O último adeus ao ex-Presidente do Egipto  

O último adeus ao ex-Presidente do Egipto  

Foram hoje a enterrar os restos mortais do ex-Presidente do Egipto, Mohammed Morsi que perdeu a vida ontem, ao desmaiar durante uma audiência no tribunal do Cairo. 

A família de Mohammed Morsi deu o último adeus àquele que foi o primeiro Presidente do Egipto eleito democraticamente. Morsi, de 67 anos, morreu cumprindo a pena de prisão perpétua. Foi enterrado no Cairo onde jazem altas figuras da Irmandade Muçulmana, depois de o governo egípcio ter negado que as cerimónias fúnebres decorressem na sua província natal de Sharqiya no Delta do Nilo. 

O ex-Presidente morreu na segunda-feira de ataque cardíaco num tribunal de Cairo durante o julgamento sobre acusações de espionagem que pesavam sobre si. O engenheiro islamita encontrava-se desde 2013 na prisão, depois de ter sofrido um golpe militar liderado pelo actual Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi. O evento foi antecedido de protestos populares, sobre os quais Morsi é acusado de ter ordenado uma repressão violenta. Em vida, Morsi sempre negou todas as acusações.

Governo egípcio rejeita acusações de negligência médica a Morsi

O Governo egípcio rejeitou hoje as acusações de falta de atenção médica e más condições em que alegadamente vivia o ex-Presidente Mohamed Morsi, detido há seis anos e que morreu na segunda-feira durante uma sessão no tribunal.
Serviço de Informação do Estado criticou a organização Human Rights Watch (HRW), que considerou na segunda-feira que a morte de Morsi era "completamente previsível" face à "falta de autorização do Governo para lhe ser dada a atenção médica adequada e para ter visitas familiares".

De acordo com o Serviço de Informação, a HRW está a fazer "falsas denúncias", mantendo "a tradição de fazer circular mentiras". A instituição acusou a ativista Sarah Leah Whitson, diretora regional da HRW, de "assumir prematuramente que Morsi morreu por negligência médica", mas "sem apresentar qualquer prova" e lembrou que o último relatório da organização de defesa dos direitos humanos data de julho de 2017.

Nessa altura, refere o Serviço de Informações, a HRW afirmou que os direitos de Morsi estavam a ser violados, já que não lhe estava a ser prestada assistência médica adequada, mas a situação tinha sido desmentida oficialmente, tendo sido garantido que o ex-Presidente estava bem de saúde, sofrendo apenas de diabetes. A HRW não disse mais nada desde essa altura, sublinha o organismo, referindo que esse silêncio implica que a organização aceitou a normalidade da situação de saúde de Morsi. A Human Rights Watch indicou na segunda-feira que está a preparar um relatório sobre o assunto.

Várias organizações de direitos humanos e a família do ex-Presidente denunciaram, nos últimos anos, a falta de saúde do primeiro Presidente egípcio eleito democraticamente e deposto pelo então ministro da Defesa e hoje Presidente Abdelfatah al Sisi. Algumas das organizações, como a Amnistia Internacional e o Instituto do Cairo para Estudos de Direitos Humanos pediram já uma investigação independente para determinar as causas da morte de Morsi.

 


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