Moçambicanos fogem de xenofobia e regressam ao país

Moçambicanos fogem de xenofobia e regressam ao país

Vários moçambicanos estão a voltar da África do Sul por medo dos ataques xenófobos que já mataram mais de dez estrangeiros. Os transportadores ressentem-se da falta de movimento de ida e dizem que a tendência de todos é voltar a Moçambique.

São assassínios à luz do dia, pilhagens e destruição de vários bens de estrageiros residentes e trabalhadores da África do Sul. As imagens que chegam do país vizinho são de lojas que viraram escombros, carros destruídos e as tentativas de muitos outros de reconstruir o que foi destruído, mas tudo termina em … fracasso. Tudo porque os insurgentes voltam e destroem tudo de novo. 

E é esse ambiente que deixa assustados os moçambicanos que trabalham na África do Sul. Alguns até não foram atingidos, mas o medo de receber a visita dos supostos donos da casa tira-lhes o sono. E porque não existe melhor lugar para um sono tranquilo, estes começam a pegar no que é deles e voltam à casa, onde há um abrigo garantido. 

Hoje, “O País” esteve no Terminal da Junta, cidade de Maputo, onde vários carros vindos de Joanesburgo, na África do Sul, chegavam lotados. Os passageiros eram crianças, idosos, jovens, homens e mulheres. 

“Estamos a voltar por ver que não há convivência na África do Sul e não sabemos qual é o problema”, contou um jovem que estava na terra do rand desde os seus 14 anos e agora está com 26. Tanto tempo fora de Moçambique que até se esqueceu da língua portuguesa e tivemos de fazer a entrevista em Changana. 

Mas diferente dele, encontrámos Noé Filipe. Um cidadão moçambicano, natural da cidade da Beira e que estava na África do Sul havia dois anos. Ele disse ter entendimento pleno sobre como tudo começou e diz que os moçambicanos não têm absolutamente nada a ver com tudo isto. 

“O que aconteceu é que os nigerianos vendem uma droga chamada Nyaope, os sul-africanos não gostaram e um dia houve confrontos entre um motorista sul-africano e um nigeriano que vende a droga”, explicou Noé Filipe, que diz não entender por que agora os sul-africanos estão a expulsar todos os estrangeiros incluindo moçambicanos e zimbabweanos.

Noé Filipe decidiu literalmente fugir para Moçambique quando seu familiar, que também era seu vizinho, foi atacado e saquearam vários bens que o mesmo tinha na sua mercearia. “Assim agora ele está escondido na esquadra e lá não lhe permitem sair”, finalizou. 

Francisco Mavie, de 63 anos de idade, trabalha na África do Sul há mais de 25 anos. Estava agora em Moçambique de férias, regressou à África do Sul há três semanas. Mas antes mesmo de receber um salário sequer, teve de voltar à casa pelo bem da sua integridade física. “Enquanto estávamos em Joanesburgo, anteontem, chegaram a Market, corremos de volta ao Deveton e assim escapámos”. 

Diante desta situação, os transportadores do Terminal da Junta em Maputo, revelaram, hoje, que há muitos moçambicanos que procuram por carros que vem a Moçambique, vindo da África do Sul.

Entretanto, se há muito movimento para voltar à casa, o habitual de ida está zero. E era isso que se via no recinto do terminal, especialmente onde ficam os carros que vão àquele país vizinho. Muitos carros parados e sem passageiros. 

 


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