Será que já fiz a minha parte?

É uma frase feita, que entrou na moda e, praticamente, no léxico moçambicano: “já fiz a minha parte”.

A partir daí, vem o jogo de empurra. Os “mais velhos” atiram a toalha ao chão, alegando que já não encontram espaço, pelo que se sentem desenquadrados. E a pergunta é: afinal o espaço é servido numa bandeja, ou (re)conquista-se?
Do lado dos jovens, saídos das academias e que se querem acomodar perante realidades que implicam investigação e trabalho, também surge legitimidade para o mesmo veredicto: “já fiz a minha parte”.

Quem vai, então, fazer... a outra parte?

Madalas: recolham a toalha

É fácil identificar o lado com menor legitimidade: o dos madalas. Numa sociedade como a nossa em que os culpados são sempre os outros, os mais velhos, sobretudo os credenciados, olham para os anos que têm para viver, equacionam as suas reformas – nalguns casos de dois ou três dígitos – e consideram-se felizes com o “pinga-pinga” na conta mensal. Optam por passar só a cuidar dos netinhos, evitando polémicas que possam atrapalhar uma velhice tranquila.

O investimento do país, a sua entrega e militância em muitos e exaltantes anos, viram matéria - útil mas desajustada - na vida dos novos “babás”. E desta forma, “pontapeiam” as atitudes que os seus pais e avós tiveram perante as bem mais duras realidades, nas longas noites coloniais.
O pós-independência proporcionou-nos uma abertura para o mundo e para a modernidade, com oportunidades para  (re)colher experiências irrepetíveis aquando no país nascente, tanto interna como internacionalmente.

Tudo isso é para ser levado para o Lhanguene?

Ser e parecer

No desporto, a situação é paradigmática. Nas direcções das colectividades, associações, federações e por aí em diante, os cabelos brancos escasseiam. Não quer dizer que se abundassem, isso seria por si só, sinal de qualidade. Porém, claramente, da fusão de pensamentos, épocas e experiências resultaria mais credibilidade e grandes debates de gerações, em que todos sairiam a ganhar.
Unir a inovação à experiência representaria uma base segura entre o parecer ao ser. Ganharia o presente a partir do passado, garantindo, sem margem de dúvidas, um futuro com bases bem mais sólidas, de saudade, mas não apenas de saudosismo.

    

 


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