Primeiro aniversário dos Coletes Amarelos

Primeiro aniversário dos Coletes Amarelos

Os protestos dos "coletes amarelos" em França celebram este domingo o primeiro aniversário.

Os manifestantes mobilizaram-se este sábado em Paris e várias outras cidades para tentar relançar o movimento de contestação social iniciado a 17 de Novembro de 2018.

Por precaução, as autoridades fecharam dezenas de estações de metro, sobretudo no centro da cidade. Os manifestantes cortaram a autoestrada que circunda a capital francesa durante alguns minutos, mas as autoridades conseguiram rapidamente restabelecer a circulação.

Como aconteceu ao longo dos protestos do último ano, houve situações de confronto entre a polícia e jovens de cara tapada. Os agentes dispararam balas de borracha e lançaram gás lacrimogéneo para dispersar alguns manifestantes que atacaram a polícia e incendiaram caixotes do lixo.

Cathy Nauleau, uma manifestante dos “coletes amarelos” de 44 anos proveniente do leste da França, diz que, um ano depois, “o resultado é que se está exactamente na mesma situação que antes”. Mas promete que os contestatários “não vão desistir” e “vão continuar a lutar pelo poder de compra, pelo fim das taxas impostas às classes baixa e média, que estão fartas de morrer em silêncio”.

As autoridades de Paris decidiram anular a autorização de uma marcha prevista a partir da Praça de Itália, depois de se registarem cenas de violência e confrontos com as forças de segurança. A meio da tarde, já se contabilizavam mais de sessenta detenções na capital.

Em Paris, mas também em Lyon, Nantes e várias outras cidades, a polícia recorreu a gás lacrimogéneo para tentar conter e fazer dispersar grupos classificados como "de elementos radicais".
Para o fim-de-semana, estavam previstas mais de 270 acções dos “coletes amarelos” para marcar o aniversário, um pouco por todo o país.

 

Um protesto que nasceu nas rotundas da França

É um novo tipo de movimento. Um protesto que nasceu nas rotundas da França periférica. Há um ano, dezenas de milhares de pessoas vestiram um colete amarelo, símbolo de um profundo fosso na sociedade francesa.

Combustível demasiado caro, sobrecarga fiscal, morte dos serviços públicos rurais. Os motivos de preocupação são tão heteróclitos como os próprios coletes amarelos.

Rapidamente, o movimento se espalhou por toda a França e a cólera cresceu. No sábado, 1 de dezembro, o mundo descobriu as imagens dos Campos Elíseos mergulhados em gás lacrimogéneo. Milhares de coletes amarelos tomaram conta de um dos símbolos do país, o Arco do Triunfo.

A poucas centenas de metros de distância, no Palácio do Eliseu, o governo preocupado apercebe-se da dimensão da crise. Segundo conselheiros próximos, Emmanuel Macron até temia pela sua segurança pessoal.

O poder parece ter sido apanhado de surpresa. O presidente reage 10 dias depois, a 10 de dezembro, ao vivo, na televisão. Macron promete um aumento de 100 euros no salário mínimo, um bónus de fim de ano, o retorno das horas extraordinárias livres de impostos, mas sem repôr o Imposto sobre a Fortuna (ISF), uma das principais reivindicações dos coletes amarelos.

Para ouvir os franceses, disse, o presidente organizou o “grande debate”. Meses de viagem por todo o país para tentar acalmar a raiva.


 


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