Notas sobre a morte do livro, a ressurreição¹

Uma casa sem nome, mas cheia de rostos: comecemos pelo lado carrancudo que se dá pelo nome de Vasquez e assim começo também eu por cumprimentar o meu colega do painel e irmão de São-Tomé e Príncipe, Orlando Piedade, autor dos livros que confesso desconhecer: O Amor Proibido e Os Meninos Judeus Desterrados;

Estendo o meu frágil, mas animado aceno ao escritor e diplomata brasileiro, Fortuna, que um dia escreveu: nenhuma rotina adormece, e nem cabe reclamar das dores faveladas e dos acidentes.

Falando em rotinas, espero que as minhas vindas à Angola sejam mais frequentes. Por enquanto, devo contentar-me com o facto de ser a minha primeira vez a estar nesta bela pátria, país que gerou tantos autores cujas obras fazem parte da minha formação literária. Cito dois desses: Arlindo Barbeitos e Ruy Duarte de Carvalho.

Encontro-me aqui, mais uma vez, com o Lopito Feijoó, esse continuador de David Mestre e a quem tenho denunciado a dura realidade de me encontrar e reencontrar com outros escritores africanos, mais na Europa ou no Brasil do que em África.

O FESTLAB veio para me desmentir e para me dizer que estou redondamente enganado. Por isso agradeço à curadoria deste Encontro pelo convite e um especial Thank you (com sotaque, como dizem os namibianos aqui ao lado) para Nídia, a Vera e a amiga Maria Cantinho, pessoas generosas que tornaram possível a minha primeira vez, isto é, a minha vinda...

...e presença neste festival que é a prova inequívoca de que a literatura desempenha um papel importante na construção contínua da ideia da lusofonia, estimulando os vários processos para a sua afirmação e para o desenvolvimento das nossas nações.

Apesar dos inúmeros desafios e de algum desencanto, a luta pela afirmação das literaturas lusófonas, com as suas próprias marcas identitárias, deve continuar e este tipo de encontros, de intercâmbio cultural, representam um dos mais nobres contributos para aprofundar a nossa visão literária e colectiva do mundo lusófono e, para unirmos os nossos esforços com vista a ultrapassarmos as grandes preocupações actuais, como por exemplo, o escasso acesso ao livro e à leitura e a urgente necessidade de formarmos leitores.

Estes encontros são também importantes para encurtar distâncias, construindo diálogos que respeitem, obviamente, a pluralidade do mundo lusófono, porque tal como dizia o outro, a lusofonia é per si, cada um de nós.

O FESTLAB ocorre no mês em que celebramos a língua portuguesa, o troféu de guerra dos países africanos de língua portuguesa, como diria Luandino Vieira, essa língua que é o maior unificador do mundo lusófono e que nos lembra que somos todos filhos da mesma mãe, ainda que os contextos de cada país sejam diferentes, e que cada um de nós tenha a sua marca estilística.

Não podemos também nos esquecer que partilhamos as mesmas preocupações, que acabam por atormentam-nos a todos, como por exemplo, a deficiente circulação do livro dentro de cada um dos nossos países e entre eles.

Depois deste preâmbulo, deixem-me contar-vos uma pequena história (fictícia)

Há dias, um amigo meu, proprietário de uma livraria independente, em Maputo, das menos de 10 que existem e da qual sou um assíduo frequentador, disse-me que iria instalar na sua livraria um sistema de vigilância por câmaras, em circuito semi-fechado (sei lá o que isso significa), para detectar o roubo de livros. Decisão legítima a do meu amigo João Taraduma***, nestes tempos difíceis em que há cada vez menos leitores a comprarem livros.

É preciso fazer-se um combate cerrado contra esses ladrões, esses filhos da... quase ia eu dizer-lhe, quando me lembrei que foi graças ao furto de um livrinho, em tempos remotos, que tive a minha primeira febre literária, quando li pela primeira vez este verso: “o amor é fogo que arde sem se ver”. Estava eu no fulgor da adolescência e nas minhas primeiras paixões.

Fiquei obviamente calado e meio-confuso. Pensei aqui para os meus botões: Este ataque tecnológico que o meu amigo quer fazer contra o furto dos livros, não irá inibir o surgimento de novos escritores? Não estará o futuro da literatura moçambicana e, por extensão, a lusófona, em risco?

Sai de imediato do interior do meu silêncio e abordei o meu amigo: Oh, Taraduma, meu grande irmão, não estarás a exagerar em colocar câmaras? Entendo que esses ladrões de livros acabam por dar golpes duros à nossa cultura e afectam profundamente a economia nacional.

Mas veja lá: isto não é um caso de só colocares alguns espelhos circulares em dois ou três cantos e resolve-se logo o problema e gastas menos com aparelhagens de vigilância?

Nada disso, amigo, interrompeu-me exaltado o livreiro. Os espelhos não funcionam para a qualidade e inteligência de ladrões que frequentam esta livraria.

Falo-te de gente erudita, leitores fervorosos, que devoram tudo que lhes aparece a frente, desde um Patraquim a um Lucílio Manjate, ou desde um Armando Artur a um José Luís Mendonça. Conheço os malandros. Um espelho iria permitir-lhes contemplar a imagem da pessoa a quem querem iludir, proporcionando-lhes a escolha do momento mais propício para agirem.

Decisão tomada, meu caro amigo. Vou colocar câmaras, sofisticadíssimas, por tudo quanto é canto neste espaço. As câmaras são infalíveis. E digo-te, desde já: vou também equipar a livraria com um sistema magnético de detecção de roubos. Rematou.

Voltei a ficar mudo. Não por falta de argumentos, mas para que não tropeçasse na minha própria fala e fosse logo magneticamente detectado pelo meu amigo.

Ouviu-o falar durante minutos e minutos. João Taraduma era um homem visivelmente entusiasmado com a aparelhagem de vigilância e de detecção de furtos que iria instalar na livraria. Tudo tecnologia de ponta, disse-me. E a coisa mais interessante é que as câmaras, segundo ele, não estariam nunca apontadas para as portas e janelas da livraria, controlando quem entra ou sai. Nada disso. Até porque o sistema de vigilância seria desligado durante as horas em que a livraria estaria fechada para voltarem a ser ligadas durante a hora de funcionamento. Segundo o meu amigo, as câmaras estariam vocacionadas para vigiar o leitor, directamente apontadas para os seus olhos, como se fossem verdadeiras Kalashnikovs.

E só pelo olhar interessado do leitor num dos livros, a maneira como ele o pega e o tempo que leva a folheá-lo ou o tempo que o livro fica na mão, seria suficiente para detectar um potencial ladrão de livros e pronto, a campainha de alarme iria soar e katlha, estava apanhado o ladrão.

Quando eu já ia protestar e dizer que tanta sofisticação e tecnologia talvez fosse afugentar os poucos e bons leitores que ainda entram na livraria, o meu amigo João Taraduma voltou à carga: a preocupação da sociedade literária actual não é só com os futuros furtos.

Estamos também preocupados com os roubos de milhares de livros que aconteceram nos últimos 20 anos e que arruinaram por completo a economia nacional. Para estes casos, meu caro amigo, aventa-se a criação de uma Comissão da Verdade e Reconciliação, para lidar com os roubos acontecidos entre 1997 e 2017.

Os que mostrarem algum sinal de arrependimento e voluntariamente confessarem, serão imediatamente perdoados.

Já esses outros, ladrõezinhos sem moral, serão condenados a pagar pesadas indemnizações. Já me candidatei para ser membro da Comissão e se estiveres interessado diz-me e darei o teu nome.

Pautei-me obviamente pelo silêncio e pensei novamente cá para mim: mas estas ideias e incursões do João Taraduma, não são uma traição à causa literária? Nessa tarde tão recente, sai sorrateiramente da livraria do meu amigo, mais mudo que nunca e como só decidi aventurar-me na escrita porque, como se viu acima, não sei argumentar e nem falar (e aqui abro um parêntesis para reconhecer que entro em profunda contradição com o slogan do FESTLAB: fazer, falar, viver), acabei por escrever esta carta, esta manhã, ao meu amigo João, porque tal como dizia Craveirinha, nosso Poeta-mor, traição maior é saber escrever e não o fazer.

*** nome fictício

Nota sobre o fim dos roubos e a morte do livro

Caro João,

Perdoa-me a saída repentina da tua livraria, noutro dia, sem que terminássemos a interessante conversa que estávamos a ter, mas tinha mesmo que te abandonar a fim de me preparar para uma viagem a Luanda, onde vim participar num encontro de escritores. De entre vários assuntos, será discutido o Livro e a Tecnologia (veja só as coincidências, Taraduma) tema que, devo confessar-te e o faço só a ti, desconheço em absoluto, tirando a belíssima aula que me deste, dias atrás, sobre o sistema de vigilância que pretendes colocar na tua livraria. Só não revelei a minha ignorância à organização do FESTLAB, por receio que cancelassem o convite. Assim perderia a oportunidade de conhecer Luanda, o Atlântico, e a excelente culinária angolana, para além das suas belas mulheres.

Agora, com mais calma, e instalado no quarto 2205 de um hotel que tem uma vista magnífica sobre o Cais do Porto, escrevo-te esta nota para dizer-te o seguinte:

Julgo que qualquer conversa sobre o livro e a tecnologia deve incluir, sempre que possível, uma breve referência sobre o desenvolvimento histórico do livro e as origens da escrita.

E aqui está a primeira dificuldade que encontro, nesta tentativa quase falhada de tentar abordar o tema: é que o livro e a literatura são a maior invenção ‘tecnológica” da humanidade.

Como sabemos, já vamos num longo caminho percorrido de mais de 10 séculos, desde o tempo em que se escrevia no bambu, tão pesado ou, em bocados de seda, que era caríssima usando-se mais tarde o pergaminho, indo à época do manuscrito medieval, passando pelos tempos de Gutenberg e do livro dos nossos dias para desaguarmos por fim nos Gadgets e no livro electrónico.

A história tem-nos ensinado que o livro foi sempre tecnologicamente evoluindo, dentro de uma certa manifestação estética, obviamente e, assim se espera que aconteça nos próximos tempos.

Sendo assim, é inevitável empreender esta aventura, sem que me debruce, ainda que levemente, sobre a história da impressão e da produção do livro.

Como sabes, meu caro livreiro, evoluímos do bambu e do pergaminho para o papel, que foi fabricado pela primeira vez na China e que hoje tens aos montes aí na tua livraria, graças ao génio do Marquês Ts’ai Lun, no ano 105 da era cristã.

Faço esta introdução para desconstruir certas certezas de ontem, que hoje têm-se revelado não serem assim tão certeiras. Falo, por exemplo, de uma suposta morte do livro convencional, em favor das formas digitais do livro, revelada há cerca de 10, 15 anos, no esplendor e boom dos e-books, gadgets e de outros aplicativos e formas electrónicas de difusão literária.

Lembra-te que houve em todo o mundo debates tão fervorosos e acesos, que alguns juravam pelas almas dos seus antepassados, que o livro, como objecto que o conhecemos, teria os dias contados e muito provavelmente seria hoje uma das peças a ser mais admirada, durante a visita que alguns de nós faremos aos Museus, no próximo dia 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus.

Ora, uma década depois do frenesim inicial, caracterizado por um aumento exponencial das vendas e do acesso à literatura através do material digitalizado, sabemos hoje que as vendas dos livros digitais caíram substancialmente, passando de cifras de 70% do total de livros vendidos em algumas plataformas, para cerca de 30%.

Em alguns meios, onde há electricidade e internet, sejamos sinceros, o livro digital teve o codão de aumentar o acesso ao conhecimento e ao entretenimento em grupos em que o livro, na sua forma convencional, não chegava.

Entretanto, devido, em parte, ao preço ainda alto e a outros factores elencados aqui, em muitos meios, o livro digital não se democratizou, continuando inacessível para a maioria dos cidadãos. Portanto, quer seja electrónico ou não, volvidos mais de quinhentos anos, em alguns contextos, o livro continua a ser um objecto raro e um privilégio de alguns e propriedade exclusiva de um grupinho.

Sabemos também que uma parte dos novos leitores, depois de se introduzirem na leitura, através do livro digital, acabaram por migrar para o livro tradicional, pois, até hoje, os e-books ou livros electrónicos têm alguns desafios que ainda precisam de ser resolvidos, para que de facto se transformem em elementos complementares do livro convencional, nessa batalha de todos para o aumento do acesso à literatura e à cultura.

Um dos desafios dos gadgets, por exemplo, é que por muito que contenham os melhores livros da literatura universal, são ainda um meio esteticamente perturbador a alguns de nós, retirando-nos o tal prazer do texto, que tanto advogava Roland Barthes. É como se “A Va Sathi Va Lomu”, do meu conterrâneo Fany Mpfumo, passasse a ser cantada pela tua voz, João.

A tipografia, quando surgiu no séc. XV, veio satisfazer uma exigência do mercado: multiplicar os textos e expandir o acesso. Como sabes, no nosso país e nos outros, há ainda problemas estruturais relacionados com a distribuição do livro e a sua deficiente circulação: os livros não chegam onde deviam chegar e quando chegam, é com um atraso considerável.

Taraduma, longe vão os tempos em que era tao fácil darmos de caras com um Uahenga Xitu estacionado numa qualquer prateleira de uma livraria em Maputo ou, com um Arménio Vieira.

Não quero aqui incitar à violência alguma, mas quero lembrar-te que os livros dos autores referidos acima, de tão boa qualidade, circulavam mais dentro da lusofonia, quando os nossos países estavam debaixo de regimes totalitários do que agora.

Tudo isto, na verdade, não tem muito a ver com o livro em si, mas sim com um sistema deficiente e não-inclusivo de distribuição de quase tudo que é essencial, desde alimentos, medicamentos, preservativos, rendimentos, volvidos mais de quarenta anos após as independências das colónias portuguesas. Mas a cerveja chega a todo lado, dirias tu. Será?

Passaram-se séculos e a expansão do acesso à literatura e ao livro deve ser também objectivo do livro digital nas suas várias formas. Mas expandir o livro digital num contexto de uma baixa cobertura eléctrica e de internet é muito diferente dos ambientes em que a Internet e a electricidade abundam. Para além das habituais dificuldades económico-sociais que definem também o leitor, já para não falar das questões estruturais do mercado.

Agora, em tom meio-confessional, digo-te o que não consegui dizer-te há dias, meu Taraduma: tenho uma relação difícil com a tecnologia, mais por inaptidão do que por desprezo.

Daí que a conversa no outro dia sobre a instalação de câmaras na tua livraria, tenha-me dado algumas voltas à cabeça. Porque tal como muitos, sou daqueles que ainda olha para o livro como um objecto de partilha, acto tão importante nestes tempos duros em que cada um vive fechado em si mesmo.

Olho para o livro como algo que também deve ser emprestado ou oferecido. O livro é para mim, sobretudo, um lugar de partida e de chegada e, até hoje, os e-book e algumas formas de livro digital falharam em cumprir em plenitude esse papel tão essencial da humanidade.

E podemos imaginar porquê. Porque o livro tradicional exerce uma maior influência estética no gosto do leitor do que os e-books e, às vezes, do que qualquer arte.

Um livro impresso e belo é sempre melhor que um gadget e ainda é o maior veículo para ensinar às crianças o amor incondicional à vida e às coisas belas.

E isso é tão crucial, nestes tempos difíceis, caracterizados por uma ausência do apreço ao belo e da falta de gosto. É uma fase, dizem uns, é algo global a que não podemos fugir, dizem outros.

Seja o que for, é sobretudo, uma revelação da crise de valores que todos os dias desfila nos nossos rostos. Esse facto pode ser suficiente para explicar a situação actual de apuros em que o livro se encontra e em consequência disso, em que tu te encontras, Taraduma.

Não nos esqueçamos que o livro representa um sistema de valores. Dos mais nobres. E essa é, provavelmente, uma das razões de fundo por que é que é combatido em todas as frentes. Mas não desanimemos: há ainda alguns raios de luz por entre as trevas, como tu costumas dizer.

E uma das formas de resistência, penso eu, é a de termos editores de bom gosto, que dêem à estampa livros esteticamente belos, bem executados, com um cuidado na parte tipográfica e na encadernação, com excelentes ilustrações e imaculadas revisões linguísticas. Parafraseando Douglas McMurtrie: a ambição de qualquer autor é a de ter uma boa obra de literatura com um belo aspecto gráfico.

Portanto, quer-se livros com qualidade gráfica e literária. Se não fizermos nenhuma concessão nesse domínio, o livro resistirá.

Como sabes, eu sou daqueles que ainda aprecia a forma dos livros, o seu cheiro, a textura e quanto mais anos os livros tiverem, mais charmosos e atraentes são. Este é que é o encanto dos livros. O cheiro agradável do papel velho ainda me seduz.


João, em qualquer discussão acerca do livro tradicional versus livro electrónico, tenho sempre o cuidado de separar o debate entre literatura, portanto, a arte de escrever livros, e a arte de imprimir e produzir livros, para assim não confundir o conteúdo do contido ou o meio do fim.

E é aqui que surge a magia da arte e a sua beleza: é que a literatura, essa mãe das artes, sempre sobreviverá, como aliás a história nos ensina, quer ela seja escrita e inscrita em pedras ou em papel.

A literatura, essa invenção única da humanidade e a única prova da sua existência, não deve ser uma simples reprodução, mas sim uma nobre criação. Quer ela esteja estampada em madeira ou na palma das mãos. Porque ela deve, essencialmente, não se desviar do essencial: o de ser uma boa literatura. Não devemos perder o nosso fascínio pelos bons livros, assim como não devemos deixar de beber uma cerveja angolana, quer nos sirvam num copo descartável ou numa mbenga.

O nosso compromisso deve ser, pelo menos penso eu, com a boa literatura, aquela que nos faz ter febres ou arrepios quando o sujeito poético em Rui Knopfli diz: não conheço esse mar que me vem beijar os pés. Tudo isto vem só lembrar-nos a mais pura verdade, Taraduma: o mercado livreiro é bastante complexo e está em constante transformação.

É provável que um dia o livro impresso transforme-se em livro digital e desapareça. Pode acontecer que o leitor do futuro exija novas maneiras de ter acesso à literatura e contra isso não podemos lutar. O homem é um animal de hábitos e tudo dependerá dos hábitos dos leitores nos próximos tempos. Mas julgo que esse processo vai levar ainda algum tempo e dependerá, em muito, do perfil do leitor nas próximas décadas.

Não nos esqueçamos do essencial: quem determina a forma que a literatura tem hoje e terá no futuro é sempre o leitor. Tudo dependerá então da sua preparação e capacidade de transformar e dar vida aos símbolos mortos que se encontram impregnadas nas páginas das grandes obras literárias.

Assim, o futuro do livro tradicional dependerá, em parte, do comportamento do leitor médio, das suas necessidades, gostos e sobretudo do seu conforto e do seu nível de preparação para a invenção. Não nos distraiamos: o leitor comum quer um livro fácil de ler, de manusear e de adquirir. Até agora o livro electrónico não preenche em plenitude estes requisitos

Outra confissão minha: o meu apego ao livro impresso é talvez o jeito que encontro de ser patriota. Moçambique é dos poucos países no mundo que ostenta um livro na sua bandeira. Mas se a virada for para os livros digitais e gadgets, estou preparado e não serei menos nem mais patriota por isso.

E para terminar, João, julgo que devias pensar seriamente em abandonares o livro tradicional e apostares no digital e nos gadgets. A vantagem dos gadgets, João, é que já não terás que te preocupar com as quantidades de pó que se acumulam nos livros, o tempo que perdes para os limpar, o peso que são quando os carregas de um lado para o outro. Outra importante vantagem, e talvez a mais importante: com o livro digital, acaba-se de vez com essa tua preocupação com o furto dos livros.

E agora pergunto-te: não é mais fácil, João, investires na digitalização do livro ao invés de digitalizares a tua livraria? Bem, aqui fica a questão.

Daqui da janela do Atlântico e distante de qualquer sistema de detecção de roubos, envio-te um aceno, meu caro amigo João Taraduma, e vou ter que terminar abruptamente esta carta, porque se aproxima o início do debate na mesa em que estou inserido no FESTLAB e como sabes, nem sei o que vou dizer.

 

 


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