Resultado das Buscas "XIPIKIRI"




  • Mahupeiro

    Jogava Portugal. Passou a mão pela pera grisalha e fez aquele semblante de crítico de bar.

    04 de Setembro de 2018 19h21, Hélder Faife
  • Mussiro

    O vento empurrou a cortina. Maimuna estava sentada, sozinha, a fazer aquilo que as mulheres fazem quando estão sozinhas: cuidar da beleza.

    19 de Março 23h31, Hélder Faife
  • A desfigura do ano

    No telemóvel ainda choviam cordialidades pela passagem do ano. A cabeça pesava-me como se estivesse cheia de babalaza de todos os destilados.

    07 de Janeiro 23h13, Hélder Faife
  • Bofesta

    O sono esmoreceu, mas não despertei de imediato. Acordar parecia um caminho longo. Deixei-me estar a meio da viagem, sem compromisso, nem com o sono nem com a vigília.

    25 de Dezembro 06h14, Hélder Faife
  • Semana das exonerações

    Foi na semana das exonerações. Antes do comunicado das novas nomeações. Havia um brilho diferente no sorriso das pessoas. Tudo parecia merecer polimento especial e muita graxa.

    17 de Dezembro 23h35, Hélder Faife
  • Detido

    Agarrou a cabeça. A culpa pesava. A primeira reclusão de um culpado é a consciência. Por isso levou a mão à cabeça que é onde estava, supostamente, a consciência.

    11 de Dezembro 00h32, Hélder Faife
  • No muro

    03 de Dezembro 23h13, Hélder Faife
  • O aperto

    Senti que não cabia nas calças. Sinal óbvio de ter minguando. Ou será que as calças alargaram?, perguntei-me, procurando disfarçar a frustração de sequer preencher as próprias calças, o que é grave para a reputação de um homem.

    27 de Novembro 00h26, Hélder Faife
  • Por quê Lucky Luke matou Lucky Dube?

    A pele branca de Lucky Luke estava corada. Cozida. Parecia um mutlhutlhu, uma “água e sal” de sol e suor. A cor clara e os fiapos lisos do cabelo, não desmentiam: era estrangeiro àquele bairro em que o sol, severo, escurecia as peles para tons da ferrugem das chapas de zinco...

    20 de Novembro 23h33, Hélder Faife
  • Comparsa

    – Acorda comparsa. Está na hora. Circula apressada. Faz volutas de vento com as partes sacudidas, ao andar. Vai. Vem. Desesperada.

    13 de Novembro 00h37, Hélder Faife
  • O preço das viaturas

    Deslocou, sem pressa, o palito, de um canto da boca para outro. Pousou o xidjumba de jornais e dispôs no chão, em montículos, ao jeito das vendedeiras, de modo que ficassem com as apetitosas manchetes expostas. Em parangonas, lia-se: O PREÇO DAS VIATURAS.

    04 de Novembro 19h29, Hélder Faife
  • Interino

    A mão avançou pelo trópico de capricórnio, entre a blusa e capulana, por onde o corpo se greta em estrias. Pelas dobras da cintura. Pelo trilho agradável do fio de missangas que lhe segurava os amuletos.

    29 de Outubro 08h09, Hélder Faife
  • O assalto

    O assalto

    A chave rodou. O veículo respondeu ao golpe da ignição com um solavanco tímido, mas conteve a precipitação. O motor soltou-se e gemia: hmmmmmmmm! Trémulo, o carro parecia nervoso. O molho de chaves pendurado na ignição tilintava.

    22 de Outubro 10h34, Hélder Faife
  • In dependência

    Samora regressou de Nachingweya como quem regressa, ao fim do dia, de uma intensa jornada de trabalho. Aliviou-se da espingarda que lhe pesava o ombro, pousou-a sobre um móvel, como quem pousa uma sacola com o expediente do dia. Deu um beijinho à sua esposa, cumprimentando-a.

    27 de Junho 19h25, Hélder Faife
  • Explicação da Páscoa

    Jesus demorou com a fivela da sandália, ganhando tempo para raciocinar. Falou-lhe de team building, e outros termos em língua distante, de modo que Madalena se encurralasse com as perguntas.

    2017-06-09 21:21:56, Hélder Faife
  • O balão amarelo

    O puto não gostou. A flacidez desafiava-o. Voltou a assoprar com mais força. Assoprou, assoprou, assoprou. O balão, rendido, inchou, inchou, inchou. Era um mufana gordo, como aquele do Craveirinha

    05 de Junho 16h37, Hélder Faife
  • Gotuâna

    POLÍCIA MUNICIPAL. Uma senhora desesperava, enquanto dois fulanos de uniforme atiravam as coisas que vendia para a bagageira do carro.

    02 de Junho 16h21, Hélder Faife
  • Mentira e Trabalho

    – Mas a mentira sempre existiu, irmão. Este país cresceu sobre a lógica de mentiras. Por isso cresceu. Temos de manter a coerência. A fundação e os pilares deste nosso país têm a robustez da mentira.

    18 de Maio 18h08, Hélder Faife
  • Esposa Pública

    XIPIKIRI Ajeitou a capulana de modo a cobrir os joelhos, quando percebeu o meu olhar a trepar-lhe pelas canelas roliças. Os homens olhavam. As mulheres sussurravam. Mas ela não tinha culpa. Até a capulana com que tentava disfarçar as cordilheiras ondeava, rendida ao relevo.

    11 de Maio 19h13, Hélder Faife




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