“Rankings”? Se nos forem favoráveis...

Nos dias em que vivemos e sobretudo nas modalidades olímpicas, ocupamos lugares medíocres e, nalguns casos, abaixo disso. Tal como na componente financeira, dificilmente nos livramos da classificação “lixo”.

Razões de fundo existem para este estado de coisas, sabendo que em tempos tivemos um manancial rico, em que estrelas brotavam e se impunham como que por geração espontânea. Nem sequer tínhamos, então, necessidade dos milhares de doutores em matéria de Educação Física e Desportos que o país formou, para hoje se perfilarem por detrás das secretárias, ou abraçarem outras actividades.

Madalas com saudade...

Choram os seus ídolos, recordando nomes que permanecem no seu imaginário, tais como Matateu, Eusébio e Coluna, no futebol; Arsénio Esculudes, no hóquei em patins; Belmiro Simango, no basquetebol; José Magalhães e Cândido Coelho, no atletismo; Mapepa, no pugilismo…

Um “naipe” a que se juntaram mais recentemente Lurdes Mutola, que não deveria ser excepção, mas a regra no atletismo, João Chirindza, Esperança Sambo, Gil Guiamba, Calton e muitos outros, que proporcionaram tardes de glória na Machava e no Pavilhão do Maxaquene.

Juventude atarantada

Os novos culpam os antecessores de viverem do passado e pouco fazerem pelo presente. Eles não vão aos recintos, fecham-se em casa cuidando dos netinhos, sob o pretexto de que já fizeram a sua parte.

E a pergunta, recorrente, é: o que está a falhar, ao ponto de só conseguirmos estar próximos das lideranças nos “rankings” mundiais, se eles nos forem apresentados de pernas para o ar?

Em tempo de grande convulsão, com secas e cheias de premeio e valores muitas vezes invertidos, as gerações têm que dar as mãos, não para viver do passado, mas utilizando os ídolos, em benefício do tempo presente, até porque a época do “amor à camisola”, já lá vai.

Se cada vez mais o desporto é uma ciência, em que tudo é mensurável, os números que as tabelas internacionais divulgam, não são para serem lidas apenas se nos forem favoráveis. A linguagem do realismo e a prevalecente no mundo actual, é a que se deve impor. Sem oportunismos.

A continuarmos assim, só a olharmos para o nosso umbigo, produzindo relatórios internos com balanços claramente em contra-mão com o lugar que vamos ocupando no Mundo, estamos apenas a enganar-nos uns aos outros.

 


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