País em lágrimas de alegria no ouro olímpico de Mutola

País em lágrimas de alegria no ouro olímpico de Mutola

Os maiores feitos do nosso país nos últimos 45 anos foram, sem dúvida, a conquista da medalha de ouro por Lurdes Mutola nos Jogos Olímpicos, a organização, com sucesso, dos Jogos Africanos em Maputo e o lançamento, pelo então Presidente da República Samora Machel, dos Jogos Desportivos Escolares, logo após a Independência Nacional

A Austrália ano 2000. A bandeira da ‘’Pérola do Índico’’ foi hasteada na maior competição planetária e o hino moçambicano tocado, provocando lágrimas em todo o nosso país, algo que nenhum PALOP conseguiu alcançar até hoje.

Onze anos depois, portanto em 2011, as atenções de África e do Mundo convergiram para Maputo, a capital do nosso país, a quem coube o dignificante papel de anfitrião dos X Jogos Africanos, que acabou representando um marco indelével, como pódio da maior competição continental.

Períodos de maior e menor sucesso na área desportiva aconteceram nos 45 anos que hoje se assinalam. As realidades política, social e cultural, como não poderia deixar de ser, tiveram naturalmente a sua influência, mas isso não impediu que o desporto, no seu todo, levasse aos moçambicanos momentos de grande alegria e outros menos bons. Tentaremos registar neste espaço, alguns momentos e estrelas.

 
FUTEBOL

Desde logo, na modalidade-raínha, o futebol, o destaque vai para a presença da nossa Seleccão Nacional em quatro fases finais de campeonatos africanos, conquistadas no Estádio da Machava e que puseram o país em polvorosa.
A primeira vez que fomos a um CAN, foi em 1986, no Cairo. O país abria ainda os olhos para o Continente e a prestação não foi positiva. Averbámos três derrotas em igual número de jogos: 0-3 com a Costa do Marfim; 0-2 diante do Senegal e de novo 0-2, frente ao Egipto, país anfitrião.
Dez anos depois – 1996- na África do Sul, uma pequena evolução. Os resultados: 1-1 diante da Tunísia (golo de Tico-Tico); 0-1 com a Costa do Marfim e 0-2 diante do Gana.
Dois anos depois, portanto em 1998, o país anfitrião foi Burkina Fasso. Os resultados: 0-1 diante do Egipto; 0-3 com Marrocos e 1-3 frente à Zâmbia.
Na quarta presença na maior competição continental, CAN 2010 em Angola, empatámos a dois frente ao Benin (golos de Miro e Goncalves). Nos jogos seguintes fomos derrotados por 2-0 e 3-0, frente ao Egipto e Nigéria, respectivamente.
Nestes 45 anos, equipas nacionais como o Ferroviário de Maputo, Matchedje e Costa do Sol, lograram chegar às meias-finais das competições africanas.
Saliente-se a vitória dos Mambas na Machava sobre os Camarões por 3-0, num jogo inesquecível.
 

BASQUETEBOL

A conquista em Alexandria, 1991 do título continental de basquetebol sénior feminino, a nível de Selecções, foi um feito ímpar, uma das maiores festas do desporto moçambicano além-fronteiras. Na final, o combinado nacional derrotou a fortíssima selecção do Senegal por 75-67.
A nível de clubes, o Maxaquene, em seniores masculinos, participou no Mundial Barcelona 1986, após ter vencido no ano anterior a competição continental em Maputo.
Em femininos, os clubes moçambicanos que apostam na bola-ao-cesto, já são “clientes habituais” das fases finais da provas africanas, com vitórias do Maxaquene, há cerca de duas décadas e mais recentemente, Costa do Sol, Liga Desportiva e Ferroviário de Maputo ocuparam o “pódio” africano.  
 
 
HÓQUEI EM PATINS

A nossa selecção nacional, conseguiu em San Juan, Argentina 2011, o quarto lugar no Mundial, feito que permanece como a melhor classificação de sempre de uma selecção africana. Anos depois, venceu o Mundial B.

Em África, a par de Angola e Egipto, Moçambique tem marcado presença nas grandes provas da modalidade, graças ao empenho abenegado de um conjunto de amantes do hóquei em patins, a maior parte dos quais ex-atletas agora envolvidos no dirigismo e no treinamento.

 
BOXE

Momento alto... para manter? Dentro e fora dos ringues, estão a acontecer coisas inéditas no boxe. A fasquia foi colocada num nível elevado e promete ser ultrapassada. Regulamentação, cumprimento da calendarização, investimento na formação, a todos os níveis, estão a passar do papel para a prática. Houve sucesso competitivo e organizativo no Torneio de Zona Seis, ganho pelo nosso país.
Na recente história desta modalidade, nomes como os de Lucas Sinóia, Alberto Macheze, Tiago Sebastião, Paulo Jorge e outros, parecem ter continuadores.
Uma novidade é do surgimento, a nível alto do boxe feminino, em que Rady Gramane surge em destaque.

 
NATAÇÃO

Raimundo Franisse, grande nadador que deu nome a uma piscina da Cidade de Maputo, continua a ser uma referência da natação. Porém, atletas como Carolina Araújo e o seu filho Igor Mogne, entre outros, continuam a levar a natacão a altos fóruns.
Têm sido poucas - mas grandes – as dedicações a uma modalidade que já possui uma piscina olímpica no Zimpeto e outra no Estrela Vermelha, além da do Ferroviário da Beira.


OUTRAS MODALIDADES

O surgimento de Mutola, paradoxalmente, coincidiu com a queda da modalidade, que já teve estrelas como José Magalhães, Cândido Coelho, Ludovina de Oilveira e outros. Após um período áureo, a modalidade tenta recompor-se, mas não está a ser fácil retornar aos velhos tempos.
O Voleibol de praia tem sido o “rei’ na zona VI, ao contrário da mesma modalidade no salão. Sucesso de assinalar tem sido averbado pelo judo e karate, a par do salto à corda, entre outros desportos, alguns deles com aparições mais ou menos felizes.
 

 

Atletas em destaque
 
LURDES: A ESTRELA MAIOR

+ Conquistou o Mundo, vencendo marcas e medos, batendo as mais temidas oitocentistas do planeta, até chegar à ambicionada medalha olímpica de ouro, em Sidney. Lurdes Mutola, no auge, já não ‘’cabia’’ em África.
Em 20 anos de carreira, foi campeã olímpica, mundial em pista coberta em Lisboa e pista aberta em Estugarda, além de vitórias em ‘’meetings’’ dos mais importantes.
O governo moçambicano atribuíu-lhe o título de Atleta do Século, a par dos veteranos José Magalhães e Cândido Coelho.
 


CLARISSE: BRILHOU NA WNBA

Foi a única basquetebolista moçambicana a actuar no maior campeonato do mundo da bola ao cesto para femininos: a WNBA, tendo actuado para além dos EUA, em Portugal, Brasil, Itália, Espanha, França e Coreia. Representou a Selecção por várias vezes, com destaque para Campeonatos Africanos e Jogos da Lusofonia, Macau/2006.
Segue-lhe os passos Leia Dongue, nesta altura a maior basquetebolista nacional.
 
CHIQUINHO: O “SENHOR SELECÇÃO DE ÁFRICA”
 Jogou pela Seleção de África após protagonizar uma carreira de sucesso pelo Mundo, colocando sempre em lugar cimeiro a presença nos Mambas, a quem ajudou a dar glórias, como capitão e moralizador. Marcou presença em três CAN’s. Hoje é um dos mais reputados técnicos nacionais, estando a treinar os Sub-20 do Vitória de Setúbal.
 


MEXER: DEFESA FINA-FLOR


Na sua carreira fora de portas, (e)levou o nome do país além-fronteiras pelas suas actuações, presença em campo e sobretudo a forma como a partir de situações complicadas sai com a bola jogável. Vive uma realidade de sonho, em França, defrontando as maiores estrelas do planeta.
 


ZAINADINE: SEMPRE NA 1.a LINHA

Já se tornou normal a sua eleição para o onze ideal, a cada jornada do Campeonato Português, este central do Marítimo, titular dos Mambas. Zainadine Júnior, defesa pendular, já actuou num grande clube da China.


 
JOGOS ESCOLARES

Tudo foi criado e idealizado na governação do saudoso Presidente Samora Machel e os primeiros jogos tiveram um lançamento no Estádio da Machava, em cerimónia irrepetível. Agora, volvidos vários anos, os Jogos Escolares, perderam muito do seu brilho, mantendo-se a tradição de reunir a pequenada, os técnicos, dirigentes e toda uma sociedade, por vezes “extasiada” com algo subestimado mas de capital importância nas nossas vidas: o desporto, sobretudo o infanto-juvenil.
Vivem-se, sem sombra de dúvidas, momentos ímpares de confraternização, ocasião para os meninos e meninas conhecerem um pouco mais o seu país e orgulharem-se, independentemente das suas zonas de nascimento através de uma competição sã e, nalguns casos até usufruírem, mesmo que por poucos dias, de uma dieta alimentar mais rica e que afinal deveria ser a quotidiana.
Enriquecem-se os conhecimentos, vivem-se dias maravilhosos e sem as quotidianas obrigações dos muitos deveres e poucos direitos, fazendo aquilo que toda a criançada gosta: correr atrás de uma bola, brincar, conhecer gente nova, alargando horizontes.
A presença “obrigatória” do Chefe de Estado na cerimónia de abertura, os Ministros e outros “titios” que eles só vêem pela televisão, ali, à frente dos seus olhos, anima!
 Alegria, côr e festa. Os Jogos Escolares são dias de “boom” competitivo, sob o pano de fundo da busca de talentos.
Cite-se, aqui a mensagem do saudoso Presidente Samora: “onde entra o desporto, sai a doença”.


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