Os nomes (alguns) e o interesse (gradual) da literatura moçambicana no Brasil

Os nomes (alguns) e o interesse (gradual) da literatura moçambicana no Brasil

O interesse pela literatura moçambicana é cada vez mais notável no Brasil. De acordo com a Directora da editora Kapulana, Rosana Weg, o interesse em causa tem-se reflectido nos estudos realizados por jornalistas e professores universitários brasileiros.

 

Avenida Francisco Matarazzo (1752), São Paulo, Brasil. Nesse endereço funciona uma editora que já publicou 33 obras literárias de 23 autores moçambicanos. Por cá já se ouviu falar muito dessa instituição cujo nome é inspirado num tecido de Moçambique: Kapulana. Então, além de honrar o nome, em oito anos de existência, a editora brasileira tem contribuído na divulgação da arte literária nacional no Brasil, com a publicação de obras e criação de oportunidades para os escritores da Pátria Amada participarem em palestras, lançamentos de livro ou worshops.

Como consequência da actividade da editora Kapulana, aumenta nos brasileiros o interesse pelas letras moçambicanas, daí, neste campo, haver um intercâmbio cultural notável entre  Moçambique e Brasil, com  vários escritores nacionais a participarem em actividades culturais e académicas nas terras da Vera Cruz. E com mais impacto dos escritores moçambicanos naquele país americano, igualmente, realça-se o interesse dos pesquisadores universitários e jornalistas, que se dedicam a estudar e a publicar textos sobre a literatura moçambicana, e o aumento de leitores que (também) demonstram o entusiasmo pelos livros de cá nas redes sociais.

Para Rosana Weg, Mestre e Doutora em Letras Clássicas pela Universidade de São Paulo, com ênfase em Literatura Brasileira e Língua Portuguesa, grande parte das universidades do seu país têm hoje departamentos próprios e centros de pesquisa para o estudo das literaturas africanas de língua portuguesa, importantes porque geram interesse nos estudantes mais jovens, que se tornam também pesquisadores da literatura moçambicana. Com efeito, o público leitor das obras moçambicanas no catálogo da editora é maioritariamente jovem-adulto e adulto. Entre eles encontra-se um público (educadores) para a literatura infantil: “quando promovemos actividades com as crianças com os livros moçambicanos, é sempre sucesso, principalmente sobre livros que versam sobre as histórias tradicionais do país”.

Na lista de livros da Kapulana existem dois grupos de escritores mais procurados: os já consagrados, como Noémia de Sousa, Ungulani Ba Ka Khosa, Luís Bernardo Honwana, Suleiman Cassamo, Aldino Muianga e João Paulo Borges Coelho; e os mais jovens, que despertam a curiosidade do leitor brasileiro pelos temas que tratam e por sua expressão literária, como Lucílio Manjate, Sangare Okapi, Adelino Timóteo e Clemente Bata.

Actualmente, entre as obras literárias moçambicanas do catálogo da Kapulana que despertam interesse nos leitores brasileiros destacam-se o romance e o conto. “A poesia é bastante aceita, mas é consumida, muitas vezes, em outros formatos, mais oralizados, como saraus, sessões de poesia, clubes de leitura. Sangare Okapi, Luís Carlos Patraquim, Sónia Sultuane, Lica Sebastião e Noémia de Sousa são autores de obras de alta relevância literária que a Kapulana colocou no mercado editorial brasileiro e que emocionam o leitor brasileiro”, diz Rosana Weg.

 

Momento COVID

Numa altura em que o Coronavírus tem causado a morte de muitas pessoas em todo o mundo, a Directora da Kapulana afirma que a sua editora tem contado com o apoio dos seus escritores, ilustradores e prefaciadores, para divulgar as obras pela internet. “Com as livrarias, bibliotecas e centros culturais fechados, passamos a colocar mais foco em nossos livros digitais e em nossa comunicação pela internet. Convidamos nossos escritores a participar de eventos online connosco, como leituras de trechos de suas obras, bate-papos e entrevistas. A resposta foi incrível e, em pouco tempo, conseguimos produzir peças audiovisuais maravilhosas, que estamos divulgando aos poucos em nossas redes sociais. Mesmo em isolamento físico, é animador perceber que escritores e leitores podem estar bastante próximos uns dos outros”. Além dos escritores, lembra Rosana Weg, a Kapulana tem contado com o apoio de entidades moçambicanas que acreditaram em seu trabalho desde o início, como a Escola Portuguesa de Moçambique (EPM), a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), O País e Stv.

 


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