MoçamBORLA

Jogam-se os provinciais, ascende-se à Divisão de Honra, mas o sonho é chegar ao Moçambola. Ascensão legítima, mas...
Há gato escondido com o rabo de fora. É que, se até aos citados níveis é necessário aos clubes encontrarem verbas para viabilizarem a participação, o cenário na prova-maior muda radicalmente. Estadias, viagens e até as respectivas marcações, ocorrem inteiramente por conta da Liga Moçambicana de Futebol, que por sua vez vive de patrocínios.
Daí um dos sonhos em chegar à competição máxima, para lá do prestígio que a prova-maior confere. Sai-se do panorama provincial, vem a mediatização nacional e a redução drástica das despesas. Esta é uma das motivações da ascensão ao MoçamBORLA!

Um passo atrás para dois à frente
É uma herança que tem barbas e que não poderá ser resolvida de um dia para o outro, pois está enraizada na “cadeia de valores” da nossa alta competição. Participar, assistir e dirigir o futebol intra-muros – salvo honrosas excepções – depende de patrocínios, maioritariamente das empresas públicas. No fundo, é o Estado-Papá que se encontra por detrás, até porque se diz tratar da festa de unidade nacional, algo que nos “refresca”, num quadro no país em que temos mais razões para tristezas do que alegrias.
Daí que...
Recorrer a medidas radicais, mesmo que nos pareçam realistas, não deverá ser o caminho certo. Na apresentação de propostas de figurinos para o futuro Moçambola por parte da Liga de Futebol, pela primeira vez foram exibidos publicamente números. Um passo na direcção certa a ser seguido pela FMF, que deverá acabar com os secretismos em redor dos custos das operações dos Mambas, salários dos treinadores, despesas de deslocação, etc.

Reverter hábitos sem quebrar entusiasmo
A crise não pára à porta do desporto. Por isso, há que pensar realisticamente em dar dois passos atrás na contenção das despesas, revertendo hábitos, mas sem quebrar entusiasmos. A partir daí, com prudência, começar a pensar no futebol como uma indústria cujo investimento terá, necessariamente, que ir sendo auto-sustentável, até produzir lucros.
No centro, o principal activo: o atleta. Depois, a imaginação na publicidade, que estimule patrocínios com retorno. A partir daí, a apetência dos adeptos por vitoriar as suas equipas, sabendo que a participação no clube obriga a pagar quotas e a assistência aos jogos, o pagamento do bilhete de entrada, para manter a máquina organizativa em acção.
Há que acertar o passo com o continente e com o mundo, na certeza de que temos – com provas dadas – talento em bruto ansiando lapidação.
As provas do que em vários países o desporto beneficia os cidadãos na saúde, finanças e na projecção em geral, são mais do que suficientes e encorajam a introdução de mudanças pensadas, com o objectivo de virmos a ficar mais fortes, no desporto-rei.
Isso exige a participação de todos, de forma a que o actual MoçamBORLA se torne sustentável e a cada ano menos dependente, até atingir a plena auto-suficiência.

 

 


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