Moçambicanos detidos na RDC e autoridades não conseguem extraditá-los

Moçambicanos detidos na RDC e autoridades não conseguem extraditá-los

Doze moçambicanos encontram detidos na República Democrática do Congo (RDC), supostamente porque pertencem a grupos armados que promovem ataques naquele país e em Moçambique, confirmou o comandante-geral da Polícia.

Desde Outubro de 2017, alguns distritos da província de Cabo Delgado têm sido palco de ataques armados promovidos por pessoas ainda não identificadas. As razões são igualmente desconhecidas.

A RDC é palco de conflitos por conta de rivalidades étnicas e também pela disputa por recursos naturais, há mais de duas décadas. Sobre a detenção dos 12 compatriotas na RDC, o comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, afirmou, esta terça-feira, num comício na província de Nampula, que se trata de jovens alegadamente aliciados por membros de grupos armados para se deslocarem àquele país com a promessa de continuarem os estudos.

A informação foi veiculada pela Rádio Moçambique e por vários outros órgãos de comunicação, incluindo sites da Internet, que citam o comandante-geral da PRM como tendo dito que as autoridades moçambicanas enfrentam dificuldades para extraditarem os 12 jovens para Moçambique, o que seria útil no esclarecimento dos ataques que ocorrem no norte.

A detenção dos visados é tornada pública dias depois de um site da Internet, se acredita estar associado ao Estado Islâmico, ter difundido um comunicado através do qual uma filial do grupo, na África Oriental, reivindicou a morte de um número indeterminado de militares moçambicanos em confrontos em Cabo Delgado.

Sobre os ataques em Cabo Delgado, Bernardino Rafael, foi mais longe ao declarar que os promotores são oriundos da RDC. É lá onde os treinos acontecem.

Os atacantes “saíram da República Democrática do Congo, onde se encontravam em algumas mesquitas e em regiões ricas em diamantes”, para Moçambique. Desse grupo, os líderes sempre viveram da exploração de recursos naturais e tentaram entrar no país para recrutar gente para ser treinada na RDC, disse o agente da lei e ordem.

Aliás, nesta segunda-feira, a Polícia apresentou à população de Memba, em Nampula, um suposto recrutador de membros que integram o grupo de insurgentes que aterrorizam Cabo Delgado. O visado tem 34 anos de idade.

Em comício popular, Bernardino disse que o suspiro teria recrutado 150 pessoas para o grupo de malfeitores e em sua posse trazia algumas pedras semi-preciosas, cannabis sativa, cartões de eleitor e instrumentos contundentes.

“Estamos preocupados porque os jovens, aqueles que deve produzir são enganados, são recrutados para engrossar as fileiras dos criminosos que estão a actuar na província de Cabo delgado. Todos os dias encontramos, capturamos jovens a serem recrutados, sobretudo do distrito de Memba”, disse o agente da lei e ordem.

Recorde-se que, há dias, o comandante-geral da Polícia acusou os garimpeiros de rubis, em Namanhumbiri, distrito de Montepuez, de serem os cabecilhas dos insurgentes que semeiam terror em Cabo Delgado.

“Esses é que eram os cabecilhas dos criminosos que exploravam o rubi e outras pedras preciosas e que quando os expulsamos de Namanhumbiri, começaram a atacar-nos”, disse Bernardino, ajuntando que Montepuez não deve ser a base da logística de malfeitores.

 


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