Quando o país está em luto nacional

Quelimane observa lançamento de fogo de artifícios pelos promotores do espectáculo da Yola Semedo.

Ficou feio na fotografia. Quando se esperava que a exortação do governador da província da Zambézia, Pio Matos, fosse no mínimo respeitada para que se observasse respeito por aquele cujo seu percurso político impactou sobre maneira na luta pela independência de muitos países africanos incluindo da pátria amada.

Eis que ao longo da madrugada, mais precisamente entre duas a três horas deste Domingo, ouviam-se ao nível da cidade de Quelimane fortes estrondos que se confundiam com som das armas. Quem vive nas redondezas do local do espectáculo, campo do Sporting o de Quelimane e que estivesse a dormir naquele instante sem dúvidas, a de ter acordado por grande susto.

Mas afinal eram estrondos de fogos de artifícios. Isso mesmo, fogo de artifícios a simbolizar o ponto mais alto do espectáculo protagonizados pelos promotores moçambicanos, que vou me escusar em mencionar seus nomes ou designação das respectivas empresas.

O campo estava abarrotado de espectadores do "Pequeno Brasil" que acorreram ao local para vibrarem ao som dos músicos angolanos e moçambicanos, convidados para abrilhantar o espectáculo. Os espectadores eram tantos, que até me questionei, afinal há tanto dinheiro assim para gastar nesta altura do ano, depois das matrículas e gastos do natal e de transição do ano 2019 para 2020? Bem, cada um planifica a vida da sua maneira.

Não é esta a minha preocupação. A minha preocupação reside na perda dos valores morais. No dia 14 deste mês de Fevereiro o governador da Zambézia, Pio Matos, veio ao público exortar a população da Zambézia para não observância de eventos culturais e desportivos pelo menos enquanto decorre o luto nacional.

Embora não fosse uma imposição, até porque exortação mais do que aviso com intuito de advertir, visa chamar a consciência. Pio Matos chamou a tal consciência daí que viu-se uma reacção positiva do lado do conselho autárquico de Quelimane a adiar a festa carnavalesca de 14 a 23 para os dias 20 a 23 deste mês de fevereiro, em observância do luto nacional.

Ora, até concordo que pelos gastos financeiros feitos para dar lugar o show, não se tinha como parar o espectáculo. Até porque a morte do nosso herói nacional Marcelino dos Santos ocorreu numa altura em que todas as condições já estavam criadas para dar lugar o concerto musical desde colocação do palco, pagamento das passagens de voo dos artistas, publicidade, entre outras despesas.

Mas o luto é nosso e cabe a nós sermos patriotas suficientes para observarmos o respeito pelo herói. Não acho no mínimo simpático quando o luto bate a porta da nossa casa, comecemos a festejar ao ponto de dançar até lançar fogo de artifícios. O que é que estaríamos a comemorar, se estamos de luto?

Na conversa que tive com um dos promotores do show, deixou claro que pelos gastos feitos desde compra das passagens aéreas, pagamento de palco, vendas de bilhetes, etc seria difícil parar o espectáculo sendo por isso que antes do início do concerto ir-se-ia observar um minuto de silêncio.

Mas como lá não estive, não posso confirmar se houve ou não. Todavia quero desta forma apelar os irmãos desta pátria, a termos em conta o respeito pelos mortos tal como manda a nossa tradição Moçambicana, Africana e sobre tudo de alguém como a figura de Marcelino dos Santos, herói nacional. Não podemos perder os nossos hábitos e costumes, o nosso respeito por aqueles que partem deste mundo sobre tudo o respeito pelos nossos heróis. Não podemos também perder o respeito pelos nossos símbolos nacionais.


 


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