“Sigo para a Europa na próxima época”

“Sigo para a Europa na próxima época”

Na sua terceira temporada no basquetebol universitário norte-americano, onde entrou pela porta do Seward County Community College (SCCC), instituição por onde passaram e deixaram marcas as compatriotas Ilda Chambe, Deolinda Nngulela e Neide Ocuane, Tamara Seda esteve em evidência no UTEP Miners do Texas, com média de 14.9 pontos, oitava melhor marca da “Conference USA” da NCAA da Division One.

A poste, de 23 anos, destacou-se com a segunda melhor marca da conferência em termos de duplo-duplos ao colectar 13, para além de ter sido indicada para a segunda equipa da “Conference Usa” como uma das melhores jogadoras.

Em mais de sete jogos, Tamara Seda conseguiu marcar mais de vinte pontos. Depois destas exibições, a atleta abre boas perspectivas para futuramente evoluir profissionalmente na Europa. Ano passado, Seda foi uma das estreantes no Campeonato Africano de basquetebol sénior feminino, prova que teve lugar no Mali, onde obteve média de 9.2 pontos e 8.6 ressaltos. Tamara Seda foi a segunda melhor marcadora da selecção nacional na competição.

Tamara Seda esteve em evidência esta temporada no UTEP Miners, tendo sido indicada para a segunda equipa da “C-USA Conference”. Ou melhor, fez parte do cinco ideal de uma das duas equipas da  “C-USA Conference”. O que esta indicação significa para si?

Esta indicação foi fruto de muito trabalho durante a época. Eles analisam as melhores jogadoras da época, ou seja, as que estiveram em destaque. Existe a primeira e segundas equipas da conferência, sendo que eu fiz parte da segunda. Melhor explicando, são dois cincos ideias da época para uma conferência inteira. Foi muita dedicação e muito trabalho desde o início da temporada até o final. Dizer que é possível, qualquer uma jogadora com esforço pode chegar a esse nível, sendo moçambicana ou não.

Tamara Seda arrancou 13 duplo-duplos, tendo sido a segunda melhor atleta da conferência nesta componente, para além de ter sido a quarta melhor ressaltadora com 9,3 ressaltos por jogo. Está satisfeita com estes “targets” ou sente que podia ter feito melhor?

Satisfeita uma pessoa nunca está, mas é um “Benchmarking” (processo de busca de melhores práticas) para perceber em que nível estamos e quanto mais podemos trabalhar. Felizmente, este ano pude ver que posso fazer muito mais e gostaria de ter terminado em melhor posição e se calhar ter ganho o campeonato da conferência, mas estes números só são a prova de que há mais trabalho por se fazer.

Ainda em termos estatísticos, Tamara liderou a UTEP Miners com uma média de 14. 8 por jogo. O que foi determinante para o alcance destes números?

Responsabilidade! Primeiro porque na época passada nós perdemos todo o elenco técnico e tivemos outra equipa técnica. Na altura, eu não estava presente. Estava cá em Moçambique a representar a selecção nacional no Afrobasket. Quando regressei, encontrei um pessoal totalmente diferente, sendo a maior parte das colegas que lá deixei e que já tinham partido. Eu era a única sénior no meio de atletas mais novas. A responsabilidade estava totalmente nas minhas costas. Posso dizer que foi fácil, adaptei-me bem e as colegas também me ajudaram muito.

Em Março último, Tamara arrancou um duplo-duplo (19 pontos e 14 ressaltos), na vitória do UTEP Miners contra a Southern Miss por 72-67, resultado que permitiu a sua equipa qualificar-se para quartos-de-final da “C-USA”. Como é que analisa a sua prestação neste jogo em particular?

Nós tivemos uma época mais ou menos boa. Ganhámos 60 por cento dos nossos jogos, melhor que na época passada, diga-se, uma época horrível. Nesta mesma época, perdemos o jogo na casa deles, então desta vez só podíamos ganhar. A ideia no jogo era mesmo essa de avançar para a fase seguinte, nesse caso aos quartos-de-final.

Conseguiram o apuramento aos quartos-de-final, mas perderam diante da UAB, uma das melhores equipas da conferência. O que terá falhado neste jogo?

Acho que, quando a equipa inteira não está na mesma página, é difícil alcançar certos objetivos. No entanto, sendo a minha última época, eu queria ir até a final, mas acredito que algumas das minhas colegas não tinham noção da magnitude dos jogos que estivemos ali a fazer. Algumas estavam pela experiência. Não estou a culpar a ninguém, mas a outra equipa veio com mais força. Elas tinham algo a provar, porque eram a segunda melhor equipa da conferência e a pressão estava toda nas mãos delas. Acho que elas estiveram melhor em relação a nós pois cometemos mais erros.

Depois desta temporada, quais são os próximos passos? Perspectiva disputar a WNBA ou o futuro passa pelo basquetebol profissional europeu?

A seguir, começa a carreira profissional pois já terminei os estudos. O objectivo nos Estados Unidos era mesmo terminar o ensino superior e, na fase seguinte, vou mesmo engrenar na parte profissional do basquetebol. Não prometo nada de WNBA, mas há possibilidades se calhar daqui a alguns anos...não posso dizer exactamente. Se surgir uma oportunidade com certeza vou abraçar.

Já tem uma proposta concreta para abraçar o basquetebol europeu?

Não vou aqui comentar sobre o facto, mas dizer que sim já tenho e praticamente sigo para a Europa na próxima época, portanto, em finais de Agosto. Não posso adiantar o país porque isso está reservado à agência. Eles é que têm o direito de fazer a publicação em primeiro lugar e só depois é que eu posso informar aos demais.

Está em período de férias em Moçambique. Ano passado reforçou o Costa do Sol no campeonato nacional, tendo sido vice-campeã nacional. Pretende, durante esta época, apoiar alguma equipa?

Desta vez venho somente para visitar a família e amigos, passar um tempinho fora das quadras. Vou ao norte onde cresci visitar o meu avô e pretendo também durante este período assistir o campeonato nacional de basquetebol. Portanto, estarei nas bancadas como qualquer expectador e estarei ali a torcer por qualquer equipa.

Tamara Seda foi uma das quatro estreantes na selecção moçambicana que, em 2017, ocupou o quarto lugar no “Afrobasket” do Mali 2017. Na competição, obteve a média de 9,2 por jogo e 8,6 ressaltos, tendo sido a segunda melhor marcadora da selecção nacional. Como é que avalia a sua estreia no campeonato africano?

Já era altura né! Já há algum tempo que a selecção nacional participa de provas de alto nível e eu não podia fazer parte por causa da escola. Da última vez, calhou enquanto eu tinha uma brecha na escola e podia representar a selecção sem prejudicar a faculdade. Fomos ao Mali, fui convocada juntamente com as outras colegas e das mais novas eu era uma delas. A prestação da selecção foi boa. Certamente, gostaria que tivesse sido melhor mas ainda há muito tempo para melhorar a prestação. Estou contente pelo convite na época passada e espero poder representar a selecção no futuro também.

Injectar sangue novo na selecção

Que futuro é que vislumbra para a selecção nacional. tendo em conta a estrutura que actualmente apresenta?

Eu vou falar numa perspectiva geral. Já é altura de acrescentar, no leque das atletas da selecção nacional, jogadoras da nova geração. Nada contra as mais velhas pois, sublinho, fizeram muito pela bandeira nacional. Foi um trabalho magnífico e elas já ensinaram como representar a selecção da melhor maneira. Contudo, tem tantas jogadoras que estão a evoluir fora, nomeadamente, EUA, Portugal e Espanha. Tendo essas opções, já é altura de fazer um “refresh” na equipa. Vejo que isso começou na época passada com as quatro atletas novas que foram convocadas. Da minha parte, esperem um maior contributo. Como sempre, o objectivo é de superar a época anterior e estarei lá para ajudar no que for preciso.

Moçambique vai acolher, de 29 de Julho a 5 de Agosto, o Campeonato Africano de basquetebol na categoria de sub-18. Que mensagem é que Tamara Seda deixa para as atletas que irão representar o país na prova?

A mensagem que aqui vou deixar não é exactamente para as atletas, mas sim para as entidades. Existe muito talento em Moçambique em todas as modalidades, mas o que falta é motivação e incentivo. Tem tantas jogadoras que param de jogar cedo por falta de motivação em termos de infra-estruturas para treinar e outros meios. No fim das contas, as pessoas sempre apontam as atletas e começa a haver especulações de que o atleta parou de jogar porque não estava a dar, mas os patrocinadores e os clubes devem trabalhar no sentido de incentivar estas estrelas. A mensagem não é para as meninas, mas sim para os patrocinadores e clubes, para que eles invistam nesses talentos e podem ter certeza que elas vão representar o país da melhor forma.


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