O “Culupado” e o nosso tempo

O Filósofo é chamado a cada momento histórico a responder a questões que são inerentes ao seu tempo e dá-lo sentido. Nos dias que correm a música “culpado” tem tido várias opiniões, umas enaltecendo-a, outras ridicularizando-a, não seria pretensioso de mais da minha parte chamar um filósofo para se pronunciar? Que área específico desse saber teria que se apropriar da discussão, Filosofia da Arte, Estética, Filosofia Social ou Antropologia Filosófica? Se o fizesse,  não teria que esperar a coruja da minerva?

Começar por dizer, apesar da formação ainda não me considero filósofo, apenas servir-me-ei de seus instrumentos de reflexão. Já agora dizer que a repercussão da música não é inocente. Isto em si faz-me pensar que toda a tentativa de ridiculariza-la apenas pela qualidade da música ou conteúdo é intelectualmente improfícua.  

Além de trabalhar os conceitos, o contexto em que se levanta uma determinada questão é fundamental em Filosofia para traçar os vários caminhos que ela pode suscitar. A guerra em Cabo Delegado, os ataques no centro do país, os raptos e atentados e uma pandemia que nos faz primeiramente escolher a vida e anular todas as necessidades (sem discutir as hierarquias), instam-me a pensar que uma música ou algo que nos incita não a chorar, mas a rir da nossa condição surge como uma catarse.

O facto de algumas vozes nas redes sociais repudiarem a ideia de remix da música por parte dos chamados músicos de sucesso ou a regravação da música e do vídeo com melhor qualidade, parece ser um paradoxo. É preciso não ficar apenas nas aparências. Até porque em estética o foco não está na aparência das coisas, sim como elas aparecem. É aqui em que a minha reflexão se assenta. De um lado o enaltecimento da música é uma manifestação de querermos ser vistos sem enfeites ou efeitos artificiais. Não é para isso que temos lutado? Do outro, por trás dessa posição esconde-se uma ironia (será preciso chamar Sócrates para dizer-nos?), de cinco em cinco estamos clamando por mudanças, e desta vez sem tratar-se de resignação, somos nós a não querer mudanças. Será que estamos caminhando para o que eu conceituei de Despartidarização da Política? Um cenário em que os partidos não têm supremacia nos cuidados sobre a coisa Pública.

 


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