Michel William e o plano de uma vida

Michel William e o plano de uma vida

Um homem de muitas artes. É músico, compositor, realizador, ilustrador e designer freelancer. Chama-se Michel William e tudo o que faz aprendeu sozinho e com a ajuda da internet. O artista moçambicano, agora residente em Portugal, começou a tocar aos 12 anos de idade, quando uma prima o emprestou um teclado. Quatro anos depois, começou  tocar num bar, na cidade de Maputo. Já adulto, partiu de Moçambique para Portugal, com a mulher portuguesa que conheceu em Maputo e o filho, quando a crise económica e financeira afectou o país. Ano passado, o artista moçambicano lançou o seu álbum de estreia, uma fusão de estilos com destaque para o reggae, funk, ska, blues e, claro, marrabenta. Com o disco intitulado I’ve got a plan (Eu tenho um plano), Michel William pretende, essencialmente, transmitir uma mensagem de paz e amor. Na entrevista que se segue, o músico fala do seu percurso artístico, do que a música representa para si e do que o move.

É autor de I’ve got a plan, um disco com 11 temas. Que plano é esse que o Michel tem?

O plano é levar-nos para um estado de espírito e forma de pensar, onde, antes de qualquer preconceito, possamos partilhar a nossa essência de coração aberto e dar abertura à igualdade, ao respeito pela mãe-terra, aos direitos humanos e pôr um basta naquilo que não faz sentido existir mais na sociedade em que vivemos. Por exemplo, as guerras, a fome, a falta de informação e educação. Portanto, o plano é partilhar a paz e o amor.
 
Como é que este álbum, aparentemente altruísta, acontece?
Foi graças a uma campanha de crowdfunding, neste caso, aos crowdfunders, que acreditaram e apoiaram o projecto, que este álbum hoje está materializado e partilhado com o mundo. É com o desejo de contribuir para um mundo melhor e mais positivo que este álbum acontece. É importante realçar que parte das músicas deste álbum são viradas para um apelo a um olhar no interior. Existem factores externos que nos podem condicionar na sociedade em que vivemos hoje. Mas o foco é para percebermos que a paz não começa em nada que nos é externo, mas sim dentro de cada um de nós. O homem é um ser interdependente e nós estamos aqui de passagem. No fundo do nosso âmago reside o nosso desejo, paz, amor e tudo isto pode ser reflectido nas nossas ações, interações e na forma como deixamos o mundo à nossa volta. No fundo é com o desejo de que cada um de nós contribua para um mundo melhor que este álbum acontece.


O plano que tem ou que é aludido no título do seu CD tem alguma coisa a ver com Moçambique, seu país, ou com Portugal, país que lhe acolheu, ou tudo resume-se à música?
Moçambique, de forma directa ou indirecta, é a raiz do plano, pois foi aí que a inspiração  começou para abordar o tema do álbum. Por isso, sim, tem a ver com Moçambique e com o mundo. Eu adoro o meu país, as pessoas, a nossa forma de ser, conviver e de estar. Tenho noção de que o desafio de trazer a igualdade, educação e saúde para todos não acontecerá da noite para o dia. Sinto que é com a mudança de consciência e um profundo bem-querer para cada um de nós e do próximo que os maiores desafios, que são tão básicos, podem ser postos de lado. A desigualdade existe no nosso país, mas também existe nos outros países do mundo. A fome, a falta de saúde pública, da educação, entre outros desafios, comecei por ver no meu país, mas quando decidi olhar para fora e perceber a interdependência que existe neste planeta, fez-se luz. Não sou político e nem tenho pretensões nesse ramo, mas no plano para nos levar a um patamar equilibrado que para muitos é utópico. Não se exclui ninguém. Juntos vamos mais longe e mais seguros. Portanto, não é apenas pela música que canto e o plano tem a ver com Moçambique e com o mundo.


Como está a ser para si fazer música em Portugal?
A experiência de fazer música em Portugal é boa e gratificante, visto que a abertura para a arte é grande. Como em qualquer parte do mundo, a música em específico tem várias facetas e também é uma indústria que, por isso, requer bastante trabalho e persistência. E em Portugal não é diferente. Há que se expor, dar a conhecer e partilhar a nossa arte.
 
I’ve got a plan é um álbum de 2019. Portanto, ainda é novo. Que horizontes gostaria que o disco ampliasse?
Um dos sonhos que tenho neste momento é dar a volta ao mundo, apresentando o álbum numa tour. Neste momento estamos em processo de brainstorming e pesquisa para encontrar as melhores maneiras para o poder realizar.
 
Para quando concertos em Moçambique?
Provavelmente Abril ou Maio, mas anunciaremos as datas nas redes sociais brevemente.
 
Tem a pretensão ou sente-se na responsabilidade de representar a arte e cultura moçambicanas em Portugal?
Sim, de certa forma carrego alguns dos elementos da arte e cultura moçambicanas na música que faço. Mais concretamente a marrabenta. Mas devo acrescentar que tenho noção que a nossa cultura é muito vasta e diversa. Por isso sei que não consigo representar tanta diversidade sozinho e no estilo que faço. Mas, sim, quero poder, através da minha arte e identidade, mostrar mais uma faceta que Moçambique possui.
 
 
O Michel participou em alguns programas de entretenimento em Portugal. Por exemplo, The Voice e Got Tallent. Boa prestação! Como descreve a sua participação nesses eventos e que impacto tiveram para si?
A minha participação no The Voice e Got Tallent  foram experiências fora da minha zona de conforto pelas suas características competitivas. Mas foram boas lições e chaves para outras portas e oportunidades pela visibilidade que me deram.
 
 
O que significa cantar e tocar para si?
Significa liberdade para expressar o que não consigo falar. Desde que comecei a tocar foi sempre uma forma de canalizar os sentimentos que me eram difíceis de expressar oralmente.

 


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