Mais de três mil hectares de florestas serão plantados na Zambézia

Mais de três mil hectares de florestas serão plantados na Zambézia

Até 2020, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS) vais fomentar o plantio de cerca de três mil hectares de florestas comerciais na Zambézia. O projecto visa dinamizar a indústria florestal comercial no país e, ao mesmo tempo, criar condições para a restauração de áreas degradadas.

O FNDS diz que o fomento do plantio de florestas comerciais, através do Esquema de Fomento Florestal, faz parte do Projecto de Investimento Florestal de Moçambique, abreviadamente conhecido por Mozfip. Até ao final da campanha 2019/20, o projecto já contabilizava cerca de 650 hectares de florestas plantados, numa iniciativa que abrange beneficiários locais, bastando para tal apresentarem um DUAT de uma área livre de pelo menos cinco hectares.

Trata-se de uma iniciativa cujo objectivo é criar uma dinâmica na indústria florestal na perspectiva comercial e ao mesmo tempo promovendo a restauração de áreas degradadas. O projecto abrange investidores de todas as classes sociais, desde grandes, medias e pequenas empresas, investidores individuais de renda média, associações, grupos de mulheres até jovens desde que sejam elegíveis para o Esquema.

Nesta fase piloto, o projecto está a ser implementado apenas em sete distritos da Zambézia, nomeadamente Mocuba, Alto Molocue, Ile, Gurue, Namarroi, Milange e Lugela. A ideia é que se a experiência der certo, o mesmo seja replicado em outras províncias com maior potencial florestal e tornar o Esquema em política pública nacional.

A ideia do Governo é criar uma cultura de plantio florestal nas comunidades mostrando-lhes que é possível fazer dinheiro através desta actividade. Nesta fase, o Esquema de Fomento Florestal paga uma subvenção pelo desempenho aos beneficiários que varia de 45 mil meticais por hectare quando a espécie plantada for exótica e 60 mil meticais quando é nativa. Espécies exóticas podem ser eucaliptos, acácias, pinheiros, entre outras e estas geralmente são de ciclo de rotação curta. Espécies nativas são chanfutas, umbilas, mbawas, entre outras que levam muito tempo para o beneficiário fazer o abate para a comercialização.

Ao mesmo tempo, os beneficiários que entram para o Esquema são incentivados a fazer actividades de restauração de áreas degradadas, equivalentes a 10 porcento das suas áreas contratadas.

Na verdade, com esta iniciativa, além dos beneficiários estarem a fazer dinheiro, estão a contribuir na captura de carbono, criando condições para o bem-estar ambiental através do melhoramento do clima, ou seja, contribuindo desta forma para o combate ao problema global das mudanças climáticas.

“Neste momento, Moçambique perde anualmente cerca de 212,000 hectares de florestas, principalmente devido ao desmatamento, exploração ilegal das árvores e agricultura itinerante. Grande parte dos camponeses deste País tem uma tendência muito forte de nomadismo. Ou melhor, quando trabalham numa área em algum momento acham que já perdeu a capacidade produtiva e passam para outra. Quando chegam na nova a tendência é sempre de abater as árvores que lá existem para a prática de agricultura”, explicou Faruk Tavares, do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável, na Zambézia.

Tavares acrescentou ainda que o objectivo do Governo é até 2026, reduzir em 40 por cento a taxa de desmatamento em Moçambique, através da estratégia do Reed mais, onde se enquadra o Projecto de Investimento Florestal de Moçambique.

Até ao final da fase piloto do projecto, a ideia é que sejam identificados cem beneficiários para fazerem um total de três mil hectares de florestas comerciais e quinhentos hectares de restauração. No rol dos comentários, 30 porcento devem ser mulheres, no quando de inclusão.

No distrito de Alto Molócuè, por exemplo, encontramos um grupo de mulheres, numa remota comunidade de Nathelaca. Sem muitos recursos, elas decidiram abraçar o Esquema de Fomento Florestal com objectivo de plantar eucalipto para venda de madeira e lenha. As senhoras, grande parte delas já em idade avançada, contaram ao Jornal O País que uma das grandes motivações para adesão ao projecto foi o problema de desmatamento que a sua comunidade enfrenta.

Vitoria Duarte é disso testemunha. Diz que antigamente era tudo mato, com muitas árvores paradas. Mas hoje é apenas uma recordação. Nem se quer conseguem ter estacas para a construção das suas casas. “Estamos a sofrer aqui. Nossos maridos são forçados a percorrerem longas distâncias para aquisição de estacas. Mesmo lenha para cozinhar é um problema”, lamenta a anciã que preside 14 mulheres que estão dentro do Esquema.

Para já, o grupo recebeu a primeira tranche da subvenção paga pelo desempenho. Ana Paula Reis, da NIRAS, empresa finlandesa contratada para a implementação do projecto disse no momento da avaliação do desempenho, este grupo de mulheres apresentava 95 por cento de sobrevivência da sua plantação que somava 13 hectares. Alias, Ana Paula explicou que as mulher têm tido melhores resultados neste projecto.

Este grupo é apenas um exemplo de tantos outros beneficiários do Esquema de Fomento Florestal que estão a se beneficiar da iniciativa do FNDS, financiado pelo Banco Mundial, num investimento de cerca de 47 milhões de dólares para as várias componentes do MozFIP.

Armando Muzeia, beneficiário do Esquema de Fomento Florestal, disse: “entrei no projecto com objectivo de plantar eucalipto em uma área de 20 hectares. No final desta campanha tinha conseguido plantar 17 hectares e quando me foi avaliado tinha 95 por cento de sobrevivência. Na verdade, o meu grande interesse era mesmo pelo ambiente, restaurar a paisagem da minha comunidade porque sofreu muito pelo desmatamento pela simples vontade de algumas pessoas em caçar ratos. Quando aderi ao Esquema nem se quer sabia que havia pagamento pelo desempenho”.

Vitoria Duarte, também beneficiária do mesmo programa, disse que há “um problema muito sério” na sua comunidade. “Já não há arvores. Tudo foi abatido. Neste momento, para apanhar lenha a pessoa tem de percorrer longas distâncias. Nossas casas estão de qualquer maneira por falta de estacas. Por isso que logo que tivemos conhecimento do projecto não vacilamos. O nosso principal objectivo é vender lenha e madeira. Neste momento, temos 13 hectares plantados, mas na próxima campanha vamos aumentar mais dez”.

 


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