O último adeus a George Floyd

O último adeus a George Floyd

Centenas de pessoas juntaram-se esta terça-feira em Houston para o funeral de George Floyd. A cerimónia culmina seis dias de luto em que o corpo percorreu as cidades que marcaram a vida de Floyd: Minneapolis, onde morreu por asfixia enquanto era detido pela polícia; Raeford, onde nasceu e no coração do Texas onde viveu a maior parte da vida. Segundo o jornal The New York Times, Floyd vai ser enterrado numa campa ao lado da sua mãe.

Foi o último adeus a George Floyd. Familiares, amigos e figuras públicas que entre lágrimas partilharam as memórias do George Perry Floyd, estiveram na igreja Praise Church de Houston, para se despedir do norte-americano que morreu depois de oito minutos com o joelho de um polícia de Minneapolis sobre o seu pescoço. A morte violenta de George Floyd desencadeou protestos contra o racismo nos Estados Unidos e em outros países do mundo.

Um dos discursos mais emotivos na cerimónia que antecedeu o enterro foi proferido por Brooke Williams, a sobrinha de George Perry Floyd. Emocionada, Brooke Williams prometeu que “enquanto respirar, vou exigir que seja feita justiça para o Perry”. A sobrinha de George Floyd acusou os quatro polícias que estiveram envolvidos na operação que matou o seu tio de não terem mostrado “coração ou alma”.

“Aquele polícia não mostrou remorsos enquanto via a alma do meu tio abandonar o seu corpo. Ele implorou e implorou muitas vezes para te levantares, mas só o empurraste com mais força [apontou, dirigindo-se ao polícia Derek Chauvin]. Porque é que o sistema tem de ser corrupto e incorrigível?”, indignou-se.

“Que não haja mais crimes de ódio, por favor. Alguém disse que ia ‘fazer a América fantástica outra vez’ [Make America Great Again]. Mas quando é que a América foi fantástica?”, questionou a sobrinha.

A cerimónia para os familiares foi transmitida pela TV e contou com presença de celebridades e de uma mensagem de vídeo do ex-vice-presidente.

“Não podemos voltar as costas e ignorar o racismo que fere a nossa própria alma. Não podemos virar as costas. Não devemos virar as costas”, apontou, criticando ainda “o abuso sistemático que ainda atormenta a vida americana”, afirmou em videochamada, Joe Biden, o antigo vice-presidente dos Estados Unidos da América e actual candidato à nomeação presidencial pelo Partido Democrata.

“Sei que tens muitas perguntas, querida. Nenhuma criança deveria ter de fazer as perguntas que demasiadas crianças negras têm de fazer há gerações: ‘porquê, porque é que o pai partiu?’”, comoveu-se Joe Biden durante as cerimónias fúnebres em Houston de George Floyd.

“Agora é o momento para a justiça racial”, disse o democrata que vai desafiar o presidente Donald Trump nas eleições de novembro, tendo acrescentado que “milhões” de manifestantes têm saído à rua nas últimas semanas com uma mensagem semelhante.

“Não podemos virar as costas. Não podemos deixar este momento a pensar que podemos, mais uma vez, afastar-nos do racismo que nos arde na alma”, acrescentou.
Cerca de 500 convidados, todos com máscara devido à pandemia do Coronavírus, encheram a igreja, incluindo os actores Channing Tatum e Jamie Foxx, bem como o campeão de boxe Floyd Mayweather, que se ofereceu para suportar todas as despesas da cerimónia.

“É hora de celebrar a sua vida”, afirmou a pastora Mia Wright, na lotada igreja Fountain of Praise, onde familiares e amigos se abraçaram pela primeira vez diante do caixão aberto.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de Maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de aCtos de pilhagem.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão. Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares, numa loja.


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