Partido do “galo” reúne-se no epicentro do furacão

Partido do “galo” reúne-se no epicentro do furacão

O clima de crispação surge na sequência do conflito que havia entre o partido e Mahamudo Amurane e da conflituosa sucessão naquele no Município, depois do seu assassinato. Aliás, a indicação do candidato do MDM para as eleições intercalares de Janeiro próximo veio aumentar a tensão dentro do MDM. Entretanto, com a realização do Congresso precisamente no epicentro do furação que está a estremecer os alicerces do partido, o MDM quer procurar formas de se reunificar e sair de cabeça erguida da crise para enfrentar os desafios imediatos.

Primeiro, tentar não perder Nampula para os seus adversários, que também em Janeiro vão aproveitar-se da crise instalada naquela cidade para arrancar a direcção do Município, mas também há o desafio de nas eleições autárquicas de Outubro conseguir manter as actuais autarquias sob sua gestão e tentar conquistar outros, como Cidade Maputo, Matola, Mocuba, que por muito pouco não os conquistou no último pleito.

O congresso deverá, ainda, definir a estratégia a ser seguida pelo “galo” para melhorar a sua performance nas eleições gerais de 2019, aumentando os assentos na Assembleia da República, nas assembleias provinciais e, se possível, eleger governadores e conquistar algumas províncias. O partido dirigido por Daviz Simango sonha em conquistar a Ponta Vermelha em 2019, segundo Lutero Simango, membro da Comissão Política Nacional do MDM, que falou, ontem, aos jornalistas sobre a agenda da magna reunião.

Neste sentido, o candidato do partido às eleições presidenciais de 2019 poderá igualmente ser declarado nesta reunião, à semelhança do partido Frelimo. Tudo indica que o presidente do MDM a ser eleito poderá, igualmente, ser candidato presidencial.

Até ontem, apenas se conhecia Daviz Simango como candidato à sua própria sucessão. No entanto, segundo uma fonte do partido, as candidaturas continuam abertas para todos os membros que quiserem desafiar o actual presidente se candidatarem. Pelo que, esta terça-feira, data limite para a manifestação de interesse de concorrer à eleição interna, a comissão eleitoral poderá anunciar os candidatos.

Segundo Lutero Simango, os estatutos do partido vão nesta reunião ser alvo de revisão, cujos detalhes poderão ser tornados públicos numa próxima ocasião. A reunião vai, ainda, aprovar os relatórios de actividades dos diferentes órgãos do partido no intervalo entre os congressos. O encontro de Nampula deverá, igualmente, eleger os membros do Conselho Nacional, que por sua vez vai eleger a Comissão Política Nacional, o secretário-geral - os candidatos ainda não são conhecidos - e o Conselho Jurisdicional Nacional.

Participam no segundo congresso do MDM mais de mil e trezentos delegados, provenientes de todas as províncias do país, e mais de duzentos convidados, entre nacionais e estrangeiros, com destaque para a presença de representantes da UNITA, da coligação CASA-CE, ambos de Angola, e do MDC do Zimbabwe.

Recorde-se que o primeiro congresso do MDM teve lugar há exactos cinco anos, na cidade da Beira.

Daviz Simango aconselha membros do MDM a concorrerem nas autárquicas
O presidente do MDM, Daviz Simango, disse na segunda-feira, em Nampula, que ainda não apresentou a sua candidatura às próximas eleições municipais e legislativas. Simango explicou que, na qualidade de fundador do partido, está neste momento a aconselhar para que os membros que assim o entendam possam apresentar as respectivas candidaturas. “Aconselho que muita gente concorra, porque quando fundámos o partido, era para trazer mais pessoas e ficamos satisfeitos por termos cumprido a missão de mais pessoas poderem participar na democracia no país”, disse Simango. Estas declarações foram corroboradas pelo porta-voz do MDM, Sande Carmona, em Nampula, onde inicia hoje o segundo congresso do partido, que vai decorrer durante quatro dias.

 


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