Quer reduzir a pressão de uma semana de trabalho? Não vá ao futebol!

Quer reduzir a pressão de uma semana de trabalho? Não vá ao futebol!

O crescimento da violência, dentro e fora dos campos, com compra de árbitros e resultados à mistura são alguns dados demonstrativos de que a temporada futebolística de 2017 em Moçambique, que está praticamente concluída, merece um sério repensar.

Sendo o futebol o desporto-rei, transportando responsabilidades acrescidas, tanto na componente física como na socialização dos cidadãos, esta modalidade deveria contribuir para a fraternidade e unidade entre as pessoas, desde o núcleo ao país inteiro. Porém, se quisermos fazer um balanço honesto, tanto sob o ponto de vista técnico como social, o ano prestes a findar não foi positivo.

E não é necessário procurar muito, pois os “venenos” estiveram à vista de todos, tanto no Moçambola, como na Divisão de Honra. Os “contra-venenos”, aplicados tarde e a más horas, é que não foram suficientemente eficazes, ficando a certeza de que importa rever a legislação, humanizar a prova e criar espaços para educar os intervenientes, de forma a conhecerem os limites e as fronteiras entre a rivalidade sã e a confrontação de quem quer ganhar a todo o custo.

Nos jogadores, tudo passa por uma boa maior dedicação à causa, respeito pelos colegas e pelas exigências da profissão. Trabalhar o pormenor, cultivar a superação. Nos dirigentes, importa valorizar a paixão e o profissionalismo, reduzindo o espaço para infiltrados e “chicos-espertos”, cuja motivação é o “show-off” nos camarotes e a caça aos passeios.

Quem vai ao futebol?
Cada vez mais, o nosso futebol tem sido lugar de indisciplina e arruaça. Levar a família e incentivar os filhos é um risco, pois os campos não são um lugar pacífico. Há que ir preparado para ouvir ameaças e impropérios vindos de todos os lados.

Num país em que os cidadãos têm no seu dia-a-dia mais razões para andarem tristes do que alegres, os campos deveriam ser um “refúgio salutar”, um sítio em que só perde quem os não frequenta. Mas não. Os recintos do desporto-rei tornaram-se locais para quem não tem ou não sabe fazer mais nada, os depreciativamente chamados de “pés-descalços”. Aquele que se considera “gente fina” não vai, não se mistura, preferindo acompanhar a modalidade em casa, girando o botão da TV ao mesmo tempo que vai degustando uns aperitivos.

Diz-se que a qualidade do espectáculo não é atractiva, e é verdade. Mas essa será só uma parte da questão. A outra, talvez a mais marcante, é que, entre nós, o futebol tornou-se uma coisa menor, havendo a sensação de que ser adepto de um clube nacional é algo desprestigiante. Prova disso, é que os que rejeitam o Moçambola, são os mesmos que exibem quadros com fotografias consideradas por eles históricas, de episódicas passagens pelos estádios da Luz ou de Alvalade. Aí sim, ganha-se prestígio e cria-se inveja.

Números podem ajudar a melhorar
Não é só no atletismo que os praticantes são comparados através dos números. Hoje em dia, o futebol e outros desportos, são também mensuráveis. Agora que estamos em final de época, impõe-se a criação de um espaço para que os técnicos avaliem, com substância, os quês e porquês de tão baixos coeficientes, que começam no ritmo, nos exíguos contra-ataques e no baixíssimo índice de conversão.

Há que ver e comparar com os mais exigentes campeonatos em que em regra se marca o triplo dos golos, apesar de os cifrões serem bem mais apetecíveis que os do nosso seio, o que, à partida, consubstancia a tendência de arriscar menos.

Será que se treina por cá, mais o anti-jogo que o jogo? Ou há crise de desequilibradores? Ou ainda as razões têm a ver com as deslocações, que quase obrigam as equipas a treinarem-se nos aviões?

Diz-se, com grande dose de razão, que o futebol é espectáculo. E que o golo é o sal e a pimenta do jogo.

Portanto, se os tentos – bonitos, diga-se –, têm acontecido em tão escasso número, é por aí que se terá que buscar factores para mudar a face.

Sem “politiquices” e busca de protagonismo, o defeso é uma boa ocasião para os profissionais da área técnica aprofundarem as questões de fundo que impedem que as nossas principais provas sejam atraentes, numa modalidade que em todo o mundo arrasta multidões.


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