“O meu pai marcou a história”

“O meu pai marcou a história”

Chama-se Rafael Massanga Sakaita Savimbi, um dos filhos de Jonas Savimbi, fundador da UNITA, um dos históricos partidos políticos de Angola. Em entrevista ao O País, falou de tudo um pouco. Desde a morte do seu pai, às vicissitudes enfrentadas pela família e a política actual.

Rafael Massanga Sakaita Savimbi é actualmente deputado da Assembleia Nacional de Angola e já trilhou alguns cargos dentro da UNITA, nomeadamente, o de secretário nacional para a Mobilização Urbana do partido do Galo negro e é visto por alguns como uma promessa para a futura liderança política da UNITA. Mas quem é Rafael Massanga Savimbi?

Rafael Massanga Savimbi é um jovem angolano que se interessa pela vida política do país e vai dando a sua contribuição para que o processo de democracia seja aprofundado e que a distribuição da renda nacional seja feita com base na justiça, para que todos os angolanos possam usufruir das riquezas e dos bens que o seu país dispõe.

Considera-se herdeiro político do seu pai?

Não me considero herdeiro político, mas me considero um jovem sensível aos vários problemas que Angola vai encarando, sobretudo a sua juventude, razão pela qual, sabendo que posso fazer alguma coisa para que outros angolanos possam melhorar a sua condição de vida, sinto-me na obrigação de poder dar a minha contribuição.

Está na política por ser um projecto pessoal, não necessariamente a seguir o projecto político de seu pai!

Estou na política porque penso na juventude, onde tem de residir a força, o sonho e a esperança de dias melhores. é agora que nós somos jovens que precisamos de aproveitar esta energia com uma visão que é nova, diferente e que deve olhar para o futuro que temos de dar a nossa contribuição hoje, para fazer com que os nossos filhos amanhã possam herdar um bom país, diferente e melhor.

Nasceu e cresceu num momento difícil no seu país e até para os seus pais, em particular, porque estavam envolvidos numa guerra. Como é que foi a sua infância?

De facto eu nasci nas matas de Angola, mais precisamente no sudoeste, numa base chamada Catape, que já desapareceu e praticamente a minha infância foi alí, como sabe, a partir dos anos 79/80, a UNITA tinha criado a sua base social de apoios e tínhamos alí a base central chamada Jamba, que era uma espécie de capital provisória, porque a Jamba competia com Luanda na altura, pois tinha serviços de informação, comunicação, aeroportos, uma administração funcional. Ademais, tinha hospitais, escolas e é mesmo também na Jamba que nós começamos o nosso espaço na escola e praticamente a base académica foi obtida nas escolas organizadas pela UNITA.

Como era viver num ambiente deste. Na sua opinião, era uma ambiente duma cidade normal ou de uma situação de guerra ou em permanente tensão?

Era um misto e falo disto hoje com alguma distância, mas para um angolano como eu que não conheceu outra realidade a não ser aquela, para mim era vida normalíssima. Era tudo com base nas histórias contadas pelos nossos pais, pelos mais velhos sobre aquilo que eram as cidades antigas antes da guerra, que nós começamos a perceber que afinal o ambiente não era normal, mas para nós a nossa infância era aquela, nós tínhamos nascido naquela situação e era normal, para nós e a vida andava como deveria ser.

Naturalmente, sendo filho do líder do movimento, tinha alguns privilégios!

Não! Porque começou a se constituir uma grande diferença entre o meu pai e os outros líderes de várias organizações. Hoje, digo novamente, é com esta distância que Jonas Savimbi não nos dava privilégios, nós crescemos com outras pessoas, com filhos de dirigentes e de não dirigentes, andamos nas mesmas escolas e em momento algum nós estivemos em posições privilegiadas, com certeza havia com o tempo questões de segurança, mas nunca nos distanciou das pessoas. Até porque o nosso pai sempre insistiu na necessidade de nos formarmos.

Olhando para aquela opulência que Jonas Savimbi tinha e também a força que a UNITA tinha em termos económicos, para administrar um território, não vos deixou nenhuma fortuna?

Não. Jonas Savimbi considerou sempre tudo aquilo que pertencia a organização como coisa pública e ele jurou de pés juntos que nunca gostaria de entrar para a história de Angola, de África e do mundo como alguém que terá desviado a coisa pública e cumpriu esta palavra, é verdade sacrificando a sua família, mas esta é uma realidade. E hoje nós praticamente estamos a começar as nossas vidas, cada de nós tem o que tem por esforço próprio.

Não herdaram casas nos Estados Unidos ou nalguma capital europeia?

Não existem tais casas. Savimbi nunca teve casa numa capital europeia, pelo que, a herança que nós temos do Savimbi é esta: que é preciso lutar pela vida, é preciso ganhar o seu pão com honestidade e com trabalho.

Muitos líderes africanos puseram seus filhos a estudar no estrangeiro! Chegaram a ter estes benefícios?

Sim. Felizmente, para o meu pai a base era fazer com que os seus filhos tivessem uma formação sólida para ganharem a vida. Portanto, o instrumento mais importante para ele era este, razão pela qual na qualidade de ser pai nos deu a oportunidade de termos formação e digo sim, que tivemos a oportunidade. Mas também devo dizer que sempre que tivemos o privilégio de ir para o exterior, nunca Savimbi o fez num quadro só familiar. Eu e meus irmãos fomos saindo para as áreas controladas pela UNITA, Costa do Marfim, França, na qualidade de bolseiros da UNITA, em grupos onde havia outros estudantes que partiam à procura do conhecimento. Partilhávamos as bolsas com outros estudantes, íamos para as melhores escolas, porque é assim que ele concebia o princípio da justiça.

Onde estava quando aconteceu o ataque fatídico que ceifou a vida do seu pai?

Naquele dia eu estava em casa. Depois de terminado o ensino médio, na Costa do Marfim, eu fui para o Gana, porque sempre sonhei em falar inglês. No dia, estava-me a preparar para ir à escola, estudava de noite e vivia com um primo que hoje vive em Luanda. Ele ouvia o noticiário e se deu conta de uma notícia que dava conta da morte de Savimbi, mas para nós ouvir isso já era hábito, para nós era mais uma encenação. Mas por causa do aperto da situação, ficamos preocupados, fizemos contactos aos irmãos mais velhos que estavam na França e decidimos seguir a situação. Por volta das 22 horas começaram a chover telefonemas com vista a se confirmar o ocorrido. Tivemos que encarar a situação.

A seguir o que aconteceu?

Depois procuramos a família, a minha mãe que estava então sob o controlo do governo, através da Cruz Vermelha e houve vários contactos. Mais tarde, a direcção da UNITA conseguiu-se organizar e fomos retornando paulatinamente os contactos com a família e com a UNITA.

Como ficou a família Savimbi?

Ficou completamente abalada, como qualquer outra família quando desaparece a peça principal. Foi como ter os pilares de uma casa a abanarem. Foi uma situação difícil. Felizmente, aprendemos com ele que temos de lutar, que a vida é luta e que era preciso continuar e assim continuamos e felizmente hoje estamos aqui.

Passado esse período, Angola alcança a paz e as coisas se tornam normais. Como é que a sociedade angolana vos acolheu?

Devo dizer que, felizmente, o combate e a luta de Savimbi foram se encaixando cada vez mais nos corações dos angolanos; é verdade que até 2002, como resultado de propaganda, havia parte da sociedade que olhava para Savimbi com desconfiança, mas o tempo está a ajudar a compreender-se profundamente a causa na qual Jonas Savimbi se bateu. Razão pela qual hoje a simpatia é outra. Actualmente, somos muito bem acolhidos pela população e devo dizer que não basta ser filho do Savimbi. Eu por exemplo vivi nos bairros de Luanda, carreguei água nos recipientes, andei de táxi, por isso já não olham para mim com desconfiança, porque sou um deles.

Acha que era possível uma solução da paz em Angola,  diferente daquela que foi encontrada?

Eu penso que a melhor solução não é a paz militar e não é a paz que passa pela agressão física contra os seus adversários. Cada um dos que concorre devia ter um espaço para expor a ideia, afinal nós todos somos angolanos. Onde há uma cabeça, há uma ideia, mas onde há duas, há ideias melhores, razão pela qual não sou apologista deste tipo de soluções. Acrescento dizendo que também há paz em Angola graças a contribuição da UNITA. É preciso dizer que Angola para estar onde está hoje, foi preciso um longo processo de negociações e o acordo que alicerçou a paz em Angola é o acordo de Bicesse, o resto foram protocolos que só foram corrigindo as várias falhas que se verificaram no acordo principal. Para dizer que chegamos a 2002 com uma Angola engajada num aprofundamento da paz, sobretudo na correcção dos erros que foram identificados nos acordos gerais de Bicesse.

Carrega algum sentimento de injustiça pelo que aconteceu com o seu pai?

Não! E quando falo como político posso dizer não, porque senão estaríamos a cair no sentimentalismo e hoje coloco-me mais na posição de político e como tal, penso que Savimbi foi um homem que foi até ao fim, até as últimas consequências dos seus ideais. E hoje praticamente é verde nas ruas de Luanda, Angola, os vídeos, discursos, palavras de Savimbi que são repetidas, até por gente que não o conheceu bem, os mais jovens sobretudo. Para dizer que hoje Savimbi se tornou no ídolo dos jovens que querem fazer revolução e diferente em Angola.

Hoje é político e deputado na Assembleia Nacional. Como é que olha para a política em Angola? A UNITA perdeu nas eleições passadas, com resultados decepcionantes, qual acha que foi a causa fundamental dos desaires?

Não tem sido desaires como tal, porque estaríamos a falar de processos democráticos e é preciso notar que infelizmente em Angola o caminho para a democracia ainda é longo, nós precisamos de aprofundar o nosso processo democrático. Para o caso mais recente das eleições de Agosto do ano passado, devo recordar que tem que ver com o que vivemos em Angola e que não tivemos. Por exemplo, uma noite eleitoral, onde a comissão eleitoral começou a fazer o anúncio dos resultados provisórios, mas não se percebe porquê! Infelizmente, insistimos em dizer que temos tido eleições fraudulentas e até mesmo pela forma como elas têm sido organizadas. Numa eleição em que um dos concorrentes controla a imprensa, a Comissão Nacional Eleitoral, não tem como ter um resultado diferente. Eu penso que a UNITA tem se esforçado bastante para poder ter estes resultados, porque profundamente não é da vontade da maioria dos angolanos.

Eu sei que também estiveram a fazer contagem paralela, e tudo apontava para um resultado melhor que este!

Sim, diferente, e até é uma questão que se debate várias vezes, mas também devo dizer que, na altura em que estive em Angola, o país vivia uma tensão extrema, e dava para ver e a UNITA mais uma vez pensou no país, pensou no povo, porque era preciso preservar a paz, razão pela qual mesmo depois a UNITA evitou uso dos resultados que tinha em sua posse, porque nós sabíamos que seria bastante para criarmos ali uma situação de turbulência e nós evitamos.

Na sua opinião, o que é necessário para de uma vez por todas, ou que reformas devem ser feitas para que se garantam eleições justas?

Para Angola e para outros países, eu penso que há alguns princípios que são universais e que devem ser aceites, só há uma eleição livre, justa e democrática, quando o processo em si é organizado de maneira transparente e nós chamamos de transparente quando há uma organização independente dos concorrentes e que esteja a conduzir o processo, e não é o caso de Angola. Nós temos uma Comissão Eleitoral, mas não é independente, ainda é composta por vários partidos e com base nos resultados de cada eleição anterior.

Era preciso partirmos para uma base igualitária, o que significa termos 50 por cento de representantes na CNE, membros do partido da situação e 50 por cento membros da oposição. Ou então, aceitarmos que a CNE seja despartidarizada, isto é, passe a ser conduzida por órgãos independentes, como é o caso da igreja, para termos alí um processo limpo, onde quem está alí não é concorrente. O outro elemento fundamental tem que ver com o papel da imprensa pública, a imprensa pública é de todos, refiro-me a TPA, que é de todos angolanos, porque nós somos contribuintes. Portanto, a nossa televisão e rádio devem ser mais equilibradas, não devem ser instrumento de um partido só. Dá-se o caso do partido do dia, na altura de campanha, ter uma hora de campanha em televisão, e o partido da oposição ter cinco minutos ou seis. Eu penso que esta é uma outra questão que deve ser reformada.

O actual presidente da UNITA anunciou, durante a campanha, que ia se afastar da liderança, caso perdesse as eleições. A UNITA perdeu as eleições, pelo que, penso que vai mudar de liderança. Sente-se preparado para assumir a liderança da UNITA?

Esta é uma questão que se vai debater nos próximos dias. A UNITA, depois destas eleições, vai reunir a sua comissão política para fazer um balanço, um balanço da sua prestação e do seu ano político, é daí que feito o balanço. Os militantes, que são membros da comissão política, vão também avaliar este pronunciamento do senhor presidente Samakuva, para ver se do interesse do partido, convém fazê-lo agora ou não, vai depender da deliberação da comissão política. A UNITA é um partido antigo, mas também novo, porque dentro dele há antigos e novos, e há pessoas cheias de muita experiência, pelo que encontrar uma figura que possa dirigir a UNITA para os próximos desafios, não é um problema. Por isso,vamos reservar essa decisão a comissão política, para vermos os passos a seguirmos.

Muitas correntes apontam que é presidenciável. E se o partido entender, estaria em condições de assumir.

O que se coloca neste momento não é o facto de eu ser presidenciável ou não, é fazer com que continuemos a dar a nossa contribuição a esta causa que é de todos. Agora, os cargos vêm como consequência do nosso trabalho, porque nós queremos colocar a frente de tudo isto o trabalho.

Tem a ambição de ir um pouco mais além?

A minha ambição é de servir Angola e os angolanos, para que com a minha contribuição possamos fazer com que haja mais equilíbrios e possamos fazer com que o angolano seja julgado segundo as suas competências, não pela sua cor e pela origem tribal, partidária. E se eu fizer com que isso aconteça, ficarei muito feliz.

Sonha um dia em se candidatar a presidente ou não?

O meu sonho é mesmo este, agora se este sonho me levar para outros patamares, só o tempo dirá, mas neste momento o que mais importa é fazer com que o meu país tenha um rumo diferente e melhor, porque a UNITA não está só focada em questões partidárias. O nosso projecto não é de lutar contra uma pessoa, contra um partido, o nosso projecto é de lutar contra a pobreza.

Quando esteve a discursar no Congresso do MDM falou da necessidade de haver mais democracia no seio dos partidos, para também inspirarem os países a serem democráticos. Este elemento tem estado a falhar na sua opinião?

Eu penso que sim, os  países democráticos, de uma maneira geral, e que lutam pela democracia nos seus países, eles mesmo têm de ser democráticos, porque não se pode apelar a democracia, quando não se é e não se pratica a democracia, razão pela qual, na minha mensagem aos congressistas do partido irmão, MDM, eu lancei este desafio: é preciso fazer com que nos partidos haja democracia, só assim teremos credenciais bastantes para podemos reclamar da democracia nos nossos países. Devo dizer que para o caso particular de Angola, felizmente a UNITA é pioneira. A UNITA é o primeiro partido angolano a organizar congressos com múltiplas candidaturas a disputarem a liderança, este é um facto que está registado no processo político de Angola e África.

Como é que se explicam as dissidências que se viram na UNITA entre Chivukuvuku e outros, havendo esta abertura dentro do partido?

Esta é a consequência da democracia que existe na UNITA; é verdade que o nosso sonho é sempre de apelar, de fazer com que as pessoas venham para o partido, tenhamos mais quadros, mais militantes e angolanos a abraçarem a nossa causa, mas a democracia diz que se não estivermos de acordo, temos a liberdade de entrar e de sair. Eu enquadro isto como algo normal, em África parece um problema, mas é normal.

Este ano com as eleições, quebrou-se um ciclo de governação de  38 anos de José Eduardo dos Santos. Sente que o governo de João Lourenço vai fazer ou está a fazer a diferença?

Até hoje só estamos a assistir a exonerações e nomeações, penso que o actual presidente ainda está a arrumar a casa. O partido decidiu dar ainda algum benefício da dúvida ao novo governo, para fazermos depois o balanço, para vermos se fora as exonerações, há coisas mais concretas. Mas o que nós desejamos, é que o país avance e que haja reformas profundas. O vosso país vai ensaiando estes passos e dá para ver que promete. É o mesmo que nós queremos para Angola. Eu penso que o essencial é fazer com que tenhamos autarquias em Angola. Eu penso que esta é uma necessidade nacional, passarmos da democracia representativa para a participativa. Por isso, é preciso que o Estado se organize em pequenas unidades, o que é bom em termos políticos e até para o próprio MPLA.

Está em Moçambique a convite do MDM, para o seu congresso. Tem estado a acompanhar a política de Moçambique? Como é que a UNITA avalia o que tem estado a acontecer em Moçambique?

Eu sigo com alguma atenção a vida política em África, e em particular, dos países lusófonos, e Moçambique é um país irmão com o qual temos obrigações históricas de mantermos relações. Devo dizer que é uma política com avanços e recuos. Moçambique é um país que vem tentando aprofundar a democracia e para mim o maior marco são as autarquias, porque tem 53 espaços governados por várias sensibilidades, não só para resolver os problemas económicos, mas também para aprofundar a democracia. Mas, por outro lado, ficamos tristes quando vemos alguns recuos, por exemplo, quando ainda há assassinatos selectivos de dirigentes políticos de várias ligações políticas. Isso é preocupante, e nós aproveitamos para deixar uma mensagem para todos os irmãos de Moçambique, que aprofundem a democracia e que as vossas conquistas não sejam desperdiçadas. Façam tudo para que Moçambique continue na via da paz, da reconciliação e sobretudo do aprofundamento da democracia.

Qual é o nível de parceria e cooperação que a UNITA tem com os partidos políticos moçambicanos?

Nós somos da família internacional IDC (Internacional Democrática do Centro), somos amigos e parceiros de todos os partidos de África que defendem estes valores, em Moçambique nós estamos com o MDM, em tempos andamos em contacto com a Renamo, mas já faz algum tempo. Contudo, estamos abertos, como angolanos, homens que carregam uma experiência difícil, afinal a história de Moçambique tem muita similaridade com a de Angola. Por isso, estamos abertos, desde que a amizade possa contribuir para manter a paz em Moçambique.

De longe fica a ideia de que pela similaridade, a UNITA e a Renamo poderiam estar mais unidas. Não há uma grande possibilidade de estes dois partidos estarem mais próximos?

De facto, há muito tempo que já não contactamos, mas não temos problemas com a Renamo, temos estado mais com o MDM, no IDC, mas nós estamos abertos para continuarmos a cooperar com outros, sobretudo para que esta cooperação seja um produto valioso e positivo para manter a paz e aprofundar a democracia em Moçambique.

Primeira vez em Moçambique?

É a minha primeira vez e o prazer é imenso, aproveito para deixar um grande abraço para todos os moçambicanos, de certeza que se há uma primeira, haverá também uma segunda vez.

Tem muitas similaridades com o seu pai! Quando anda em Angola ou fora do país, isto não cria uma curiosidade nas pessoas?

Devo dizer que cria, mas já estou habituado. O meu pai foi um homem que marcou profundamente a história de África e do mundo e então é normal que me façam parar às vezes. Normalmente, quando ando pelas ruas sou interpelado, as pessoas pedem para tirar uma fotografia, pedem contacto e dou. Eu acho que nem merecia, porque é trabalho do meu pai. Hoje vou criando a minha marca, e era bom que este homem estivesse vivo para ver os frutos do seu trabalho.

Na tomada de posse, na Assembleia Nacional, tirou uma fotografia com a filha do antigo presidente, a Welwitshea dos Santos, e ficou viral nas redes sociais. Tem tido aproximação com os filhos dos dirigentes do MPLA?

Não como tal, sou colega da Welwitshea na Assembleia Nacional, naturalmente, não podemos fugir um do outro, porque somos filhos de dirigentes que durante anos andaram em contendas. Penso que a nossa missão é de contribuir para a educação das populações, para que elas entendam que os ventos sopram para uma direcção completamente diferente e que devemos viver juntos, porque todos somos angolanos.

Tal como em Moçambique, em Angola, os que pertencem aos partidos no poder evitam ter relações, principalmente com partidos históricos, da oposição.  Como é que se gere esta situação em Angola?

Angola está a viver um momento histórico, há mesmo uma virada, porque durante os últimos 15 anos os angolanos ficaram decepcionados com a falta de distribuição equitativa da renda, e digo isto sem receios, pelo que há uma certa frustração em relação ao partido da situação, motivo pelo qual vejo que este preconceito vai sendo eliminado com o tempo, mas devo dizer que ao nível da UNITA está a surgir uma nova geração de líderes e nós temos uma maneira diferente de pensar de que os do MPLA são nossos irmãos.

Há algum tempo circulou na imprensa que reclama o acesso aos restos mortais do seu pai. Chegaram a ter acesso para poderem dar um funeral condigno?

A situação ainda não está resolvida, mas nós vamos continuar, nós pensamos que é um gesto que é positivo e vai contribuir para o encerramento de um processo que foi longo, com certeza milhares de angolanos se revêem. Fazendo este gesto, não só a família se sentirá bem, mas também muitos angolanos se sentirão bem. Isto vai ajudar a aprofundar a reconciliação e vamos fechar este capítulo e projectarmos Angola para o futuro. Temos a informação de que Jonas Savimbi está enterrado em Luena, na província de Moxico. Quando podemos, vamos visitar a tumba oficial, enquanto algo diferente não se disser.


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