"Menção honrosa é resultado do trabalho em grupo"

Pio "Lingras" Matos diz que menção honrosa que recebeu da FIBA-África na distinção dos melhores basquetebolistas africanos da última década é resultado do trabalho de equipa na selecção nacional e clubes.


De Quelimane-onde fintou o futebol para abraçar  o basquetebol-,   para os grandes palcos de África. De África, com jogadas de encher o olho, para o mundo que até hoje se tem contemplado com a melhor jogada da primeira janela de qualificação para o Mundial.
Um trajecto notável de um basquetebolista que, mesmo com reconhecimento da Federação Internacional de Basquetebol para África, Fiba-África como um dos atletas que marcou a última década, não perde de vista a humildade. Muito pelo contrário: colectivo deve, advoga, estar acima de tudo.

Estar entre os melhores não é mera sorte. É um trabalho árduo de quem, muito cedo, abandonou as suas raízes e instalou-se na capital onde a palavra de ordem era impor-se com o seu enorme potencial.

O céu e o limite. E a Liga Africana de Basquetebol (BAL), prova na qual o Ferroviário de Maputo vai disputar a divisão Nilo, pode ser a porta para chegar ao olimpo de África.

Recentemente, Pio Matos recebeu uma menção honrosa da equipa editorial da FIBA-África na distinção dos melhores basquetebolistas africanos da última década (2010-2020) divulgada em duas partes. Qual o seu sentimento pelo reconhecimento do seu trabalho?
Primeiro, dizer que esta menção honrosa não é apenas minha. Faz parte de um grupo de atletas e jogadores, nomeadamente o meu irmão Augusto Matos, David Canivete, Custódio Muchate, Octávio Magoliço, entre outros, portanto, que vieram comigo desde 2009 quando me estreei na selecção nacional da qual faço parte. Dizer que é um grupo que trabalhou muito. Lutamos em conjunto. Lutamos sempre. Este prémio também é deles.  Saiu o meu nome mas podia ter sido de outro colega.


A FIBA-África refere, no seu sítio, ter constado vários jogadores tão bons que poderiam aparecer nesta lista e, Pio Matos, é um deles que acabou por merecer menção honrosa. O que isso lhe diz?

Diz que, para um menino de Quelimane, é uma conquista enorme. É fruto de muito trabalho e sacrifício. Muitos dias de treinos. É abdicar de muitas coisas, muitas noites e festas. O mais importante é trabalhar com perseverança. O mais importante é querer e acreditar que podemos fazer mais e mais. Acima de tudo, é uma grande responsabilidade. Sabemos que o nosso país não investe tanto no desporto, no geral, e basquetebol, em particular. Mas, pouco a pouco, vamos melhorando as coisas.

Neste momento, as actividades desportivas, no geral, e o basquetebol, em particular, continuam suspensas devido à pandemia do novo coronavírus. O que podemos esperar de Pio Matos no novo normal, ou seja, pós pandemia da Covid-19?

Eu acredito que vamos continuar a ter o mesmo Pio Matos de sempre. Um Pio Matos sempre a trabalhar e lutar por todos os títulos possíveis. Não penso em prémios individuais porque os mesmos vem com tempo e trabalho de grupo. As escolhas são individuais, por exemplo, mas eu penso que o colectivo é mais importante. Eu tenho um sonho que passa por ganhar um título com a selecção nacional. Espero concretizar este sonho.

O Ferroviário de Maputo ficou integrado na Divisão Nilo da edicao de estreia da Liga Africana de Basquetebol (BAL), juntamente com Union Monastir da Tunísia,  Rivers Hoopers da Nigéria, Patriots do Ruanda, Zamalek do Egipto e FAP dos Camarões. Quais são as suas ambições nesta competição organizada conjuntamente pela FIBA e NBA?  
Ganhar. E também acho que o clube Ferroviário de Maputo não vai entrar para uma prova sem pensar em ganhar. Sabemos que é possível, sabemos que é complicado. Vem jogadores de outros países, mas nos também temos as nossas armas. Vamos trabalhar para isso. Estar no pódio seria muito bom.

Em 2011, Pio Matos disputou, pela primeira vez com os seus irmãos, o Campeonato Africano de Basquetebol no Madagáscar. No mesmo ano, conquistaram a medalha de prata nos Jogos Africanos de Maputo. Acredita ser possível voltar a ter os três irmãos na selecção nacional?
Eu acredito que não. O Amarildo Matos, o mais velho, está nesta altura com 38 anos. Com o Augusto Matos, penso que ainda podemos partilhar os balneários da selecção nacional. É só continuarmos a trabalhar bastante como o temos feito. E, acima de tudo, não termos lesões graves.

 

Matos entre os melhores

Para além de Pio “Lingras” Matos, a FIBA-África distinguiu com menção honrosa Armando Costa, base angolano que classifica como "um armador experiente que ajudou seu clube Primeiro D'Agosto a conquistar cinco títulos na Taça dos Clubes Campeões de África", Omar Abada (Tunísia) que depois de brilhar no Mundial sub-19, em 2011, na Lituânia, e fazer sua estreia com a equipa sénior do "Afrobasket" 2015, transformou-se no armador principal do seu país e com um futuro brilhante pela frente. Mais: Jeremy Nzeulie (Camarões), um defensor agressivo e um jogador ofensivo sem medo. A FIBA diz que Nzeulie "tem sido o homem-chave dos Camarões. E se ele se juntasse a seus colegas camaroneses da NBA, Pascal Siakam e Joel Embiid, podem colocar o país num outro patamar na modalidade" e  Abdelhakim Zouita (Marrocos), um jogador  versátil e atlético,  que  tem sido fenomenal para  Association Sportive de Sale que conquistou o seu primeiro título continental em 2017, ano em que foi considerado MVP. Constam ainda da lista Maurice Ndour (Senegal), Mourad El Mabrouk (Tunísia), Placide Nakidjim (Chade), Max Kouguere (República Centro-Africana), Ivan Almeida (Cabo Verde), Ibrahim Djambo (Mali), Assem Marei e Ibrahim El Gammal (Egipto), Herve Kabasele (República Democrática do Congo), Pio Matos (Moçambique), Kenneth Gasana (Ruanda), Robinson Opong e Stanley Ocitti (ambos de Uganda) e Pieter Prinsloo (África do Sul).

Omar Abada (Tunísia) : Depois de estrelar a Copa do Mundo de Basquete FIBA Sub-19 2011 na Lituânia e fazer sua estréia com a equipe sênior do AfroBasket 2015 da FIBA, Abada se tornou o armador número um da Tunísia com um futuro brilhante pela frente.

Jeremy Nzeulie (Camarões): Defensor agressivo e um jogador ofensivo sem medo, Nzeulie tem sido o homem-chave dos Camarões. E se ele se juntasse a seus colegas camaroneses da NBA Pascal Siakam e Joel Embiid, essa é uma das perguntas mais respondidas no basquete africano.

Abdelhakim Zouita (Marrocos): Versátil e altamente atlético, Zouita tem sido fenomenal para Marrocos. Tanto que levou sua Association Sportive de Sale ao seu primeiro título continental em 2017, quando ele ganhou o prêmio de MVP.

Outros incluem Maurice Ndour (Senegal), Mourad El Mabrouk (Tunísia), Placide Nakidjim (Chade), Max Kouguere (República Centro-Africana), Ivan Almeida (Cabo Verde), Ibrahim Djambo (Mali), Assem Marei e Ibrahim El Gammal (ambos). do Egito), Herve Kabasele (República Democrática do Congo), Pio Matos (Moçambique), Kenneth Gasana (Ruanda), Robinson Opong e Stanley Ocitti (ambos de Uganda) e Pieter Prinsloo (África do Sul).

 

 

 

 

 

 

 

 


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