Mal de um, mal de todos

Palavras sem algemas

São inúmeras as lições de contos populares que moralizam sobre a importância de nos solidarizarmos com os pro¬blemas dos outros por puro altruísmo. As voltas que o mundo dá provam que muitos dos tropeços da vida são consequência da perspectiva individual de viver a vida.

O país está às cambalhotas. Assiste-se a um coktail de males que ainda sabe bem na ingenuidade de al-guns paladares pouco apurados. Gente inocente que reconhece o sabor amargo, mas desconhece as razões e acredita que a receita se mantém genuína. Um es¬tado de sonambulismo que será duramente quebrado com a pancada da vida quando nada mais houver para beber.

É mesmo assim. O individualismo excessivo, com uma dose de ignorância à mistura, leva algumas pes-soas a pensar que a crise económica em que o país está mergulhado é problemas dos outros, mesmo quando no dia-a-dia sentem que o custo de vida elevado esvazia os bolsos num sopro.

Os dados são tenebrosos. O Investimento Directo Estrangeiro reduziu para níveis de há 15 anos, ao sair dos 7.1 biliões de dólares americanos em 2014 para 1.3 em 2015, segundo revelou o ministro da Econo-mia e Finanças, Adriano Maleiane, que prima pela transparência quando atin¬ge o limite da tolerância da compreensão da omissão. Mas, ainda que apresentada aos bocados, montado o puzzle, a imagem que se vislumbra é triste. Por um lado, é a dívida pública que está próxima da insustentabilidade e sufoca as contas do Governo, colocando a Autoridade Tributária a aplicar mão dura às empresas numa busca desesperada de receitas. Por outro, é a actividade económica que está a abrandar, a factura¬ção das empresas a reduzir, os preços de quase todos os produtos a subir, a tensão político-militar a inibir e/ ou travar a actividade económica, pessoas a perde¬rem emprego e outras sem esperança de o conseguir.

E para amargar mais a vida, a seca que assola a re¬gião Sul e as chuvas no Centro e Norte do país afectam a produção agrícola, dizi¬mam vidas humanas e de animais, levando famílias a migrarem à busca da sobrevivência.

Com tudo isto, há quem acredita que o problema ainda é dos outros. Para este nível de ignorância, cuja cura é a pancada directa, só o Governo pode evitar, salvando o país da queda no precipício.
Moçambique merece sonhar com dias mais color idos , s enhore s governantes.

 


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