Sobre a exposição “Ventre Triangular”

Numa iniciativa da Fundação Fernando Leite Couto no campo das artes plásticas, decorre durante este mês, a exposição colectiva de pintura “Ventre Triangular” dos artistas Amilton Macicame, Chaná de Sá e Sebastião Matsinhe.

O critério selectivo da curadoria da FFLC, leva-nos, num risco calculado, a conhecer novos artistas e novos valores regionais, dilatando a atenção de Maputo para a actividade artística no país, eventualmente um pouco esquecida das galerias e centros de Arte da capital.

O nome da exposição, deve-se ao facto de se reunirem nesta colectiva três artistas da província de Inhambane que conviveram e trabalharam criativamente as suas obras, analisando a linguagem da pintura.

O que os inspira é essa energia, essa fonte de fertilidade e criatividade é esse centro de circulação energética a que chamamos Arte.

Três artistas com percursos diferentes, entre os quais dois nomes sobejamente conhecidos, como é o caso de Sebastião Matsinhe e Chaná de Sá reúnem-se ao jovem Amilton Macicame que expõe pela primeira vez.

O tema, não é o foco principal, é antes a forma como cada um o desenvolve no seu âmago, através de uma entidade própria e da autonomia no tratamento do assunto.

Os artistas, pintam momentos fugazes da sua vida, percorrendo a sua memória.

Através da sua sensibilidade e com uma liberdade individual nas suas obras, distribuem-nos lugares privilegiados diluindo fronteiras entre o fantástico e o quotidiano numa dialética com a natureza.

Inicialmente autodidata, e mais tarde apoiado pelos dois outros artistas, Amilton Macicame, de uma forma ousada, cria um simultâneo de imagens sobrepostas, onde se destaca a figura que emana no centro e que invade, de modo expansivo, a superfície pintada, desvendando situações imprevistas.

Essa mesma figura, inevitável compromisso inerente as terras africanas, traduz simultaneamente um desejo inalterável de conservação das espécies em perigo de extinção. 

Sebastião Matsinhe com uma pintura livre de cânones, plena de imagens abstractas e cores vibrantes, brinca com linhas realistas e formas ambíguas. Tomando como ponto de partida a realidade visível, procura a harmonia e o encontro entre a paisagem e a natureza humana.

Chaná de Sá, suaviza as suas imagens, retirando-lhes agressividade através do traço curvilíneo que utiliza com mestria, dando às suas obras um sentimento amoroso, sulcado de gestos provocatórios.

Nesta colectiva a três mãos, neste encontro de diferentes trajectórias, as telas representam um mundo de histórias que nos rodeiam, reunindo formas, objectos e sujeitos insólitos.

Através destas narrativas pictóricas, os artistas conjugando acertadamente os elementos das suas obras, levam-nos a visitar lugares que reflectem a sua aproximação ao meio ambiente, à busca de contacto com a terra onde nasceram e à expressão do seu povo.

 

 

 

 

 


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