Resposta à «benção»!

Ao anoitecer brincamos às cinco pedrinhas
no degrau da porta de casa,
graves como convém a um deus e a um poeta
Fernando Pessoa

A
Ouri  Pota e Cremildo Bahule

Saudações, caros ouvintes da Rádio Boca! O escritor Faife respondeu à carta de Suaila Ginabay.  A carta foi entregue há poucos dias, pelo seu agente literário que, depois de rubricar o envelope na presença de um dos membros da comissão organizadora, de mãos nos bolsos, revelou-nos sorridente que Faife, apesar de andar ocupado com um novo projecto literário fez questão de responder à filha de Deus. Confiram, caros ouvintes a lavra do escritor.

Querida Suaila,
É com declarado orgulho que te saúdo esta manhã. Li a tua carta com entusiasmo e quase tenho certeza que se concretizou o milagre vaticinado há séculos. Hoje é um dia especial. Transborda em mim a alegria de uma criança perante o primeiro brinquedo, na presença uma visita ilustre, como a tua, Suaila. Li a tua carta acossado por todos os lados pelos meus filhos, como quem disputa um lugar no concerto de Míriam Makeba no pavilhão do Maxaquene.

Imagino quão lindo é o teu  imenso jardim, esse sorriso.  Sou uma pessoa que aprendeu a admirar as outras, em particular gente que transmite esperança neste mundo, já sem sentido. Sou um felizardo, confesso-te. Implodiste com as minhas emoções, com o que acabaste de me revelar. Vejo na tua correspondência a sugestão de uma manhã aberta para o futuro.

Ainda me interrogo, com tantas novidades na prateleira moçambicana foste logo escolher o meu texto. Quando mais não seja esta admiração que revelas por mim. Grandes autores publicaram recentemente, Luís Carlos Patraquim, Mia Couto, Marcelo Panguana, Paulina Chiziane, João Paulo Borges Coelho, Ungulani Ba Ka Khosa, Suleiman Cassamo. E outros notáveis como Rogério Manjate, Pedro Pereira Lopes, Macvildo Bonde, Lucílio Manjate, Andes Chivangue, Mbate Pedro, Sangare Okapi, Lica Sebastião, Sónia Sultuane, Chagas Levene, foste tu,  logo dar ao meu livro. Que mais te posso dizer?

Aceito o desafio, mesmo sem saber onde socorrer-me nesta missão, um pouco espinhosa, ou saber ordenar as ideias para te ajudar na escolha do noivo que te faça justiça. Espero corresponder aos teus mais fundos propósitos.

Entretanto, depois de conversar com a minha esposa entendi que o teu apelido me é familiar, Suaila. Tenho uns primos da parte materna com ligações à família Ginabay. Conheces o Yuri? É fotógrafo num jornal cá da praça.
Vai parecer-te estranho, mas adianto que sou um homem pouco dado à palavra e nem sei de onde vem esta energia que transforma o matraquear das teclas em texto. Sou realmente um desajeitado. Se não fossem os meus amigos a empurrar-me com umas palmadinhas nas costas, nas nossas conversas de café, não sei mesmo o que seria de mim, nem sequer haveria de imaginar o silêncio deitado na minha algibeira.

Vejas, tu Suaila que num assomo repentino, a página ficou encharcada de enormidades, como as vagas do mar sobre a areia da praia. Esta imagem lembra-me Quissico e o som das marrimbas. Espero que isto faça algum sentido.

Cabe a ti aguentares com as escolhas. O meu dedo foi cortado mil vezes e renasceu por que não me arrependo das escolhas que fiz nesta vida. Saberás um dia dizer-me quanto te custou esta aventura.

O meu bocejo não significa sono, nem desinteresse, Suaila. Vou beber água e continuar a sonhar. Espero receber em breve tuas notícias afortunadas, tal é a sina melódica em Zavala.

Preste bem atenção num detalhe que pode transformar a nossa correspondência num castelo de sorte no Verão. O meu e-mail está na antepenúltima página, em caracteres miúdos. Assim escreverás directamente para mim, encurtando distâncias nesta auto-estrada. Há muitas perguntas que reservo para a próxima missiva. Hoje ficarei por aqui, desejando-te bons dias, Suaila.
Com toda admiração,
Um beijinho!

HF
Ficamos por aqui, caros ouvintes. A nossa rubrica promete mais novidades na próxima edição. Por favor leiam obras de escritores moçambicanos para serem muito felizes!
Boas leituras!

 

 


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