausência de uma programação séria e alguns teatros renomados”.

Referindo-se ao envolvimento do Ministério da Cultura e Turismo na causa dos actores, Dadivo José entende que aquela instituição já faz bem em criar condições para que o actor seja reconhecido como entidade artística local. “Entretanto vejo com alguma tristeza, alguns espaços comunitários nos bairros que dariam bons centros culturais e dinamizadores de teatro. Se o ministério quiser, estaremos muito interessados em contribuir com um movimento de revitalização de espaços comunitários locais para que o teatro seja uma festa popular, a imagem do que faz o grupo Makweru com o Festival Kupanda”, garantiu o artista, defendendo que a criação da AMOTE, a primeira associação teatral no país, constitui um dos maiores marcos do ano passado. Paralelamente a esse feito, “contribuiu para que o ano teatral fosse bom a grande produção da ECA, Mwango e Mwanga. Também gostei do espetáculo À espera de Godot, protagonizado por dois finalistas da ECA, Castigo e Fernando”.

 

 

O QUE SE DEVE ESPERAR DO TEATRO NOS PRÓXIMOS MESES

Para que o teatro moçambicano continue trilhando o seu percurso rumo ao sucesso, Dadivo José sugere que, neste 2019, os actores passem a explorar espaços que aparentemente não são propícios para a prática teatral. “No fim do dia vamos descobrir que temos tudo que precisamos: talento e obras”. E o actor acrescenta: “Trabalhar com profissionalismo, dedicação, rigor e fazer a crítica sem medo de ferir suscetibilidades. Abandonar o hábito de não tocar em velhas raposas, para promover um diálogo são entre a velha e nova geração. Aproveitar a associação AMOTE e os poucos festivais que temos para ensaiar a venda do produto. Para isso há que estabelecer uma relação muito forte com as escolas secundárias e quaisquer outros centros de concentração juvenil”.

 

O que não deve acontecer este ano, para o actor do grupo Mahamba e que não se justifica, é a péssima qualidade de alguns renomados. “Não justifica que anos depois continuemos a ver as mesmas tendências e sem crescimento qualitativo. Porque não criarmos bem para depois revindicarmos espaços e financiamentos? Outra questão, quem devia financiar tem a noção do que faz? Significa que alguma coisa está errada nos nossos consumidores. Precisamos de colocar o consumidor em posição privilegiada de escolha. Só assim saberá o que é bom e o que é ruim, que, vezes sem conta, é impingido a gostar sem saber”.

 

À parte o envolvimento governamental, Dadivo considera que o sector privado deve acreditar que o teatro pode ser uma boa propaganda para os seus produtos ou serviços. E porque o teatro moçambicano é muito urbano, em que poucos conseguem sair da sua cidade para outras do país, o artista vê um perigo: juventude contaminada pelo álcool nos subúrbios.

 

 


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