Os nomes de Amin Nordine

É através dos nomes que se chega ao conhecimento que os homens têm.

João Paulo Borges Coelho

 

Soladas, o mais recente título de Amin Nordine, possui 36 textos, os quais perfazem 47 páginas. Quase que de forma irmanada, em geral, a escrita do autor encontra nos nomes o leitmotiv para a linguagem poética florescer e, com isso, gerar-se um conjunto semântico assente na combinação da realidade e do virtual.

Se concordarmos que “é através dos nomes que se chega ao conhecimento que os homens têm”, como é sugerido na novela Água, de João Paulo Borges Coelho, paralelamente, por via dos nomes, em Soladas, convoca-se a caracterização do que os substantivos encerram ou expõem. Assim, a poesia de Amin Nordine inclina-se para a objectividade, extraindo dali, aparentemente, experiências impressionistas.

Ora recorrendo à hipérbole, na representação do lugar, ora à alegoria, na alusão do tão “esquecido” poeta Heliodoro Baptista, os textos de Nordine estabelecem um roteiro literário, à laia de viagem telúrica, mas também circunstancial pelas emoções e sensações. Tal predilecção mantém activo as particularidades líricas do texto poético, centrado no sujeito ou na linguagem por ele manifesta.

Os nomes neste quarto livro de Amin Nordine resumem o conhecimento que se tem sobre determinadas latitudes, fazendo do texto um mecanismo de aglutinação de certas referências reais, bem à semelhança de, por exemplo, o deus restante, de Luís Carlos Patraquim. Claro que Soladas é menos audaz e elegante nesse sentido da apropriação dos contextos. Aliás, nem se trata de um grande exercício sequer. Logo se vê, os versos e as estrofes são sincopados demais, longe da grande comoção estética essencial à poesia.

A métrica dos textos de Soladas é repetidamente ínfima. Em muitos casos, a versificação parece directamente implicada a uma experiência de vida do autor. Por exemplo, os poemas “Chapa”, “Tenga”, “Mambas” e “Anagrama do vírus”, enfim, um texto óbvio e pouco sedutor. Pode se dizer o mesmo de “Tareia de diarreia” e “Cagufa”.

Sem olvidarmos o carácter manifestamente redutor desta escrita de Amin Nordine, amiúde crua, enxergamos na mira do sujeito de enunciação o emergir dos elementos subjectivos na menção aos palpáveis. Aí a cidade de Maputo é pintada de uma beleza incomparável: “Carmesim das acácias/ Eco azul do nome” (p. 35); e a Ilha de Moçambique aparece como um conjunto de “Ruínas de silêncio ruim;” (p. 27).

O Sul, o Centro e o Norte de Moçambique, com efeito, são espaços destacados em Soladas, de Amin Nordine, o que não deve ser entendido como uma estratégia de configuração de um eventual espaço poético nacional, mas, quiçá, como introdução de um certo jogo semiológico, que recupera a dependência do significado em relação ao significante e vice-versa.

Em última análise, os substantivos próprios que intitulam os textos de Soladas e sobre os quais gira a pena de Amin Nordine impõem-se como uma espécie de revisitação da atmosfera do que gerou a poesia ou para a qual a escrita regressa depois de se sobrepor ao plano real. O exercício é simples e sem grandes revelações.

 

Título: Soladas

Autor: Amin Nordine

Editora: Cavalo do Mar

Classificação: 11,5


Contactos

Tef: +258 21 313517/8

Email: opais@soico.co.mz
Local: Rua Timor Leste, 108 Baixa
Maputo- Moçambique