Mbate Pedro conversa sobre “Literatura e tecnologia” em Luanda

Mbate Pedro conversa sobre “Literatura e tecnologia” em Luanda

Mbate Pedro volta a participar num encontro literário no estrangeiro. Quinta-feira, entre 18h e 20h, o poeta e editor da Cavalo do Mar vai conversar sobre “Livro e tecnologia” na segunda edição do Festival Luso-Afro-Brasileiro (FESTLAB), em Luanda (Angola).

Tal como o nome do festival sugere, este é um evento que junta autores africanos, europeus e brasileiros para, no caso do painel do artista moçambicano, discutir: (i) a criação de uma rede de agentes culturais e recursos electrónicos literários na CPLP; (ii) tecnologia como aliada aos meios tradicionais de criação literária contemporânea e (iii) novas perspectivas de difusão literária.

Mesmo sem ser a primeira vez que Mbate Pedro vai participar numa sessão de género, longe disso, o autor de Vácuos está expectante porque, como tem dito, faltam encontros com escritores e académicos em África. Conforme explica o poeta, é mais fácil encontrar-se com outros autores africanos em Portugal ou no Brasil do que num país africano. Aliás, este será o primeiro encontro de Mbate Pedro com escritores de língua portuguesa num país africano que não seja o seu.

Mbate acredita que o FESTLAB será uma oportunidade de os participantes pensarem na circulação do livro e no mercado editorial ainda contraído. “No meu caso, por exemplo, interessa-me saber o que Angola e Cabo Verde estão a fazer para formar novos leitores. Estava a faltar esta coisa de festivais serem mais inclusivos ao nível do nosso continente. Uma literatura que se quer saudável deve ter este tipo de encontros”.

A partir das discussões no FESTLAB, o poeta prevê que autores dos países envolvidos e as suas obras possam ser mais conhecidas a nível continental. Aliado a isso... “é possível que o festival influencie a criação de desenho de política de livros mais a ver com a realidade africana. E, não menos importante, pode ser que Portugal e Brasil prestem mais atenção para a literatura feita África”.

Não obstante, o editor da Cavalo do Mar é a favor de um incentivo às editoras que teima em não surgir. Mbate entende que, se o Ministério da Cultura e Turismo quiser que os autores moçambicanos sejam conhecidos em Angola ou Brasil deve criar incentivos financeiros para as editoras estrangeiras concorrerem para publicar obras nacionais nos países onde se encontram, como acontece em outras realidades.  

Enquanto o incentivo literário ministerial não aparece, Mbate conta que os autores nacionais vão fazendo o que podem de modo a divulgarem novos talentos. Nesse aspecto, “Ungulani Ba Ka Khosa desempenha um papel importante, quando está fora do país. Ele sempre fala de novos autores, tem levado nossos livros sempre que possível e tem influenciado ao nosso favor como Secretário-Geral da AEMO. A maneira como Ungulani fala de nós em festivais literários no estrangeiro ajuda-nos muito na inserção”.

O FESTLAB decorre de 15 a 18 deste mês, com o lema “Fazer, falar, viver”.

Três países numa mesa

Dois autores vão conversar com Mbate Pedro na mesa literária “Livro e tecnologia” na capital angolana. São os casos de Felipe Fortuna e Orlando Piedade. O primeiro é brasileiro. É poeta, ensaísta, diplomata e mestre em Literatura Brasileira. Tem 15 livros publicados. O segundo orador do painel de Mbate Pedro é são-tomense. É prémio literário Francisco José Tenreiro 2015. O último romance de Piedade narra a história de crianças judias enviadas, em 1493, para povoar São Tomé e Príncipe.

Sobre Mbate Pedro já se sabe. É poeta e editor da Cavalo do Mar. Com Debaixo do Silêncio que Arde foi distinguido com o Prémio BCI (para o melhor livro do ano publicado em Moçambique) e com uma menção honrosa do Prémio Glória de Sant’Anna (Portugal).

O FESTLAB é organizado pelo Centro Cultural Brasil-Angola e pela Embaixada do Brasil em Luanda. O festival tem a curadoria de José Luís Mendonça e Nídia Klein.  

O principal objetivo da segunda edição do festival, que, ano passado, contou com a participação de Ungulani Ba Ka Khosa, é o de celebrar a Língua Portuguesa em suas variantes, por meio de debates com especialistas, escritores e público em geral sobre questões lusófonas actuais.

 

 

 


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