Pois é, vizinha… Amanhã, Maria Atália conta uma história sobre as relações humanas

Pois é, vizinha… Amanhã, Maria Atália conta uma história sobre as relações humanas

Maria Atália apresenta, às 18 horas desta terça-feira, uma leitura dramática de Pois é, vizinha, uma história reflecte as relações humanas neste contexto de confinamento.   

 

Um dia desses, vendo televisão, Maria Atália ficou a saber, como muitos telespectadores, que duas mulheres moçambicanas tiveram morte cruel no país. Nesse instante de choque, de repente, a actriz e encenadora começou a pensar no impacto mais profundo do isolamento social no quotidiano das pessoas. Claramente, a artista percebeu que este Estado de Emerência tem activado o lado agressivo de algumas pessoas. Assim, ocorreu a Maria Atália partilhar com o mundo inteiro o seu Pois é, vizinha, cujo texto original é da autoria de Dário Fo e France Rame.

Na verdade, Pois é, vizinha é uma leitura dramática que Maria Atália fará logo às 18 horas desta terça-feira, a partir do Facebook e do YouTube da Fundação Fernando Leite Couto. O que a actriz irá levar ao público, com efeito, é uma história sobre uma mulher chamada (curiosamente) Maria, uma dona trancada à força em casa pelo seu próprio marido, um tipo ordinário quanto possessivo. Violento. Confinada ao espaço exíguo domiciliar, Maria (que não é Atália) é obrigada a suportar o cunhado semi-paralítico e insensato. Por isso, diante de uma situação deprimente, a personagem sente necessidade de partilhar com alguém as suas angústias. Então, aí surge uma vizinha do prédio da frente com quem desabafa.

Ora, a partir do contacto entre quem conta e quem escuta, instaura-se na história uma comédia que introduz as pessoas na reflexão sobre as relações humanas.

Através da leitura dramática, que vai durar entre 35 e 40 minutos, Maria Atália almeja que os que forem a acompanhar a sessão consigam “reflectir sobre as coisas que nos podem livrar da loucura, da agressão e da violência, porque estes são momentos difíceis para todos nós. Devemos pensar mais em nós, e encontrar uma forma, nas nossas casas, de viajar para dentro de nós e daí conquistar a paz necessária para as nossas vidas”.

Assim deve ser porque, na percepção da encenadora, os confinados precisam de uma espécie de tubo de escape, seja na leitura, na música ou na criatividade. Essa é uma das formas de garantir a sobrevivência, “porque tudo o que nós precisamos é de continuar a viver”.

Segundo acredita Maria Atália, Pois é, vizinha é uma história trágica e cómica, simultaneamente, com a qual as pessoas vão identificar-se com alguma coisa. “Ali está a nossa vida, mas recomendo que a leitura dramática seja acompanhada por maiores de 15 anos, pois o texto possui uma linguagem não recomendável às crianças”.

Na adaptação e encenação de Maria Atália, a vizinha retratada pode estar dentro de cada um que vive a história ou pode ser uma entidade realmente existencial. Seja como for, o que a actriz interessa é: “não devemos deixar nada dentro de nós, sobretudo as coisas que nos magoam e podem destruir-nos”. Conselho dado. O resto, só amanhã às 18.


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