O CÂNONE LITERÁRIO MOÇAMBICANO: três afloramentos

Coube-me a tarefa de apresentar três estudos, cujo denominador comum entre os mesmos é a discussão em torno do cânone literário em Moçambique ou do cânone literário moçambicano. Confesso que me senti como alguém a quem pregaram uma partida, dada a responsabilidade que o exercício exige. Mas porque a apresentação de livros pressupõe um exercício de aprendizagem, decidi não perder a oportunidade de ficar a saber alguma coisa sobre um tema tão importante quanto controverso para o nosso sistema literário como é a questão do cânone. Não sei, por isso, se vou, de facto, apresentar os livros, ou se apresento as inquietações que estes despertaram em mim, ou ainda um pouco das duas coisas.

Devo começar, para fechar esta introdução, com a leitura de duas formulações trazidas em dois dos livros e que, quanto a mim, evocam outro debate, surgido, pelo menos, nos anos 40 do século passado e que viu registado na Imprensa da década de 80 o seu momento alto: falo do debate sobre a nacionalidade literária, no qual a Professora Ana Mafalda Leite foi uma das protagonistas. Mas então que formulações são essas, evocadoras desse não esquecido debate? Refiro-me ao facto de Vanessa Pinheiro, no título do seu livro, falar do […]Cânone Literário em Moçambique, e das três autoras, no livro que organizam, falarem do Cânone Literário Moçambicano.

Se, no caso do cânone literário em Moçambique podemos supor que não é exclusivamente do cânone gerado pelo sistema literário moçambicano que se pretende falar, mas sim, eventualmente, da manifestação de outros cânones com que o ambiente cultural moçambicano manteve contacto, como é o caso do cânone português, já no segundo caso, do cânone literário moçambicano, parece ficar claro que é acerca do cânone gerado pela literatura moçambicana como sistema que se pretende abordar, ou seja, um cânone gerado da relação autor-obra-leitor, como propõe o teórico brasileiro Antonio Candido, citado pelas autoras. Estas formulações constroem, como o fizeram outras do já referido debate (poetas de Moçambique, poesia moçambicana, literatura em Moçambique) um espaço de ambiguidades teóricas e práticas provavelmente insolúveis e que, por isso mesmo, exigem tomada de posições claras e fundamentadas de quem pretenda dar uma resposta à problemática do cânone. Ao ler estes livros, e sobretudo no que ao cânone diz respeito, fiquei com esta sensação, a sensação de estar perante um terreno movediço, mas, ao mesmo tempo, atraente.

 

Primeiro afloramento

Comecemos então com os Ensaios Teóricos e Estudos Sobre Literatura Moçambicana, de Ana Mafalda Leite. Ao lermos a nota que a autora coloca para abrir o livro, percebemos o iminente contacto, tal como defendem Wellek e Warren (1949), com um estudo sistemático e integrado da literatura moçambicana. De facto, ao lermos o livro, entendemos que a autora nos apresenta um estudo sobre a literatura moçambicana a partir dos três domínios recomendados por Wellek e Warren, a saber: o teórico, o crítico e o histórico. É verdade que, tal como estes dois autores avisam, estes domínios, não sendo necessariamente exclusivos entre si, podem e devem complementar-se, seja qual for a perspectiva de análise dominante, se teórica, crítica ou histórica. Destacamos, entretanto, o facto de na obra de Ana Mafalda Leite haver uma intenção declarada de os abordar de forma particular, facto que não deixará de atestar a longa experiência da Professora no estudo da literatura e da literatura moçambicana, como aliás já fizemos referência.

Ensaios Teóricos e Estudos Sobre Literatura Moçambicana é um livro dividido em duas partes. A primeira, teórica, faz uma espécie de dissertação sobre as teorias pós-coloniais. A autora aponta as controvérsias criadas pelas diferentes designações do termo «pós-colonial», muitas vezes colocadas entre os extremos epistemológico e cronológico. Ou seja, há uma confusão gerada pelo termo se pensado, na esteira de Leite (2013), como ideia que se refere aos efeitos culturais da colonização, independentemente de qualquer marco cronológico, e, em contrapartida, como termo que procura demarcar as literaturas surgidas de países recém-independentes, como é o caso da literatura moçambicana. Nesta parte do livro, coloca-se também a questão da relação entre o termo «pós-colonial» e o domínio de estudos literários designado estética da recepção, considerando o movimento da Globalização, que tende a rasurar o sentimento local. Esta parte do livro aborda, ainda, a relação entre a pós-colonialidade e os modelos críticos baseados em representações orais. A literatura oral é também aqui discutida como um factor importante para se (re)pensar a questão do cânone. A relação, os contactos entre a ficção, a História e a Memória são também abordados nesta parte do livro.

A segunda parte do livro de Ana Mafalda Leite trata da História da literatura moçambicana. É uma questão ainda não resolvida. A autora evoca Almiro Lobo e Francisco Noa, outros autores que se têm debruçado sobre a matéria. É neste diálogo entre o seu próprio trabalho investigativo e o de outros autores, que a autora sugere alguns tópicos para a escrita da história da literatura moçambicana, nomeadamente:

  1. O papel do missionário João Nogueira e a literatura de viagem.
  2. A introdução da tipografia, em 1854.
  3. A literatura surgida do contacto histórico com outros sistemas literários, como é o caso da literatura portuguesa.
  4. Os manuscritos sobre Moçambique, enquanto contributo da Literatura de Viagens.

Como dissemos, a obra de Ana Mafalda Leite é também analítica, debruça-se sobre autores já canonizados, como são os casos de Luís Bernardo Honwana, José Craveirinha, Mia Couto, Ungulani Ba Ka Khosa, Eduardo White e outros autores que, quanto a nós, poderão fazer parte do cânone se forem integradas na equação da canonização outras variáveis, conforme nos dizem os ensaios de Artur Minzo, Sara Jona, Aurélio Cuna, Vanessa Pinheiro e Giulia Spinuzza. São esses autores Rui Knopfli, Filimone Meigos e Adelino Timóteo. De qualquer forma, ao abordar estes autores, Ana Mafalda Leite realiza umas das variáveis evocadas para a canonização de um autor, os estudos de recepção. E, nessa variável, poetas como Rui Knopfli e Filimone Meigos não são avaros de um olhar especializado sobre a sua produção. Refiro-me, por exemplo, aos estudos do ensaísta Francisco Noa.

A segunda parte do livro de Leite trata ainda de novíssimos autores que este novo século deu a conhecer, reflexo do dinamismo editorial que se assinala, pese embora Vanessa Pinheiro considere essa dinâmica ainda fraca, e com razão, se quisermos comparar com outros sistemas literários. É nossa convicção que a atenção que Leite dedica a esta geração, com particular destaque para Hirondina Joshua e para a presença da voz feminina na poesia moçambicana, indicia um gesto que, decerto, se prolongará no futuro. De resto, não é novidade este interesse por parte da autora em relação às novas gerações de escritores moçambicanos: Chagas Levene e Celso Manguana são alguns dos autores já tratados pela autora noutras abordagens. Todavia, esta geração, à qual apelido de Geração XXI, permanece candidata ao cânone. Trata-se, naturalmente, de uma candidatura, pois a sua canonização não depende apenas das análises que sejam feitas, como veremos adiante. Adivinho, entretanto, que o trabalho teórico, analítico e de enquadramento histórico que Leite nos oferece é um contributo valioso para se (re)pensarem as lógicas e utopias do cânone literário moçambicano, na medida em que promove um aparelho teórico que, equacionando a relação que a nossa literatura escrita estabelece com outros sistemas literários e com o nosso universo da oralidade, procura construir uma ancoragem, uma concepção teórica, crítica e histórica ajustada à ficção moçambicana. É preciso dizer, entretanto, que a autora não prescreve nada; pelo contrário, há aqui um processo de reflexão contínuo em que os textos literários são vistos, na esteira de Ana Maria Martinho, como fenómenos culturais intensivos, isto é, como modeladores, eles próprios, no jogo da intersubjectividade, da sua própria natureza, sua teoria, sua história e sua crítica. De outra forma, diríamos que, ao lermos o pensamento de Ana Mafalda Leite, neste livro, ouvimos a voz reorientadora de Lévi-Strauss ao dizer que não são as pessoas que falam através dos objectos, mas estes que falam através das pessoas.

Segundo afloramento

Vanessa Pinheiro apresenta-nos o A Formação do Cânone Literário em Moçambique. Trata-se de um livro dividido em três partes. Na primeira parte, a autora representa o cânone como produto da História das sociedades e, por via disso, reflexo de valores e ideais – políticos, ideológicos – variáveis ao longo do tempo. Ou seja, cânone que se constrói e desconstrói política e ideologicamente, é determinado por “representações socioculturais que lhe são subjacentes do que no texto propriamente dito”, razão por que, no sistema literário moçambicano, como decerto acontece noutros sistemas, temos escritores esquecidos, por não se ajustarem a essas determinações históricas. Mesmo tratando-se da sua ausência (do cânone), esta deve ser entendida como uma construção sociocultural, isto é, sistémica. Ora, julgamos que isto equivale a dizer que o cânone existe à revelia da própria vontade política, é condição existencial de qualquer sistema literário consolidado ou em vias de consolidação, como é o moçambicano. O facto de Moçambique não ter ainda um Plano Nacional de Leitura não significa que o cânone não exista, obviamente, mas que esse cânone não é revisitado, questionado, reconstruído, penso que estamos todos de acordo. Sara Jona, por exemplo, mais adiante, ajuda-nos a perceber que o cânone estabelece uma relação umbilical com o projecto de Nação que se pretenda criar, com os níveis de desenvolvimento humano que se pretendam atingir, enfim, com o tipo de moçambicanos que pretendemos ser neste século de muita perplexidade. Percebe-se ainda, das abordagens de Vanessa Pinheiro, que o cânone acaba por corresponder a um processo natural de sucessão entre antigos e modernos, velhos e novos, imponham-se os entraves que se quiserem impor.

Depois de abordar, genericamente, as características do cânone, Vanessa Pinheiro volta o seu olhar para o cânone africano e obriga-nos a pensar num cânone que se funda a partir da representação das tradições. Trata-se aqui da valorização das identidades das nações novas. José Craveirinha, num texto em que acusa Rui Knopfli de constantemente deitar-lhe à cara o seu Mozart («Mozart e Fani Fumo», de 1970) diz-nos o seguinte: «E no entanto / eu compreendo ao longe Mozart / mas sinto mais o que me diz Fani Fumo / e o que Miriam Makeba canta. // E / Constantemente / entro em diálogo com a magia dos tambores. / E tu?»

Como o poema de Craveirinha pode sugerir, definir o cânone moçambicano passará, como já o tinha referido Ana Mafalda Leite, por lançar o olhar sobre o universo da nossa oralidade, lançar o olhar sobre as formas da literatura oral enxertadas na literatura escrita ou vice-versa. Este ideal de resgate, entretanto, tem estado a dinamizar uma incursão pelo exotismo vendável na Europa e noutras partes do mundo, quase mesmo beirando o «exotismo de fachada», como o próprio Rui Knopfli classificaria, em 1974, a incursão pela cor local destituída da alma e da vibração dos seres e lugares representados.

A nova geração de escritores moçambicanos tem estado a olhar para esta questão com alguma desconfiança, destacando que esse ideal identitário tradicional quase extremista acaba por comprometer o valor estético da obra literária, numa alusão insistente e valorativa em relação à forma de escrita e ao tratamento dos grandes temas da humanidade. É por essa via que esta geração se mostra mais preocupada com um cânone internacional onde ela se possa situar e ser aceite universalmente, e, para o efeito, vai-se credenciando pela referência a grandes nomes da literatura dita universal, quer nos textos, quer em entrevistas ou simples opiniões. Trata-se, enfim, de um velho debate que a construção do cânone deve acautelar, sobretudo se se considerar um sistema literário em renovação, como é, sem dúvidas, o caso do moçambicano.

Vanessa Pinheiro debruça-se também sobre a formação dos sistemas literários em Angola e Moçambique, sinalizando o livro Espontaneidades da Minha Alma, de Maria Ferreira, como marco, no século XIX, da formação do sistema literário angolano. Em Moçambique, já no século XX, a autora destaca o poeta Rui de Noronha. O papel da Imprensa como instrumento de canonização também é abordado pela autora, tal como o fazem, como veremos, Aurélio Cuna e Ubiratã Sousa. Vanessa Pinheiro cita autores como Noémia de Sousa, Marcelino dos Santos ou Kalungano, José Craveirinha, Rui Nogar, Orlando Mendes, cujos processos de canonização se iniciaram na Imprensa.

A questão da transnacionalidade também interessa a autora. Para tal, ela analisa as obras de Rui Knopfli, Mia Couto e Ana Mafalda Leite para afirmar, com Rita Chaves, que «no interior da engrenagem colonial [o escritor está condicionado] a enfrentar a fatalidade de viver entre dois mundos». Esta afirmação obriga-nos a reequacionar a questão do cânone, tendo em conta sobretudo o que Lúcia Liba Mucznic chama de «um certo sentimento íntimo». Adivinho que este sentimento seja um elemento integrador, independentemente do debate sobre a questão da nacionalidade literária ou de todas as questões extraliterárias que para esse debate concorrem, como a cor da pele, o lugar de nascimento, a filiação política, etc.

À segunda parte do livro, Vanessa intitula «A voz dos autores». Nela perpassam entrevistas com escritores já canonizados e outros que não ou ainda não. E as questões são várias e diversificadas, como por exemplo:

  • o sentimento de que Moçambique ainda vive um processo de descoberta, de autoconhecimento e de busca de um projecto como Nação;
  • o sentimento de que a internacionalização da obra/autor moçambicanos, no quadro da Globalização, se faz numa relação tensa com o projecto de imaginar, tradicionalmente, a Nação;
  • a acusação feita a Portugal e Brasil como países que irradiam todo o comércio externo ligado à literatura produzida pelas ex-colónias africanas falantes do Português e o desconhecimento dos autores da CPLP entre si – seus textos – assunto discutido no Festival de Literatura Resiliência 3, cujo lema era exactamente «mobilidade no espaço da CPLP»;
  • a questão da canonização: que critérios consagram um autor, visto que há escritores que pouco publicam e continuam canónicos: o cânone é dinâmico ou estático, como é que uma obra entra, se mantém ou sai do cânone?
  • o tom acusativo à falta de uma política do livro e um plano nacional de leitura: não se faz um cânone sem distribuição, divulgação e promoção do livro e da leitura;
  • o tom acusativo às editoras, pelas suas escolhas, quantas vezes questionáveis: em rigor, não existe um cânone de autor, mas de obras de autores: trata-se de reposicionar o que interessa quando se fala de literatura, as obras fundamentalmente e não os seus autores.

A terceira parte do livro intitula-se “O outro lado do cânone”. No nosso entender, o outro lado do cânone podem ser muitos lados, como por exemplo, o lado perverso de uma crítica demissionária em relação ao que a nova geração de escritores moçambicanos vem produzindo: uma geração a contar com mais de dez anos de publicação e a quem verbalmente se lhe reconhece o mérito, não só como depositária das gerações anteriores, mas também como garantia da manutenção da marca de qualidade que, de uma forma geral, se reconhece à literatura moçambicana. Este reconhecimento é feito inclusivamente internacionalmente.

Este lado de um silêncio perverso da crítica, entretanto, deve ser entendido também como a incapacidade sistémica de produzir mais e novos críticos: cada cânone produz os seus teóricos, os seus críticos, ou, dito de outra forma: tendencialmente, os críticos de determinado período histórico produzem o cânone respectivo. É desejável que o crítico literário adopte uma perspectiva mais diacrónica no seu amoroso exercício de falar sobre a nossa literatura, mas mais desejável ainda é que a nova geração de escritores produza também os seus teóricos. Lembremo-nos que o cânone é também uma questão estética, de gosto e estes não se discutem; mas podem ser ensinados.

Penso que é preciso, isso sim, questionar as instituições ligadas ao ensino do jornalismo, se estão de facto a formar jornalistas para as artes: a «Gazeta de Artes e Letras», da revista Tempo, é um exemplo de provas dadas de que é possível falar das artes moçambicanas, discuti-las. Estávamos então na década de 80, tempo em que se buscavam referências para a ideia da moçambicanidade e então produziu-se o cânone que temos hoje – para recordar, uma vez mais, o papel da Imprensa. Vanessa Pinheiro traz-nos, neste outro lado do cânone, Amosse Mucavel, Mbate Pedro, Andes Chivangue, Sangare Okapi e Hirondina Joshua. Será esta a antecâmara dos canonizáveis? Espero bem que sim.

Terceiro afloramento

O livro Seis Reflexões em Torno do Cânone Literário Moçambicano, organizado por Ana Mafalda Leite, Sara Jona e Vanessa Pinheiro discute a questão das variáveis a levarem-se em conta na formação do cânone. Efectivamente, o cânone literário moçambicano é visto como produto do ensino: aí, deverá promover a diversidade cultural moçambicana, o que, segundo Sara Jona, não acontece. Digamos que entraríamos aqui para a função pedagógica do próprio cânone. Entretanto, Artur Minzo entende que é possível construir o cânone virando a atenção para a sua função estética, considerando os diferentes períodos, épocas, gerações literárias, movimentos ou correntes ideológicas ou filosóficas. É interessante notar que Minzo admite a convivência, na escola, de textos canonizados com os não canonizados, uma relação difícil entre o velho e o novo, entre o tradicional e o moderno, facto que denota que o cânone se constrói a partir de um processo natural e lento de conhecimento e substituição pelas instâncias legitimadoras.

O cânone literário moçambicano também pode ser visto como produto da Imprensa: Aurélio Cuna justifica que a falência do processo de canonização radica na demissionária actividade jornalística. Este é também o enfoque de Ubiratã Souza. Hoje, escasseiam os suplementos culturais, as páginas e revistas literárias de qualidade, diga-se. O mundo da Internet em que vivemos acaba, ele também, por substituir as instâncias de legitimação por um hiperindividualismo que concebe, produz e difunde conteúdos que se pretendem esteticamente literários, mas falhos de um olhar esteticamente educado e experiente. Se calhar, com a Internet ou mundo virtual, entramos para um processo de pseudocanonização, mercê da visibilidade instantânea e da suposição do mérito.

Vanessa Pinheiro, entre outros aspectos, questiona de onde vem o discurso da canonização, se de dentro ou de fora. Isto é particularmente interessante porque pode significar que há autores canonizados entre-lugares e não em Moçambique, autores reconhecidos em outros quadrantes e não em Moçambique, basta nos lembrarmos que uma autora como Paulina Chiziane foi inicialmente ovacionada fora e só depois em Moçambique; aliás, já diz a sabedoria popular que “santo de casa não faz milagres”. Haverá algures, então, um cânone literário internacional respeitante à literatura moçambicana e à procura do lugar de poiso. Esta espécie de cânone diaspório resulta, para a autora, de outros factores internos de Moçambique que é preciso rever: a rede do mercado livreiro – temos livrarias a fecharem e não a abrirem –, a dinâmica editorial deficiente – fraca distribuição do livro e existência de poucas editoras, entre outros factores.

Giulia Spinuzza chama a atenção para o facto de o cânone da literatura moçambicana estar a ser construído como elemento da construção da Nação, ou seja, muito arreigado ao passado colonial em relação ao qual é necessário desmistificar ideológica e politicamente: é preciso exorcizar as mentes, afim de não permanecermos ou cairmos nas malhas de uma espécie de canonização maniqueísta.

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