Moçambola: de bestial a besta... previsível!

Não é muito difícil equacionar as duas grandes motivações que conduziram ao que se passa agora no insustentável Moçambola. Tudo o que está a acontecer foi, por parte do autor destas linhas, previsto e discutido publicamente, sendo na altura catalogado de “adepto da desgraça”.
Primeiro: a “macaquice de imitação”, que nos obriga a fazer o “copy e paste” do campeonato português, sem ter em linha de conta que a Pátria de Camões, com uma robustez financeira bem maior que a nossa, cabe inteirinha na Província do Niassa. E como se isso não bastasse, possui uma rede de transportes que nada tem a ver com a nossa.

Segundo: insistiu-se no “todos-contra-todos”, apesar de que, aquando da campanha da actual Liga, o Moçambola, com 14 equipas, já enfrentava dificuldades de vária ordem. O mais sensato, seria reduzi-lo para 12, mas sobrepuseram-se as questões eleitoralistas e o programa de Ananias Coana só passou no eleitorado, graças à proposta de acréscimo para 16 clubes.

Os números agora divulgados do défice acumulado, provam que a montanha de dívidas não foi parida de um dia para o outro. Estava-se a um passo do precipício... e o que se fez? Deu-se um passo em frente!

Sacrificado? O atleta, sempre ele!

Uma prova de dimensão nacional, que financeiramente deveria fechar a cada ano era, afinal, gerida com pinças, jornada a jornada! Tentando respirar tranquilidade para o exterior, com pompa e circunstância nas galas de abertura, o grande mérito demonstrado pela Liga foi a sua grande capacidade de endividamento.

E agora? A simples atribuição das culpas de tudo à crise, que terá trazido à tona a impraticabilidade de um figurino, não convence, pois há muito anos se mostrava como “um passo maior que a perna”.
Chababe, Calton, Nito, Gil, Semedo, Joaquim João, Frederico, Miguel dos Santos, Almeida e muitos outros, estrelas que permanecem no imaginário de quem os viu jogar, e que teriam lugar em grandes clubes europeus, nunca disputaram por cá um campeonato de todos contra todos, mas nem por isso deixaram de brilhar.

Agora há que buscar remendos. Porém, tentar salvar a época deitando mão à massificação das viagens por terra, é castigar o elo mais fraco – os atletas – claramente os que deveriam ser mais considerados e respeitados, de forma melhorarem o seu rendimento e a corresponderem à história acumulada deste país, provada e comprovada mundialmente no desporto-rei.

O Moçambola deveria ser o ponto mais alto de toda uma movimentação, em que não chega lá quem quer, mas quem pode!

 

 


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