O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, disse último sábado que todos os monumentos que o país pode erguer em honra de Eduardo Mondlane são uma ‘pequena parte’ do reconhecimento
dos feitos do obreiro da unidade nacional. “Sabemos que Eduardo Mondlane merece muitos mais monumentos. Todavia, todos monumentos que pudéssemos erguer, em sua honra, simbolizariam apenas uma pequena parte do nosso reconhecimento e da nossa homenagem pela sua incomensurável contribuição para o despertar da nossa consciência nacionalista”, disse Guebuza.
O Presidente falava num comício popular, último Sábado, na aldeia de Nwadjahane, província de Gaza, Sul de Moçambique, alusivo as cerimónias centrais do 89/o aniversário natalício do falecido primeiro Presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
Um dos atractivos desta cerimónia foi a inauguração de um monumento em plena terra natal de Eduardo Mondlane.
Para além do monumento, Nwadjahane testemunhou ainda a inauguração de um centro de recursos, para alem do lançamento do computador “Dzowo”, o primeiro a ser fabricado em Moçambique.“Dzowo” é o nome pelo qual se designa a família Mondlane numa das línguas faladas no Sul do país.
A fábrica destes computadores poderá ser inaugurada oficialmente a 24 de Junho próximo, segundo revelou o Ministro da Ciência e Tecnologia, Venâncio Massingue.
Para além do discurso do estadista moçambicano, houve ainda outras intervenções com destaque para a da família de Eduardo Mondlane, dos partidos políticos da oposição, dos continuadores e da juventude, do Secretário-geral da Frelimo, Filipe Paúnde, do Governador de Gaza, Raimundo Diomba, entre outras. Todas as intervenções evocaram, fundamentalmente, os ideais de Mondlane como sendo incontornáveis na luta pelo bem-estar da sociedade.
Benigna Wate, que leu a mensagem das crianças, disse que “Mondlane é símbolo de inspiração para se transpor todos os males que enfermam a sociedade”.
Enquanto isso, a juventude referiu, na sua mensagem, que, apesar de fazerem parte de uma geração que não partilhou o “dia a dia” com Mondlane, estão, os jovens, dispostos a multiplicar os ideais deste herói.
De acordo com a mensagem desta camada social, fracassaram os que assassinaram Mondlane já que pensavam que matando-o, o país continuaria sob dominação estrangeira.
A juventude referiu ainda que mesmo com o assassinato de Mondlane, a 3 de Fevereiro de 1969, os ideais deste nacionalista foram sempre multiplicados pela nação moçambicana já sob orientação de outros lideres tais como o falecido primeiro presidente de Moçambique independente, Samora Machel, do seu sucessor, Joaquim Chissano, e agora, mais do que evidente, pelo Presidente Armando Guebuza.
Enquanto isso, os partidos da oposição, através de Miguel Mabote, frisaram o papel de Mondlane na unificação dos moçambicanos.
Mabote, que se fazia acompanhar de outros líderes da oposição como é o caso de Yaqub Sibindy, Marcos Juma, entre outros, aproveitou a ocasião para louvar a forma como o actual presidente moçambicano, Armando Guebuza, tem sabido valorizar o esforço de Mondlane na luta pelo bem estar.
Mabote indicou que não há maneira de ignorar os resultados de iniciativas como é o caso do Orçamento de Investimento de Iniciativas Locais (OIIL), vulgo sete milhões de meticais.
“Não podemos ignorar os 108 mil empregos criados por este fundo. Quando o Presidente Guebuza diz que o OIIL é para os pobres, como é que não podemos te louvar, senhor presidente?”, disse este líder da oposição extra-parlamentar.
Contrariando várias correntes da própria oposição, Mabote estimulou Guebuza a prosseguir com a sua governação aberta e inclusiva, referindo que esta é a melhor maneira que um estadista pode confiar para medir o pulsar da nação.
Ainda no último Sábado, foi lançado o selo comemorativo do 89/o aniversário natalício de Mondlane. Actividades culturais também animaram a festa.
Para além destas cerimónias centrais, o país foi palco, ainda esta semana, de um simpósio internacional sobre Eduardo Mondlane.
O objectivo do simpósio era resgatar a história que caracterizou o percurso da construção da identidade e personalidade de Eduardo Mondlane, o seu perfil político e académico comprometido com a causa africana, em particular com a luta anti-colonial e pela defesa da justiça social e desenvolvimento socio-económico dos povos africanos e de Monchique, em particular.
O Governo já decretou que 2009 é ano Eduardo Mondlane.




